De Chelsea a Love: cinco vezes em que o “maloqueiro” Tite provou ser especial

  • Por Bruno Landi/Jovem Pan
  • 25/05/2016 12h39

Ídolo de uma das torcidas mais exigentes do mundoÍdolo de uma das torcidas mais exigentes do mundo

Técnico mais badalado do futebol brasileiro na atualidade, Adenor Leonardo Bacchi tem motivos de sobra para celebrar nesta quarta-feira, 25 de maio de 2016. Tite, afinal, completa 55 anos de vida no auge da carreira e com o status de melhor treinador do País pentacampeão mundial de futebol. 

Ex-jogador de qualidade questionável, o gaúcho de Caxias começou a trabalhar à frente dos bancos de reservas em 1990 e, desde então, teve passagens marcantes por clubes como Grêmio, Internacional e São Caetano. Foi no Corinthians, contudo, que alcançou o topo. 

Segundo técnico que mais comandou o time alvinegro na história, Tite conseguiu se tornar unanimidade e ídolo de uma das torcidas mais exigentes do futebol mundial. Tirou a equipe corintiana da “seca” na Libertadores, carregou-a à histórica conquista do Mundial de Clubes da Fifa e, de quebra, ainda foi bicampeão brasileiro.

Tite, sem dúvidas, virou o cara do Corinthians. “Maloqueiro” como os quase 30 milhões de fanáticos torcedores espalhados pelo mundo, é reverenciado a cada vez que pisa no gramado de Itaquera e tem praticamente carta branca da Fiel para ousar no comando técnico do clube mais popular de São Paulo.  

O simples fato de ser o treinador mais vitorioso da história do Corinthians já seria suficiente para torná-lo mais do que especial ao “Bando de Loucos”. Mas, no dia em que ele completa 55 anos de vida, não custa nada relembrar cinco momentos em que Tite provou ter a estrela que o corintiano tanto admira.

Vem, Cássio! 

O ano era 2012, e o Corinthians estava em fase decisiva na temporada. Mas Tite não hesitou em mexer na posição mais crucial de um time de futebol. Depois de ver Júlio Cesar falhar e ser o vilão da eliminação corintiana nas quartas de final do Campeonato Paulista, o técnico sacou o goleiro campeão brasileiro e apostou no então desconhecido Cássio para a partida contra o Emelec, no Equador, pelas oitavas de final da Libertadores. Muitos criticaram a mudança de Tite, mas, dali em diante, Cássio acumulou atuações fabulosas e se eternizou como um dos maiores arqueiros da história do clube – curiosamente, hoje, o treinador barrCássio para dar sequência a Walter.

Sem se apequenar!

O enredo é quase sempre o mesmo: quando um clube brasileiro vence a Libertadores e viaja ao outro lado do planeta para decidir o Mundial de Clubes contra um time europeu, geralmente opta por se fechar na defesa e jogar por uma bola para faturar a taça mais cobiçada do planeta. Foi assim com o São Paulo, contra o Liverpool, com Internacional, diante do Barcelona, e com o Santos, frente ao mesmo rival catalão.  

Mas o Corinthians de Tite não se apequenou na partida contra o forte Chelsea, em Yokohama. O time alvinegro jogou de igual para igual com os ingleses e, apesar de o goleiro Cássio ter sido o melhor em campo, provou que é possível propor as ações contra um rival sabidamente mais poderoso. Naquele domingo, 16 de dezembro de 2012, o corintiano não se sentiu gigante apenas pela invasão alvinegra ao Japão, mas principalmente pela fabulosa atuação da equipe de Tite em solo nipônico.

Relaxa, Felipe… 

Depois de um 2014 sabático, com muito estudo longe dos gramados, Tite voltou a comandar o Corinthians em 2015 com a missão de recolocar o time alvinegro na briga por títulos. Logo de cara, bancou a titularidade de Felipe, zagueiro contratado no fim de 2011 e que, definitivamente, não gozava de prestígio junto aos torcedores corintianos. O defensor era considerado lento, fraco tecnicamente e frágil na questão psicológica. 

Mas Tite insistiu no jogador e lhe deu sequência no time titular. Consequência? Felipe se tornou um zagueiro seguro, artilheiro e muito querido pelas arquibancadas. Apelidado de “Sérgio Ramos de Itaquera”, formou uma dupla de zaga quase perfeita com Gil e até foi convocado para a Seleção Brasileira. Hoje, veste a tarja de capitão do Corinthians. Tite tem estrela ou não?

Eu confio em você, Love! 

Se, na defesa, Felipe foi o exemplo da espetacular visão de Tite, no ataque, o responsável por comprovar a competência do treinador foi Vagner Love. Contratado em janeiro do ano passado junto ao futebol chinês, o atacante chegou ao Brasil mal fisicamente e demorou a jogar bem pelo time corintiano. O experiente centroavante chegou até a virar motivo de piada em Itaquera 

O que Tite fez? Tirou Love momentaneamente do time titular, mas não para queimá-lo com a torcida – e sim para recuperá-lo fisicamente. Depois de um tempo e da lesão de Luciano, recolocou-o entre os onze e foi recompensado: Love passou a jogar bem, alternou gols com assistências e terminou o Campeonato Brasileiro como um dos principais atletas do elenco hexacampeão – o gol do título, diante do Vasco, por sinal, foi dele.

Saiu todo mundo? Tudo bem… 

O maior desafio da carreira de Tite, sem dúvidas, foi enfrentado no início de 2015, quando o treinador voltou ao Corinthians com a pressão de ser campeão. Com problemas financeiros, a diretoria alvinegra praticamente desmontou o time que havia encerrado a temporada anterior jogando bem. Anderson Martins, Fábio Santos, Lodeiro, Guerrero e Emerson Sheik foram vendidos, e Tite se viu diante da parede: teria de, em um ano, remontar uma equipe e ainda brigar por taças. 

O início da temporada foi turbulento, com eliminações em casa no Campeonato Paulista e na Copa Libertadores. Mas, depois de alguns meses, Tite reinventou o Corinthians, desenhou um 4-1-4-1 para lá de moderno e fez do time alvinegro praticamente imbatível. No fim do ano, foi campeão brasileiro após domínio chocante e comprovou que, quando mais esteve pressionado, melhor reagiu. A esperança dos corintianos é que o filme se repita. No que depender do aniversariante do dia, não se pode duvidar de nada.