Em jogo da redenção de J. César, Brasil bate Chile nos pênaltis e se classifica

  • Por Jovem Pan
  • 28/06/2014 15h56
David Luiz comemora muito seu golConfira todas as emoções de Brasil x Chile pelas oitavas de final

Em dificílimo jogo contra a seleção chilena, o Brasil conseguiu vencer no sufoco, apenas nos pênaltis, e se classificou para as quartas de final da Copa do Mundo. Agora a Canarinho enfrenta outra seleção sul-americana pelas quartas de final: a Colômbia, que bateu o Uruguai, no Maracanã.

O jogo foi duro desde o começo. Mas o Brasil parecia que estava em seu dia de sorte quando conseguiu abrir o placar antes dos 20 minutos de jogo em desvio de David Luiz após cruzamento de escanteio. Porém o Chile se aproveitou de grande falha de Hulk na zaga, curiosamente um dos melhores em campo no ataque, para empatar o jogo com Alexis Sánchez.

O Brasil continuava a criar as melhores oportunidades, mas tinha dificuldade no último passe e o adversário era sempre atento nas falhas brasileiras para tentar surpreender novamente. Falhas que, quanto mais se aproximava o final do jogo, mais ficavam evidentes, dados o desespero e ansiedade que tomavam conta da Seleção quanto mais próximo ficava o fim dos 90 minutos.

Nos 30 minutos de prorrogação, muito mais coração do que futebol. Hulk exigiu grande defesa de Bravo, o goleiro chileno que fez grandíssima partida. O Chile ainda interompeu a respiração de milhões de brasileiros em chute de Pinilla no travessão no último minuto.

Mas o jogo teve que ser decidido nos pênaltis. E nas mãos de Júlio César. Estava escrito.

O jogo

O jogo começou duro, truncado. Em sua primeira jogada, logo no terceiro minuto do jogo, Fernandinho chegou forte no chileno Aránguiz, mostrando disposição até demais por ter assumido a titularidade no lugar de Paulinho, e quase levou o amarelo. Um minuto depois, dura falta chilena em Neymar, feita pelo próprio Aránguiz deixou o craque brasileiro sentindo dor na perna esquerda pelo restante da partida.

Com cinco minutos, o primeiro lance de perigo. Marcelo aproveitou bola rebatida após escanteio, cortou bonito para a perna esquerda e chutou forte, com perigo à direita do gol de Claudio Bravo.

Alexis Sánchez, atacante do Barcelona e uma das principais opções chilenas, apareceu somento no décimo minuto, entrando na área até a linha de fundo pela direita e cruzando com perigo, mas para saída segura de Júlio César.

O jogo era tenso, bastante disputado. E partidas assim não demoram a ter lances polêmicos. Aos 12 minutos pênalti Hulk, que vinha jogando bem pela esquerda, fez ótima tabela com Neymar e, dentro da área, caiu pedindo pênalti, mas o juiz não viu infração na disputa.

Finalmente, Neymar, que vinha sofrendo com a forte marcação chilena, chamou o jogo e deu uma de suas típicas e belas arrancadas desde a intermediária. Com 15 minutos, porém, faltou confiança na perna esquerda e Neymar segurou a bola, dando mais um drible para o meio e atrasando a jogada. Na seguida, o Brasil perdeu a bola.

E, se um jogo difícil pede um xerife, quanto mais os dois capitães da zaga brasileira para tirar o zero do placar e desafogar o jogo. E, com o desvio de cabeçada de Thiago Silva em escanteio de Neymar mais o desvio de coxa esquerda para o gol de David Luiz, O Brasil fez o primeiro gol. A imagem deixava em dúvida se foi o zagueiro brasileiro ou o chileno Jara quem empurrou a bola para o gol, mas a comemoração efusiva e o choro de David atestaram o tento ao xerifão da Seleção.

Com o gol, parecia que Chile trocaria os pés pelas mãos. O lateral esquerdo Mena, no lance seguinte, colocou a mão na bola e levou o amarelo. O jogo esfriou e o Brasil pretendia administrar o placar jogando do jeito que mais gosta, no contra-ataque. A Seleção recuou tanto, que o próprio Neymar desarmou Alexis Sánchez no campo de defesa, fora da área chilena. Praticamente no lance seguinte, ao 25 minutos, Neymar chutou mal de esquerda para fora após arrancada com extraordinária velocidade.

A partida começou a ter muitas faltas, como a sofrida por Neymar aos 28 minutos, que paralisou o jogo por um minuto ao cair de grande altura após dividida com Vidal.

O Chile então reencontrou as esperanças em grande erro brasileiro aos 31 minutos. Marcelo cobrou lateral na defesa para Hulk e o atacante devolveu muito fraco, para a esperteza de Vargas, que roubou a bola e cruzou rápido na área para Sánchez. O atacante do Barcelona não perdoou. 1 a 1.

O Brasil tentou reagir logo aos 34 minutos, quando Neymar fez boa tabela com Oscar e deu de cabeça, mas a bola desviou e passou com muito perigo rente à trave esquerda de Bravo.

Aos 38, Neymar recebeu lindo lançamento cruzado de Oscar e saiu na cara do gol, mas preferiu tentar mais um drible para o meio, mostrando novamente desconfiança na perna esquerda. A bola ainda sobrou pingando para Fred, que tentou completar de esquerda, só que a bola subiu demais e foi para fora.

Aos 42, novamente quase o segundo do Brasil, em forte e inesperado chute de muito longe de Daniel Alves, que obrigou o arqueiro chileno a se esticar todo e espalmar para fora de mão trocada. Bravo!

Mas, aos 45, o Chile mostrou que também não se satisfaria com o empate. Em outra falha clamorosa da defesa brasileira, dessa vez do quase sempre seguro Luiz Gustavo, quase o segundo gol chileno. Mais dois escanteios seguidos ainda conseguiram assustar os brasileiros no final do primeiro tempo.

Segundo tempo

Aos três minutos, Neymar deixou passar para Fernandinho e o volante brasileiro arriscou de fora da área, fazendo a bola passar com perigo, à direita do gol. Aos 7 minutos, mais um belo contra-ataque puxado por Neymar, mas de novo o camisa 10 demorou demais para soltar a bola e acabou desarmado.

E Hulk ainda queria se redimir. Aos 9, o atacante de físico avantajado apareceu muito bem posicionado na área, matou a bola meio com o ombro, meio com o braço e chutou de canela, de esquerda, no canto de Bravo para fazer o gol. Mas o juiz inglês Howard Webb viu o domínio irregular e anulou a jogada. A ansiedade duraria mais tempo no Mineirão.

Com 14 minutos, o Brasil teve mais uma grande perda. Luiz Gustavo deu carrinho em Díaz e levou o seu segundo cartão amarelo na Copa, ficando fora do próximo jogo do Brasil. Se a Seleção continuasse no torneio…

E a prova de que o jogo ainda estava longe da definição veio aos 19 minutos. Quando o time parecia apático, Júlio César salvou o Brasil em defesa espetacular de chute à queima roupa de Aránguiz, após linda jogada de ultrapassagem e linha de fundo de Vidal e Isla.

Aos 28 minutos, Hulk fez boa arrancada pela esquerda e cruzou com capricho para Jô, que não conseguiu completar para o gol devido a desvio providencial de Mena. O Brasil começava a se aproximar do gol, mas o jogo também começava a se aproximar do fim e a ansiedade e o desespero passaram a bater à porta.

Aos 35, um bom cruzamento de longe para Neymar, que aparecia no meio da área para cabecear, mas Bravo segurou em dois tempos.

O tempo passava e a inquietação tomou conta do time. As entradas de Jô e Ramires não surtiram o efeito desejado de Felipão.

Quem distoava era Hulk, que continuava jogando bem e se esforçando para corrigir a desastrosa falha no gol do Chile. Em linda arrancada pelo meio, Hulk entrou na área e chutou forte de pé direito, seu mais fraco, para mais uma grande defesa de Bravo.

Daí até o final dos 90 minutos, a ansiedade e o desespero abateram o futebol da Seleção, que abriu espaço para o contra-ataque do Chile. “La Roja” poderia até ter definido a partida, se lhe sobrasse tranquilidade ao rondar a área brasileira. David Luiz e Thiago Silva afastavam do jeito que podiam, mas as emoções estavam prontas para se prolongar até os 30 minutos de prorrogação.

A torcida, que parecia refletir a ansiedade dos jogadores, viu que precisava empurrar os jogadores para um gás novo e cantou muito, principalente “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, no largo intervalo de tempo que o árbitro inglês deu antes da meia hora final. Júlio César, que não teve culpa no gol e fez grande defesa durante o jogo, também pediu o apoio das arquibancadas, como se quisesse muito se redimir da marca adquirida em 2010, quando o Brasil foi eliminado em falha sua contra a Holanda.

Prorrogação

O Brasil começou nervoso, sem conseguir criar muito, enquanto o Chile recuava e marcava muito no meio para segurar o resultado. Os dois times misturavam paradoxalmente ansiedade e cautela, pois não queriam dar nos pés dos rivais a bola do gol da vitória.

Aos 12 minutos, novamente ele. Na melhor chance do primeiro tempo da prorrogação, Hulk cortou para o meio e de longe chutou forte. Mas este parecia ser o dia de Claudio Bravo, que espalmou mais uma vez o sonho brasileiro do segundo gol. Sanchéz ainda ameaçou a meta brasileira em chute de falta no último lance, mas a bola foi para fora.

Nos 15 minutos finais antes dos pênaltis tão temidos para os brasileiros, o Chile já começava a fazer a tradicional catimba sul-americana tentando fazer o relógio correr com o placar empatado.

Willian entrou no lugar de Oscar para tentar dar mais movimentação no ataque, mas o jogo era muito mais emoção do que qualquer coisa, e as jogadas não encaixavam frente à forte marcação chilena.

A dramaticidade tomava seu ápice quando a torcida começou a cantar “Eu acredito, eu acredito!”, mostrando que um jogo que no começo poderia parecer fácil para alguns só se decidiria nos detalhes e no coração.

A saúde cardíaca tupiniquim foi novamente testada no penúltimo minuto da prorrogação, quando Pinilla abriu pelo meio e chutou forte, com a convicção dos vitoriosos. No segundo em que todo brasileiro prendeu a respiração, a bola caprichosamente explodiu no travessão.

Em  seguida, o Brasil quase fez o gol da vitória com Ramires, que chutou de fora da área, mas a bola passou muito perto da trave direita de Bravo. E a decisão foi para os pênaltis.

Pênaltis

Davis Luiz converteu o seu, deslocando Bravo. Pinilla chutou muito mal, no meio e Júlio César, mesmo adiantando três pequenos passos, defendeu no meio, deixando o Brasil na frente.

Só que logo em seguida Willian chutou para fora e deu a chance para o Chile empatar. Mas Júlio César queria muito sua redenção e fez a segunda defesa seguida nos pênaltis em chute no canto de Aléxis Sánchez.

Masrcelo e Aránguiz fizeram os seus, mas Hulk novamente errou, chutou no meio e Bravo defendeu para torná-lo vilão mais uma vez. Díaz fez para o Chile e a bola caiu nos pés de quem sempre se esperou a responsabilidade: Neymar, que não desperdiçou, mantendo o Brasil na frente: 3 a 2.

O último pênalti de Jara explodiu na trave e o Mineirão explodiu em um misto de êxtase e alívio com a classificação brasileira.