Ex-Real Madrid, Cicinho elogia Danilo e destaca: “hoje, não sairia do São Paulo”

  • Por Lucas Reis/Jovem Pan
  • 15/07/2015 09h38
Montagem/Reprodução Com passagens por São Paulo

O lateral Cicinho ganhou destaque nacional e internacional jogando pelo São Paulo. No Morumbi, o paulista de Pradópolis conquistou Campeonato Paulista, Libertadores da América e Mundial de Clubes em 2005 e chegou a Seleção Brasileira. Do Morumbi, Cicinho foi para o Real Madrid e, no time dos “galácticos”, a carreira do lateral não despontou como esperado.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan Online, Cicinho, hoje no Sivasspor, da Turquia, afirmou que saiu muito cedo do Brasil e que, se fosse hoje, não deixaria o São Paulo. O lateral ainda orientou o companheiro de posição, Danilo, que chegou ao Real Madrid no último dia 09 de julho, comparou o momento atual do clube espanhol com a época em que chegou ao Santiago Bernabéu, e ainda comentou a amizade com o ex-lateral esquerdo, Roberto Carlos.

Passagem pelo Real Madrid

Cicinho chegou ao Real Madrid em 2006 para jogar no time, na época comandado por Luxemburgo, chamado de “galácticos”. Na Espanha, o lateral admite ter tido dificuldades, mas se mostra orgulhoso pelo time merengue.

“Eu fui bem sucedido no Real Madrid, fiquei praticamente dois anos. Na primeira temporada fui vice-campeão espanhol e na segunda temporada fui campeão com o Capello. Foi uma excelente passagem. Teve a contusão, problema no ligamento do joelho, mas me recuperei, voltei a jogar e fui campeão. Fiquei muito feliz com a ida para o Real Madrid, hoje posso contar para o meu filho que fiz parte daquela equipe chamada de Galácticos”, conta o lateral.

“Era uma época diferente onde os espanhóis tinham muita força. Os estrangeiros tinham problemas com o Raul, com o Gutti, com o Michel Salgado. E isso afetava muito o time dentro de campo, ganhávamos porque tinha Zidane, Beckham, Ronaldo, Roberto Carlos, caras que, quando jogavam, os adversários ficavam intimidados”, recorda.

Jogador de sucesso na Turquia, Cicinho comenta a chegada do brasileiro recém-contratado pelo time de Madrid, o também lateral Danilo, e vê um momento mais tranquilo no clube do Santiago Bernabéu.

“Hoje a gente vê que há treinador que pode comandar a equipe. Na minha época não tinha. Depois da chegada do Capello é que mudou um pouco. Depois que o Luxemburgo saiu quem entrou foi o Lopes Caro e ele não tinha muito comando. Hoje o treinador fala muito alto no Real Madrid. Então creio que o Danilo não vai encontrar problema. É só ter humildade e concentrar. Ele está em um clube que, com certeza, vai ganhar títulos, tem que jogar o que sabe e mostrar o futebol dele que estamos vendo na Seleção Brasileira”, comenta o jogador que na Espanha ainda defendeu o Villarreal.  

Saída para a Europa e arrependimento por deixar o Tricolor

Depois de duas ótimas temporadas no São Paulo, Cicinho apareceu como um dos grandes laterais do país e parecia ser o substituto ideal para Cafu, já em final de carreira, na Seleção Brasileira. A sequência pós-São Paulo não foi como esperado e o ala admite que lhe faltou profissionalismo para seguir carreira principalmente na Seleção.

“Acabei me iludindo. Por jogar no Real Madrid e disputar uma Copa do Mundo, eu achei que não tinha mais objetivos na carreira. Foi onde pequei. Meu maior erro foi a falta de profissionalismo, falta de humildade em reconhecer que não tinha ganhado nada”, recorda Cicinho.

“Se fosse hoje, por exemplo, com a mentalidade que tenho e o salário que tinha no São Paulo, dificilmente sairia para ir ao Real Madrid. Eu já estava no São Paulo, já estava indo para a Seleção Brasileira. Naquela época, claro, agradeço a Deus por ter ido ao Real Madrid, mas creio que fui muito cru. Tinha jogado somente dois anos. Se tivesse continuado dois anos mais, eu estaria muito mais experiente e estruturado”, completa o jogador.

Amizade com Roberto Carlos

Um dos responsáveis por levar Cicinho ao Real Madrid foi o lateral Roberto Carlos. Tempos mais tarde, como treinador, Roberto fez questão de contar com o amigo no Sivasspor, da Turquia. Agradecido por tudo que o ex-lateral esquerdo fez em sua carreira, Cicinho elogiou o ex-companheiro e treinador, e destacou o lado divertido do ex-camisa 6 do Brasil.

“Jogar com o Roberto foi uma experiência fantástica. Quando ele começou, a jogar todos nós o admirávamos. E depois, estava na Seleção Brasileira treinando contra ele, eu na reserva e ele no titular. Toda hora, você tem aquele contato e fala: ‘eu torcia pra esse cara e hoje estou jogando com ele’. No Real Madrid, a mesma coisa, foi uma das pessoas que mais me deu força. Foi quem conversou com o Luxemburgo para me levar para o Real Madrid, quando estávamos na Seleção ele ficou sabendo que o Manchester queria me contratar e perguntou se eu queria ir para o Real. Ligou para o Luxemburgo na hora e eu acabei indo”, recorda.

“O bacana do Roberto é que ele manteve a mesma pessoa: como jogador era um cara divertido e como treinador continua divertido, ensinando muito, mostrando o que fazer para ser vitorioso”, completa o jogador que já tem mais de 70 partidas no Sivasspor.

Volta ao Brasil

Na Turquia desde 2013, Cicinho, hoje com 35 anos, foi eleito em duas temporadas consecutivas o melhor lateral do campeonato local. Bem no Sivasspor, o lateral finaliza destacando que, pelo menos por enquanto, não pensa em retornar ao futebol brasileiro, onde já defendeu, além do São Paulo, o Atlético Mineiro, o Botafogo, o Sport e o Botafogo de Ribeirão Preto.

“O futuro a Deus pertence. Eu ainda não sei. No momento estou tranquilo para permanecer na Europa e não tenho vontade de voltar ao Brasil por agora, não”, finaliza o jogador.