Mbappé ofusca Messi e França bate a Argentina em um jogaço: 4 a 3

  • Por Jovem Pan
  • 30/06/2018 12h54 - Atualizado em 01/07/2018 08h34
EFE/EPA/SERGEY DOLZHENKOAutor de dois gols e um pênalti sofrido, Mbappé passa por Dí Maria, que também marcou um golaço

No grande confronto das oitavas de final da Copa 2018, a França de Mbappé derrubou a Argentina de Messi em um jogaço com dois reviravoltas. Com a vitória de 4 a 3, os europeus enfrentam outro sul-americano pelas quartas, o Uruguai, venceu Portugal ainda neste sábado (30). Os gols da França foram marcados por Griezmann, de pênalti, Pavard e Mbappé (dois gols). A Argentina anotou com Di María, Mercado e Agüero.

Se muitos esperavam um grande protagonismo de Lionel Messi, que participou de dois gols, mas não foi brilhante e esbarrou na marcação adversária, o 10 da França, Kylian Mbappé, pediu licença e chamou o jogo para si, fazendo a diferença. O craque do PSG sofreu o pênalti que gerou o primeiro gol da partida, após bela arrancada, e marcou os dois últimos gols da equipe, que asseguraram a classificação às quartas de Les Bleus, que crescem na busca pelo tri-mundial e podem enfrentar o Brasil na semifinal.

Enquanto isso, Maradona assistiu, dos camarotes da Arena Kazan na Rússia, à eliminação de seu sucessor, Messi, que, aos 31 anos e já tendo se despedido uma vez da seleção albiceleste, pode ter jogado sua última Copa do Mundo em alto nível sem conseguir dar um título expressivo para a Argentina.

O jogo e os gols narrados por Fausto Favara

A França começou o jogo com mais posse de bola, mas não conseguia impor seu estilo de jogo, enquanto a Argentina subia a marcação e apostava no contragolpe.

Aos oito minutos, porém, o primeiro grande lance de perigo do jogo: Griezmann chutou por cima da barreira em falta perigosa e o goleiro argentino Armani só torceu enquanto a bola caprichosamente explodiu no travessão.

Aos 10, a individualidade francesa mostrou as caras e conseguiu furar a zaga albiceleste. Messi tentou jogada individual, Pogba desarmou e o meia argentino Banega não dominou, deixando a bola para os franceses. Rápido e atento, Mbappé deu uma arrancada espetacular do campo de defesa francês até a área argentina, ganhando de quatro argentinos na velocidade. Ao invadir a área sul-americana, o jovem craque do Paris Saint-Germain foi derrubado pelo zagueiro Rojo, que entrelaçou os braços com o atacante para parar o imparável. Pênalti para os franceses logo no início do jogo, marcado sem a ajuda do árbitro de vídeo. Griezmann apenas deslocou Armani para abrir o placar em chute rasteiro quase no meio da meta, marcando seu segundo gol na Copa, ambos em pênaltis. 1 a 0 para a França.

Atrás do marcador, a Argentina partiu para cima. Mas foi a França que voltou a assustar. Aos 18, Pogba encontrou o veloz Mbappé por trás da zaga. O rapaz de 19 anos foi parado novamente na força: Tagliafico trançou os pés de Mbappé e gerou falta perigosa, na entrada da área, para os europeus. Só que a precisão que Pogba teve no lançamento não foi a mesma do chute e o meia do Manchester United isolou a bola em forte arremate, desperdiçando a chance de ampliar o placar.

A Argentina sentiu a pressão e não conseguia criar jogadas. Assim, a França seguia perigosa em rápidos contra-ataques sobre a assustada zaga dos “hermanos”. O time de Messi, bem marcado, se esforçava, mas faltava organização para chegar com perigo ao gol de Lloris.

Quando parecia que o primeiro tempo terminaria com a sensação de que a França poderia ter feito mais gols, a habilidosa individualidade argentina se sobressaiu sobre rara falha da defesa adversária para mudar o panorama do jogo. Aos 40 minutos, Ángel Di María recebeu sem marcação na intermediária. O meia do PSG teve tempo de dominar, ajeitar a bola e acertar um chutaço no canto alto esquerdo do goleiro francês, que se esticou em vão. Lindo gol. 1 a 1 no placar e festa gigante da torcida argentina, ampla maioria na Arena Kazan.

A Argentina voltou com tudo para a segunda etapa e ampliou o marcador logo aos três minutos. Após escanteio cobrado por Banega, Lionel Messi ficou a bola dominada na ponta direita da área. Marcado por dois franceses, o craque encontrou espaço para um chute cruzado a gol. Lloris pulou para alcançar a bola, mas o lateral argentino Mercado, em posição legal, desviou de pé esquerdo e mandou para o fundo da rede. Virada albiceleste e delírio dos “hermanos”, que viam o 2 a 1 para a Argentina no placar.

Porém, a euforia argentina durou pouco, já que a resposta francesa foi rápida e bela. Do lateral esquerdo para o direito, Hernández cruzou e Pavard acertou lindo chute de primeira, de três dedos, de fora da área para o ângulo direito de Armani. Mais um golaço aos 11 minutos e tudo igual: 2 a 2.

Avassaladores, “Les Bleus” voltaram à frente do placar aos 18 minutos com Mbappé, que se consolidava como melhor do jogo e já merecia o gol. Após bola rebatida na área, o jovem atacante cortou rápido e bonito com a perna direita, deixando Enzo Pérez na saudade, e chutou forte de esquerda e rasteiro. O goleiro Armani ainda tocou na bola, mas não evitou o reviravolta francês: 3 a 2.

À frente no placar, os franceses recuraram em campo, mas ampliaram em um lindo gol, uma aula de contra-ataque, aos 22 minutos. O goleiro Lloris começou a jogada e a bola passou pelos pés de Umtiti, Matuidi, Kanté e Giroud, em nove toques rápidos, antes de chegar em Mbappé, que chutou cruzado para garantir a vitória: 4 a 2. Outro golaço, desta vez com a beleza focada no coletivo francês. E coroando Mbappé como o nome do jogo.

A Argentina sentiu o baque e tentou voltar ao jogo, mas esbarrou no sistema defensivo da França, satisfeita com dois gols à frente no placar, mas ainda perigosa no contragolpe. Aos 39, Messi esboçou uma reação. O 10 do Barcelona deu linda meia-lua e entrou na área, mas chutou fraco de pé direito.

Aos 47 minutos, Messi deu lindo lançamento para Agüero, que entrou no segundo tempo, concluir de cabeça e descontar: 4 a 3, placar final. Havia mais dois minutos de desespero argentino, que foram consumidos em discussões no meio de campo.

Fim esforçado mas melancólico de Copa do Mundo para a seleção da Argentina, que mostrou muito esforço e bons momentos individuais, mas deixou a desejar na organização e coletividade. E bela vitória francesa, que mostrou um time equilibrado, com grandes valores individuais e uma coletividade concisa. A França cresce na competição e se coloca como uma das grandes favoritas ao título.