Enxerto de cadáver, bebida alcoólica, prisão: a história de superação de Breno

  • Por Jovem Pan
  • 05/06/2016 14h32

Breno espera viver dias melhores no São Paulo

Breno no São Paulo

Breno despontou no futebol em 2007, quando foi eleito jogador revelação do Campeonato Brasileiro conquistado pelo São Paulo naquele ano. Pouco depois, fechou contrato com o Bayern de Munique. O jovem zagueiro caminhava a passos largos para ser um dos principais nomes do futebol mundial, mas não foi assim que a história aconteceu.

Sem chances no clube alemão, Breno jogou pouco, sofreu com repetidas lesões e viu sua vida entrar em parafuso ao ser condenado a três anos de prisão por um incêndio criminoso em sua residência. Ainda assim, sempre conseguiu manter um olhar positivo e ter a certeza de que iria prosperar novamente.

Agora com 26 anos, o zagueiro admite que chegou a cogitar que sua forma física – comprometida por lesões graves – não o permitiria ser jogador do São Paulo. Em entrevista exclusiva a Márcio Spimpolo, da Jovem Pan, no entanto, ele revelou que o último procedimento cirúrgico deve deixá-lo “zerado”.

Os problemas com o joelho começaram em 2010, ainda como jogador do Bayern, quando passou por intervenção que colocou um enxerto de cadáver. Seu organismo, então, rejeitou o corpo estranho: “quando jogava, inchava”. A frustração com repetidas tentativas de recuperação em vão veio com um desabafo.

“Cheguei no médico depois que parei esse ano, já que tentava, tentava e nada de ficar bom. Falei a verdade: se disser que meu joelho vai ser isso hoje, eu não sou jogador para o nível do São Paulo”, contou. No entanto, ao mencionar o enxerto, a solução veio com outra cirurgia, da qual já está se recuperando.

“Essa cirurgia é um processo mais lento, mas poderei voltar 100%. Isso me deixou mais motivado. Colocou do meu tendão mesmo desta vez, daqui seis meses estarei zerado”.

A rotina de recuperação, com três períodos diários no São Paulo, não o incomoda. Ainda mais quando se leva em conta o tempo que ficou parado sem poder treinar quando esteve detido. Ele admite que a prisão contribuiu para as lesões: “atrapalhou bastante. Estava com duas cirurgias, se não ficar fazendo manutenção, tudo atrapalha. Falo muito que quando entrei procurei tirar as coisas boas, dar mais valor à vida, aprendi o idioma”.

O seu tempo no cárcere não é algo que esconda, pelo contrário. “Fui preso e paguei pelo o que cometi”, diz. E agradece por não ter tido um desfecho pior: “por um pouco o álcool não acaba com a minha vida, graças a Deus que me tirou dentro daquela casa”.

Ressentimento com o Bayern

Breno se preocupa em não criticar o ex-clube, mas afirma que poderia ter sido tratado com mais carinho. “Difícil falar agora se passar por bonzinho, mas bastante coisa aconteceu. Sentei com eles, assim que começou o processo terminou meu contrato, para renovar um ano sem me pagar. Se eu tivesse contrato, a chance de eu ser preso era mínima, mas não aceitaram”, revelou.

São Paulo

Se não teve o apoio do time da Alemanha, o mesmo não pode ser dito do São Paulo. O zagueiro destaca que deve ao clube o fato de não ter pensado em desistir do futebol: “nenhum momento passou pela minha cabeça, São Paulo sempre me ajudou”.

Ele ainda cita o ex-diretor de futebol Adalberto Baptista: “ele me ajudou muito até na questão da volta. Fechamos por boca um contrato e quando aconteceu esses problemas [na justiça], foi o primeiro que foi atrás de auxiliar minha esposa”. Olhando para o passado, ele crê que deveria ter permanecido no clube: “se desse para voltar atrás, não sairia do São Paulo”.

Hoje de volta e confiante em sua plena recuperação no Tricolor, Breno afirma ver os bastidores do clube com um clima diferente desde a chegada de Bauza. “O ambiente está bem diferente. Ele tem todos os méritos”, conta. E mais: acredita, sim, que o São Paulo vem forte para disputar o título da Libertadores.