Ex-astro do rugby sul-africano exalta valor do esporte na luta contra racismo

  • Por André Ranieri/Jovem Pan
  • 13/10/2014 18h13

Ex-integrante da seleção sul-africana de rugbyChester Williams

Único jogador negro a fazer parte da seleção da África do Sul que foi campeã mundial de rugby em 1995, Chester Williams está de visita marcada ao Brasil. A convite de Beukes Cremer, sul-africano que defende a Seleção Brasileira da modalidade, o ex-jogador vira a São Paulo para dar palestras sobre sua experiência no esporte e também com Nelson Mandela, grande líder da luta contra o Apartheid.

Em entrevista exclusiva concedida à Jovem Pan, Williams falou sobre sua vinda ao território brasileiro.

“Minha vinda ao Brasil é graças ao Beukes Cremer, jogador de rugby da Seleção Brasileira, que me convidou a ministrar palestras sobre a minha história e experiência de vida. E, é claro, as Olimpíadas estão aí e eu estou muito feliz pelo meu esporte ter voltado para a competição. Será ótimo ajudar os jogadores e fazer parte deste projeto no Brasil”, disse.

O emblemático ex-atleta também comentou sua relação com Nelson Mandela e contou um pouco da experiência com a seleção sul-africana, em 1995.

“Eu tive uma ótima relação com Nelson Mandela. Nós almoçávamos e jantávamos juntos com frequência. Era sempre muito interessante conversar sobre seus sonhos e objetivos para a África do Sul. Para mim, ele representa, acima de tudo, honestidade e confiança. Ele é um ícone para o mundo”, elogiou. “A vitória de 1995 foi uma ótima experiência e uma boa oportunidade para unir o país como um todo, pois, afinal, essa era a forma que Nelson Mandela usava para unir a população e foi isso que, de fato, aconteceu. Foi desta forma que a ‘Rainbow Nation’ nasceu, através do rugby e do esporte na África do Sul”, prosseguiu, destacando o termo que se refere ao período pós-Apartheid, um marco na história do país africano.

Chester Williams rasgou elogios ao filme Invictus, que proporcionou a muitos o primeiro contato com a história magnífica da seleção sul-africana de rugby e sua importância para unir o país.

“O filme Invictus mostrou bem o que aconteceu antes e depois da Copa do Mundo de Rugby. Foi incrível fazer parte do set de filmagem. Morgan Freeman, Clint Eastwood e Matt Damon tiveram um papel importante no filme, fazendo com que virasse o sucesso que foi. O que passamos não foi fácil e acho que eles conseguiram transmitir o recado da melhor forma possível. Esse filme mostra quão linda e pacífica é a África do Sul e isso é algo que o mundo precisa ver”, observou.

O ex-jogador afirmou que o Brasil tem chance de se desenvolver na modalidade: “será primeira vez que visito o Brasil e estou animado para saber como funciona o esporte no país. Claro que eu sei que o futebol é a febre do brasileiro, a gente escuta isso o tempo todo, mas quero focar no rugby, que ainda é pequeno. E, sim, o Brasil tem muito potencial para crescer no rugby. Eu acho que isso é uma questão de querer. Também acho que é importante ter técnicos e jogadores de qualidade para que o esporte se desenvolva da melhor forma possível. Meu objetivo é poder ajudar o rugby brasileiro da melhor maneira que eu puder”.

Por fim, ao ser perguntado sobre os casos de racismo no futebol, entre eles o que envolveu o goleiro Aranha, do Santos,, que acabou sendo hostilizado pelo torcida do Grêmio, Chester Williams apontou que o esporte é uma grande forma de união.

“O esporte é um ótimo meio de superar o racismo. Acho que o Brasil poderia utilizar alguns exemplos da África do Sul, como, por exemplo, o Rainbow Team, que uniu diversas raças. O esporte é, definitivamente, a melhor forma de unir países. Quando existe um time, não existe diferenças e, sim, uma união em busca de um mesmo ideal. Acho isso um ponto importante para a união de um país”, finalizou.

A chegada de Chester Williams está marcada para o dia 18 de outubro. No dia 27, ele fará uma palestra sobre sua trajetória e sobre o contato com Nelson Mandela. Intitulada ‘Blood, Sweat and Tears’, a apresentação do ex-jogador da seleção sul-africana será no Quality Moema Atlantica Hotels, no bairro de Moema, em São Paulo (SP).