Diretor do Fluminense frisa que calendário apertado reduz vida útil do atleta

  • Por Jovem Pan
  • 17/11/2014 15h48
SÃO PAULO,SP,09.02.2014:BRASILEIRÃO/SÃO PAULO E FLAMENGO - Jogadores entram em campo com faixa do Bom Senso FC durante a partida entre São Paulo x Flamengo, válida pelo Campeonato Brasileiro 2013, no Estádio Novelli Júnior em Itu (SP), nesta quarta-feira (13). (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Folhapress)13 de novembro

Abrindo a série especial de reportagens dessa semana, sobre o calendário do futebol brasileiro, a Jovem Pan entrevistou o diretor executivo de futebol do Fluminense, Paulo Angioni, que deu ideias para a construção de uma agenda mais sensata para o esporte.

O dirigente não escondeu que a atual situação do calendário é delicada e frisou que isso só atrapalha a vida do atleta.

“Eu tenho algumas preocupações em relação a calendário. Do jeito que está, com competições acavaladas, a gente está incorrendo em um grande erro, que é encurtar a vida útil do atleta. Durante muitos anos, quando eu comecei no futebol, nos anos 80, o atleta de futebol era considerado velho aos 30 anos. É muito injusto para a vida de um profissional ter dez anos de utilidade. É muito pouco”, disse. “Alguns jogadores, com muito cuidado que tiveram com a saúde, alongaram isso para 35 anos. Hoje, começo a enxergar que, com o excesso de jogos, eles estão encurtando a vida do atleta para 30 anos. Haja vista que, quando uma equipe tem quatro ou cinco jogadores acima de 30 anos, é muito comum ouvir que formou um grupo de pessoas velhas. Isso é muito ruim”, prosseguiu.

Para Angioni, é necessário diminuir drasticamente a quantidade de jogos e, em sua opinião, 60 jogos por ano teria que ser o número máximo de partidas.

“O ideal é que a gente diminua a quantidade de jogos, que a gente entenda que o Campeonato Brasileiro é um dos maiores do mundo e que a gente tem que privilegiar e não fazer dele um mecanismo para se classificar para outra competição, que de repente tornou-se a mais importante do Brasil, que é a Libertadores”, observou. “Criar uma competição nacional e regional para dar oportunidade de emprego para profissionais, porque hoje o desemprego é muito grande, pois o calendário é ruim. As competições estaduais terminam e as equipes ficam ser fazer nada. Com isso, esses clubes menores, que sempre foram fontes de revelar jogadores e empregadores, têm um tempo útil muito pequeno de atividade. Tem que estimular o Campeonato Brasileiro, na Série A, na Série B, na Série C e na Série D, porque também é fonte empregadora e isso resulta em boa perspectiva futura de avanço técnico dos jogadores”, finalizou.