De candidato ao rebaixamento a sensação do 2º semestre: o Santos em 2015

  • Por Jovem Pan
  • 11/12/2015 13h25
Ameaçado pela crise no início do ano

De virtual rebaixado a finalista de duas competições, campeão em uma delas, e top 10 do Brasileirão: o ano do Santos poderia ser péssimo e, dentro das perspectivas nos primeiros meses da temporada, o torcedor alvinegro tem muito o que comemorar.

Crise financeira, salários atrasados, jogadores insatisfeitos e um time mediano, tudo isso sob o comando de um presidente recém-eleito, Modesto Roma: o ano prometia ser péssimo para os alvinegros que foram de candidato a um vaga na Série B a time sensação do segundo semestre no país.

Do possível rebaixamento a futebol mais bonito do país, do título a frustração da derrota

O Peixe começou o ano treinado por Enderson Moreira, que assumiu a equipe no segundo semestre de 2014 com a missão de preparar a equipe para 2015. Em março deste ano, porém, Enderson foi demitido sob o argumento de que não se dava bem com os jovens do elenco. Ainda com Enderson, o time santista começou a ser montado sob muita desconfiança já que nomes importantes como o goleiro Aranha, o zagueiro Edu Dracena, o lateral Mena e o volante Arouca deixaram a equipe por conta da falta de pagamentos.

Em meio à crise nas finanças, o Peixe apostou em Ricardo Oliveira que se apresentou na Vila Belmiro em janeiro e, assim como todo o clube, com muitas interrogações ao seu redor. Ricardo se juntou a outros veteranos, Robinho, Renato, Elano, que formaram a equipe alvinegra ao lado de jovens valores como Geuvânio e Gabriel.

Após a demissão de Enderson, o auxiliar Marcelo Fernandes assumiu o comando e levou o Peixe até a grande final do Paulistão. Na decisão, Santos campeão após vitória nos pênaltis na Vila Belmiro sobre o rival Palmeiras, título que para o narrador Fausto Favara, da Rádio Jovem Pan, foi importantíssimo para dar moral ao grupo alvinegro na sequência da temporada.

“Fecho o balanço do Santos de forma positiva. O clube começou o ano devendo para a floricultura, isso é ridículo. Não contratou, manteve jogadores da base. O Paulista foi algo que fez com que o Santos pudesse criar um corpo. Acredito que se não tivesse vencido o Paulista, os caras iriam desacreditar, entraria pior ainda no Campeonato Brasileiro. Foi importante”, analisou Fausto.

O título estadual deu melhores perspectivas ao alvinegro praiano no Brasileirão, mas o início de campeonato não foi bom e o risco de rebaixamento preocupou os santistas. Logo Robinho deixou a equipe e a sequência ruim fez com que a direção do clube decidisse mudar o comando da equipe: após goleada por 4 a 1 para o Goiás, Marcelo Fernandes voltou a ser auxiliar e Dorival Junior assumiu o time na 13ª rodada.

“O Brasileiro começou de forma dramática e no comando do Dorival Junior, o time mudou de comportamento. O Dorival ficou um tempo fora e foi importante esse tempo. Ele pegou um desafio, ele foi um cara vitorioso no Santos e pegou o time na zona de rebaixamento. E não perdeu nenhum jogo dentro da Vila Belmiro”, destacou o narrador da Pan.

A chegada mudou a equipe que logo se afastou da zona de rebaixamento e começou a sonhar com a parte de cima da tabela. O que parecia improvável aconteceu na 29ª rodada do Brasileiro: após vitória sobre o Fluminense, o time de Dorival entrou no G4 e se aproximou de uma vaga na Libertadores.

“No Brasileiro, o Santos foi um antes do Dorival. Pós Dorival Junior o time foi outro”, completou Favara.

Paralelamente, o time da Vila Belmiro avançava na Copa do Brasil e mantinha o discurso de brigar nas duas frentes. Vitórias contundentes sobre Corinthians e São Paulo levaram o Peixe a mais uma final no ano, novamente contra o Palmeiras.

O bom momento santista e de jogadores importantes como Thiago Maia, Lucas Limas, Marquinhos Gabriel e, claro, de Ricardo Oliveira, que encerrou a temporada com 37 gols, fizeram com que o time da Vila Belmiro se colocasse como favorito para título na Copa do Brasil e vaga na Libertadores pelo Brasileiro. A possibilidade de levantar uma taça, porém, falou mais alto, o Santos apostou tudo na final contra o Palmeiras e abandonou o Brasileirão nas últimas rodadas. Nos últimos quatro jogos do campeonato nacional, duas derrotas, um empate e apenas uma vitória afastaram o Peixe do G-4.

Veio a decisão da Copa do Brasil e a dolorida derrota para o Palmeiras que reverteu placar da primeira partida e conquistou o título nos pênaltis.

“O grande erro do Santos foi nesta reta final. O Santos bobeou, poderia ter forçado no Brasileiro e teria garantido a vaga na Libertadores. Ainda assim, fecho de forma positiva pelo fato ter começado da maneiro como começou. Se você avaliar toda a temporada, foi ótimo, se avaliar só o segundo semestre, foi ruim, a reta final foi o péssima”, disse Fausto Favara.

“Na Copa do Brasil, eu apontava o Santos com 80% de favoritismo sobre o Palmeiras. Depois do primeiro jogo, caiu muito. O Santos poderia ter feito 3 a 0 na Vila Belmiro”, completou.

Perspectiva para 2016

Se a vaga na Libertadores e o título da Copa do Brasil não vieram e frustraram o torcedor santista, o alvinegro da Vila Belmiro não encerra a temporada com saldo negativo.  O Santos fecha 2015 de forma bem diferente daquela que iniciou. A chegada de Dorival consolidou alguns nomes importantes no elenco como o jovem Thiago Maia que virou titular absoluto, assim como o lateral Zeca, que estava de saída e permaneceu na equipe após intervenção do treinador, e Gabriel que cresceu de produção com Dorival.

Ainda sem um patrocinador que poderia chegar com a classificação para a Libertadores, o clube ainda deve sofrer com problemas financeiros, mas a crise vivida nos primeiros meses do ano está longe do clube que já não atrasa mais salários e iniciará 2016 com uma base pronta e em busca de reforços pontuais.

“Não indo para a Libertadores, o Santos pode perder suas principais peças e não tem dinheiro para contratar. O Santos pode perder as principais peças e os meninos da base não seguram tudo sozinho. Está uma incógnita para o ano que vem. Em 2016, o Santos entra mais confiante do que ano passado, em condições financeiras melhores, entra mais arrumado. Mas depende muito dessa janela de transferência até janeiro. Mas começa mais confiante e em situação financeira melhor”, analisou Fausto.