Ensaio “trágico” e papo de última hora: os bastidores dos anéis que comoveram

  • Por Jovem Pan
  • 11/08/2016 18h15

Anéis olímpicos se formaram a partir das sementes depositadas pela delegação de cada país participante dos Jogos

Anéis olímpicos se formaram a partir das sementes depositadas pela delegação de cada país participante dos Jogos

Já faz uma semana que os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começaram, mas a espetacular cerimônia de abertura realizada no Maracanã, na última sexta-feira, insiste em habitar a mente das bilhões de pessoas que acompanharam o espetáculo – seja do estádio, seja pela TV. 

Um dos momentos mais marcantes da festa foi a revelação dos anéis olímpicos, que se formaram a partir das sementes depositadas pela delegação de cada país participante dos Jogos. Verdes, eles emocionaram o planeta e passaram uma forte mensagem ecológica aos espectadores. 

O momento foi lindo, é verdade, mas deu muita dor de cabeça ao comitê organizador da Rio-2016. Uma semana depois da cerimônia de abertura, o engenheiro responsável pela formação dos aros olímpicos falou com exclusividade com o repórter Fredy Junior, da Rádio Jovem Pan, e revelou que, ao longo dos meses, muitos problemas se acumularam nos ensaios da principal parte do espetáculo – a entrevista, na íntegra, vai ao ar no próximo Domingo Esporte. 

“Aquelas árvores que formaram os anéis olímpicos eram de papel. Então, nos ensaios, quando elas saíam e voltavam às caixas, havia um desgaste muito grande desses papéis. Foi muito complicado ter de trocá-los o tempo todo, arrumar, pintar… Durante dois meses, trabalhamos na melhoria dessas árvores quase que diariamente. Foi muito exaustivo“, afirmou Alexandre Nogueira. 

“Nos ensaios, havia uma preocupação muito grande se, na cerimônia, os bailarinos conseguiriam abrir essas caixas corretamente, porque não dependia só da mecânica, mas também da sincronia deles. Eles tinham que abrir as caixas ao mesmo tempo e de maneira idêntica. Um arco não poderia aparecer depois do outro. Isso foi um desafio. Só depois de muitos e muitos ensaios é que foi dar certo“, acrescentou. 

As incertezas sobre o sucesso da ideia desenvolvida pelo cineasta Fernando Meirelles persistiram até horas antes da cerimônia de abertura. Segundo Alexandre, o último ensaio da formação dos anéis olímpicos, 48 horas antes do evento, foi “trágico” – o que motivou uma conversa extra entre engenheiros e bailarinos na própria sexta-feira, dia do espetáculo no Maracanã. 

“No último ensaio, na quarta-feira, três caixas não se abriram… Aí, teve alguns buracos na formação dos anéisOs bailarinos ainda estavam com dificuldades de entender o funcionamento das caixas. Então, no dia da cerimônia de abertura, nós tivemos de conversar de novo com eles para explicar exatamente como que o sistema funcionava”, revelou o engenheiro. 

O resultado final foi espetacular e, por que não, surpreendente. Os anéis olímpicos foram formados perfeitamente, e a mensagem ecológica idealizada por Fernando Meirelles chegou a quase 3 bilhões de pessoas por meio do símbolo que representa a união dos continentes. “Os bailarinos entenderam, e, no calor da emoção, deu tudo certo. Todas as caixas se abriram e todos os arcos se formaram. Foi lindo”, comemorou Alexandre Nogueira, ainda anestesiado com a excelente repercussão do espetáculo carioca.