“Del Nero caminha para ser imperador”, dispara ex-vice da FPF

  • Por Jovem Pan
  • 26/01/2014 16h30
Marco Polo Del Nero 220312

Após a reeleição de Marco Polo Del Nero na Federação Paulista de Futebol o então vice-presidente da regional da Baixada Santista, Orlando Rollo, pediu demissão de seu cargo. Alegando não aguentar os desmandos e arbitrariedades que ocorrem no órgão, Orlando conversou com a Jovem Pan e garantiu que estuda ações para salvaguardar os direitos dos clubes e para cercear o poder ditatorial de Marco Pollo.

“Hoje a Federação Paulista de Futebol é dirigida de forma ditatorial, o rei, o imperador do futebol paulista Marco Polo Del Nero dá as cartas sem consultar ninguém, ouve apenas o espelho dele. Eu não posso concordar que o futebol ande a partir das determinações de uma só pessoa”.

Quando assumiu o cargo em fevereiro de 2013, Orlando o fez com a intenção de aumentar a influência do Santos e dos demais clubes da Baixada Santista, mas após quase um ano ele destaca que foi uma das maiores decepções da vida. “Quando cheguei eu vi que o sistema era contaminado e não aguentei com tantos desmandos. O Santos vinha sido prejudicado de maneira constante, os outros clubes também e a gente não tinha espaço para corrigir esses desmandos”.

O pedido de demissão, segundo ele, é uma maneira de protesto, mas não ficará apenas em palavras. Para ele, é impossível que um candidato da oposição seja eleito, pois o sistema está viciado.

“Escrevi um manifesto pela moralidade do futebol e nele eu explico como funciona esse sistema político que permite que as federações e a CBF continuem sem alteração. Os clubes pequenos não têm direitos, são preteridos em relação aos clubes grandes e vivem de esmola. Assim, os times, até mesmo os grandes, são submissos, coniventes, e para não perderem pequenos benefícios assinam sem pestanejar e a gente tem eleições fantasmagóricas, em que todo mundo aplaude e a eleição é por unanimidade”.

Ele explica que são 138 entidades com direito a voto e, no caso hipotético de alguém fazer oposição, nenhum clube vai assinar o pedido de candidatura, “sob pena de ser defenestrado politicamente nas decisões da Federação”. Para ele, tudo é feito para que quem está na situação permaneça, e as substituições só ocorrem por pessoas do grupo.

Orlando ainda exprime a opinião de que as federações estaduais não têm motivo de existência. “Fiquei um ano lá e posso dizer: as federações são intermediárias no mundo do futebol. Enquanto tem um monte de clube do interior agonizando em leito de UTI sem pagar salários de atletas, a Federação fica com o dinheiro, sem repassar, e quando repassa é atendendo a critérios políticos, assim o cofre das federações fica cada vez mais cheio e o dos clubes cada vez mais pobres”.