Elitista, superficial e inexistente: sindicato dos atletas detona Bom Senso

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2016 18h40

Ex-goleiro do PalmeirasEx-goleiro do Palmeiras

Em entrevista exclusiva a Daniel Lian para o Plantão de Domingo, da Rádio Jovem Pan, o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp) disparou diversas críticas ao Bom Senso FC. Goleiro do Palmeiras na década de 80, Rinaldo José Martorelli acusou o movimento de ser elitista e superficial. Além disto, afirmou que o Bom Senso tem propostas tão vazias, que, hoje, sequer consegue ser atuante. 

“O Bom Senso não atua mais. Ele chegou com propostas acadêmicas, mas que nem sempre conseguem sair do campo teórico para o prático. Fez muito barulho, eu tentei uma aproximação, não consegui… Hoje, é um movimento que não existe mais. Os atletas perceberam quais eram os interesses que estavam por trás daquilo, insinuou Martorelli. 

De acordo com o presidente do Sapesp, as propostas do grupo são rasas e elitistas. Para Martorellio Bom Senso leva em consideração apenas o interesse dos grandes clubes do futebol brasileiro – que têm calendário durante toda a temporada – e se esquece dos times de menor porte. 

Chegar num País como o nosso e querer acabar com o interiorcom os campeonatos regionais, é um discurso elitista, quagrada muito aos torcedores dos clubes grandes, mas acaba com o futebol“, detonou. A gente, na verdade, precisa resgatar o futebol do interior e entender a importância dele para o Brasil. Não é só chegar com uma fórmula pronta, que vai satisfazer 40 clubes, e se esquecer de que há quase mil times no País”, acrescentou.

Criado em setembro de 2013, o Bom Senso FC defende que, nos moldes atuais, os campeonatos estaduais são inviáveis. O movimento de jogadores pede a reformulação destas competições. No entendimento do Bom Senso, elas deveriam ser realizadas no mesmo formato das Copas do Mundo: com 32 clubes divididos em oito grupos. Assim, os torneios regionais ocupariam somente oito datas do tão criticado calendário nacional. 

Para evitar o maciço desemprego dos jogadores de clubes pequenos após os Estaduais, o Bom Senso sugere a criação de mais divisões no Campeonato Brasileiro. 

Segundo o presidente da Sapesp, contudo, estas propostas não se sustentam. No caso dos clubes grandes, que reclamam do excesso de datas, Martorelli defende a estruturação das agremiações. Elas teriam de, independentemente do número de jogos disputados em uma temporada, garantir a preservação do tempo de descanso aos atletas – seja fazendo mais contratações, seja dando mais oportunidades aos jovens da base.

Já para os times modestos, que sofrem com a escassez de partidas durante o ano, o ex-goleiro pede a reestruturação mínima das instituições e a criação de torneios que entrelacem pequenas e grandes competições – a fim de “encher” o calendário.

Por discordar das propostas do Bom Senso, Martorelli não se satisfez nem com a maior visibilidade que o grupo deu às questões referentes à má organização do futebol brasileiroEles tinham que chamar a atenção, mas com uma pauta robusta e que pudesse ser executada. Não foi isso o que aconteceu”, afirmou, antes de encerrar com uma provocação metafórica: “discutir e levantar bandeira em prol da melhoria da saúde no Brasil é muito fácil, mas discutir e mostrar, efetivamente, quais são os caminhos possíveis, é diferente. Este é o problema“.