“Dói, dói, dói…”, diz Aranha após insultos racistas de torcedores

  • Por Jovem Pan
  • 29/08/2014 08h51

Goleiro não se abateu com os xingamentosAranha rebate insultos racistas e diz: “sou preto sim”

O goleiro Aranha não se abalou com os insultos racistas que recebeu na noite da última quinta-feira, na vitória por 2 a 0 do Santos contra o Grêmio, em Porto Alegre, pela Copa do Brasil. O camisa 1 citou a sua experiência e afirmou ter dito aos gremistas que o xingavam que era “preto e negão sim”. Ele ainda enfatizou que coisas assim doem muito.

“Vieram falar que eu estava insultando a torcida. Quando me chamaram de preto, de macaco, essas coisas, eu virei para eles, bati no braço e disse: “Sou preto, sim. Sou negão sim”. Se isso é insultar, eu não sei. Todo mundo que vem jogar aqui sabe. Não são todos, mas sempre tem alguns racistas aí no meio”, ressaltou o arqueiro.

O santista lembrou que a Arena do Grêmio foi palco de uma campanha contra o racismo na última temporada, no duelo entre as duas equipes. Aranha diz ter escutado sons que imitavam macacos e que a torcida fez rápido para que as câmeras não captassem.

“Da outra vez que viemos jogar aqui pela Copa do Brasil (no ano passado) tinha campanha contra racismo acontecendo. Não é à toa. Sei que torcida pegar no pé é normal, mas começaram a me chamar de ‘preto fedido’, a gritar ‘cambada de preto’. Fiquei nervoso, mas me segurei. Mas aí começou coro de macaco, eles imitando. Fizeram rapidinho, para não dar tempo de filmar. Fico nervoso com essas coisas. Dói, dói, dói”, explicou.

O arqueiro diz que coisas desse tipo são normais nos estádios, pois os fanáticos utilizam qualquer meio para desestabilizar os atletas adversários.

“Não me sinto impotente. Hoje, graças a muito esforço e luta, há leis. No futebol, o torcedor usa várias maneiras para desestabilizar o jogador. Mas sou cara com idade boa, experiente. Não vou deixar de jogar meu futebol por causa de manifestação de torcedor”, finalizou.