E se existisse o Prêmio Gordon Banks, o “Puskás” para a melhor defesa do ano?

  • Por Bruno Landi/Jovem Pan
  • 28/10/2016 12h16

Por que goleiros não têm os seus melhores lances reconhecidos pela Fifa?

Por que goleiros não têm os seus melhores lances reconhecidos pela Fifa?

Escândalos de corrupção, prisões, afastamentos, queda de presidente, investigações e mais investigações. Em pouco tempo, a Fifa perdeu toda a credibilidade que um dia já teve. Mas nem tudo o que a entidade fez nos últimos anos merece ser condenado. Vide o Prêmio Puskás…

A condecoração do gol mais bonito do ano, que teve a sua primeira edição realizada em 2009, tornou-se um verdadeiro sucesso em todas as partes do planeta. Primeiro, porque trata diretamente com o que há de mais popular no futebol: o gol. Depois, porque não distingue craques de perebas, timaços de sacos de pancada, arenas de pastos.

Se foi o Messi ou o Wendell Lira, pelo Barcelona ou pelo Goianésia, no Camp Nou ou no Serra Dourada… Não importa. O objeto de julgamento é o gol. Avalia-se apenas o valor estético de uma bola que cruza a linha de fundo – nem a rede precisa ser balançada, olha só que curioso.  

O prêmio é entregue ao autor, mas o vencedor é o lance. Premia-se o abstrato, algo que só existiu naquele instante e que nunca mais se repetirá. Trata-se, portanto, do reconhecimento do passado; da reverência à verdadeira essência do futebol; da valorização do efeito mais genuíno provocado pelo esporte mais praticado do planeta: o divertimento.

Mas não são só gols que divertem. Não são apenas bolas que cruzam linhas de fundo que emocionam, fazem rir, dão vontade de socar o ar. Dribles, desarmes, cruzamentos e até mesmo chutões para as arquibancadas podem ser capazes de entreter. Tanto quanto um gol? Não. Há, por um acaso, algum sentimento comparável com aquele produzido por um gol? Há. O ocasionado por uma grande defesa. 

Na frieza dos números, evitar que um time marque gols vale tanto quanto fazê-los. E, aqui, não se trata de um pensamento conservador. É pura matemática. Ou vai dizer que um 1 a 1 vale mais que um 0 a 0?  ignore, aqui, a esdrúxula regra dos gols qualificados em torneios de mata-mata.

E sim. É, sim, necessário apelar ao extremo didatismo para deixar claro que a intervenção de um goleiro deve ser tão reverenciada quanto o gol de um jogador de linha – ou até mesmo de um arqueiro, quem sabe. Os sujeitos que ficam 90 minutos debaixo das traves, imersos numa quase irrestrita solidão, pressionados a nunca falharem, também têm o seu valor.

E merecem, sim, ser valorizados.

Se um gol pode ser tão bonito a ponto de receber um prêmio, por que não se congratula, também, uma linda defesa? Fica, aqui, o pedido, Dona Fifa: espelhe-se no sucesso do Prêmio Puskas e promova, também, a eleição da defesa mais bonita do ano.  

Se estiver sem tempo para pensar em um homenageado, lembre-se do que fez um goleiro inglês na Copa do Mundo de 1970, diante de um atacante negro, vestido de amarelo, com um 10 nas costas – tal de Pelé.

Crie, para ontem, o Prêmio Gordon Banks. Os milhões de goleiros espalhados pelo mundo agradecem. Eles também são gente.

Abaixo, veja dez defesas que poderiam concorrer ao Prêmio Gordon Banks de 2016:

1 – Franco Armani (Atlético Nacional) x Rosário Central

2 – Hugo Lloris (Tottenham) x Bayer Leverkusen

3 – Joe Hart (Inglaterra) x Eslovênia

4 – Gianluigi Buffon (Juventus) x Milan

5 – Igor Akinfeev (Rússia) x Inglaterra

6 – Jan Oblak (Atlético de Madrid) x Tottenham

7 – David De Gea (Manchester United) x Liverpool

8 – Sebastián Torrico (San Lorenzo) x Huracán

9 – Rui Patrício (Portugal) x França

10 – Jeff Bedenik (Vannes OC) x Rennes TA