Depois de lua de mel, Bielsa já não encanta torcida do Olympique de Marselha

  • Por Agencia EFE
  • 03/03/2015 15h52
JOHANNESBURGO, ÁFRICA DO SUL, 28-06-2010: Futebol - Copa do Mundo, 2010: Brasil 3 x 0 Chile: o técnico argentino da seleção do Chile, Marcelo Bielsa, durante execução dos hinos antes do jogo entre Chile e Brasil pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2010, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo (África do Sul). (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress, 1483) Folhapress Desempregado desde que deixou o Olympique de Marselha

“Nós estávamos enfeitiçados”, diz um ouvinte à uma rádio francesa que tinha pedido aos torcedores do Olympique de Marselha opiniões sobre a continuidade do treinador argentino Marcelo Bielsa no comando do clube na próxima temporada.

O tom de voz desanimador mostra a decepção, um sentimento que parece ter se espalhado pelo estádio Velodrome, o mesmo que há pouco tempo aclamava o nome do “Louco” como um bruxo que tinha recuperado de forma mágica a esperança de uma das maiores torcidas da França.

A época dourada passou e agora os resultados esfriaram a arquibancada do Olympique, que acordou do feitiço de Bielsa.

Tudo isso dá sinais de que o técnico de Rosário não seguirá nas margens do Mediterrâneo na próxima temporada, embora, fiel a seu costume, o treinador não fala da situação.

Antes admirado por todos, Bielsa deixou de ser o técnico da moda na França. A empolgação com sua chegada e início de trabalho era tanta que chegou-se a especular que seus métodos iriam impregnar os trabalhos dos demais treinadores do país.

Até mesmo Zinedine Zidane se rendeu ao talento do argentino. Hoje técnico da equipe B do Real Madrid, o ídolo francês foi até o centro de treinamento de Marselha para acompanhar o trabalho de Bielsa. E não estava sozinho. Outros, como Claude Makelele, também visitaram o local para descobrir os segredos do “Louco”.

Sem grandes estrelas, o Olympique começou a temporada com uma sequência de oito vitórias consecutivas graças a um bom jogo coletivo, disparando na liderança do Campeonato Francês.

Foram dois meses mágicos nos quais Bielsa se transformou em um ícone. Sua imagem sentado à frente do banco de reservas em um cooler para seguir a equipe mais de perto era reproduzida constantemente nas arquibancadas do Velodrome.

Mas as derrotas para o Lyon e o Paris Saint-Germain, seus principais rivais, desregularam a equipe. Bielsa, que tinha conseguido impor um discurso unitário e monótono aos jogadores, viu a multiplicação de declarações polêmicas na imprensa. A cordialidade mantida até então desapareceu.

O principal desentendimento ocorreu com o atacante André-Pierre Gignac, artilheiro da equipe. Após ter dito que recuperou seu melhor nível graças aos métodos de Bielsa, ele agora critica o treinador, que não hesita em deixá-lo no banco, beneficiando o jovem belga Michy Batshuayi.

Desde então, as atuações do Olympique foram marcadas pela irregularidade, algo que influenciou também os resultados. A equipe não ganha desde o dia 31 de janeiro e, agora, está quatro pontos atrás do líder Lyon.

A imprensa francesa está convencida de que Bielsa não seguirá no cargo no ano que vem. E já especula os candidatos à sucessão, entre eles o espanhol Quique Sánchez Flores, que recentemente se demitiu do Getafe, e o italiano Claudio Ranieri, demitido ainda em 2014 do comando da seleção da Grécia.

Tudo aponta que Bielsa também não quer seguir no posto e, após a sequência de resultados ruins, a diretoria do clube também não deve colocar obstáculos à sua saída.

Desde o início da temporada, o treinador não deixou de criticar a falta de ambição do Olympique. Chegou, inclusive, a afirmar que o presidente, Vicent Labrune, não tinha cumprido a promessa de reforçar profundamente o elenco.

Apesar das queixas, Bielsa trabalhou de forma profissional e, durante meses, a equipe mostrou um futebol de qualidade, que a colocava como principal candidata ao título Francês.

“É como se tivessem espremido tanto a equipe na primeira parte da temporada que já não sobrou mais nada do suco”, prosseguiu o ouvinte e torcedor do Olympique que, sem excluir a responsabilidade dos jogadores, acredita que o treinador argentino não entendeu o futebol do país.