De festa à decepção: o amargo gosto da estreia do Allianz Parque
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Quatro anos, quatro meses e oito dias se passaram desde a despedida do torcedor palmeirense do Parque Antarctica. E se o adeus à antiga casa, de tantas glórias, ídolos e conquistas, não foi como esperado, com um convidado atrevido marcando dois gols, o retorno repetiu o mesmo enredo, com ares ainda mais dramáticos.
Em 2010, uma partida amistosa contra o Boca Juniors. A derrota por 2 a 0 de nada afetou o time, que aquele ano terminou o Campeonato Brasileiro na décima colocação, com 50 pontos. Hoje, depois de um rebaixamento à segunda divisão, um título da Série B e um troféu da Copa do Brasil, o clube se encontra em uma situação delicada na tabela, e viu o jogo de festa se transformar em decisão.
Mais de 35 mil torcedores, renda superior a R$ 4 milhões e a décima quarta posição no Brasileirão, com 39 pontos, três acima da zona de rebaixamento. Elementos que pareciam brigar entre si. O “convidado” da estreia do Allianz Parque – tido como estádio mais moderno da América Latina – foi o Sport, que não estava em clima de festa.
A atmosfera que preenchia o estádio antes do apito inicial era um misto de sentimentos: felicidade, emoção e orgulho da nova casa, mas também pressão, tristeza e sofrimento por ver a situação do time, justamente no ano de seu centenário.
O hino nacional foi abafado com “Palmeiras, Palmeiras, meu Palmeiras”. O decorrer do jogo teve “olê, porco”. E o fim foi marcado por “não é mole não, essa vergonha com a torcida do Verdão”. Em um intervalo de tempo de 105 minutos, os gritos de apoio passaram a xingamentos. A ansiedade de pisar pela primeira vez na casa nova se transformou em vontade de fugir, e antes mesmo do apito final vários torcedores deixaram seus assentos verdes.
As pernas dos onze jogadores em campo, e o homenzinho azul a beira do gramado, envolto em um mar verde, não tiveram a mesma força que as gargantas dos palestrinos que compareceram ao jogo. Assim como a última bola a balançar as redes do antigo Parque Antarctica não teve as cores verde e branca, o Allianz Parque viu seu gol ser carimbado com as cores rubro negras do visitante. Não apenas uma, mas duas vezes.
A festa passou, Palmeiras. E é preciso abrir os olhos para que o novo estádio não vire palco de partidas da Série B em 2015.
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