Falcão vê futebol brasileiro abaixo do europeu: “somos arrogantes”

  • Por Jovem Pan
  • 01/12/2014 16h45
Ex-craque

Uma das grandes preocupações em relação ao futuro do futebol brasileiro diz respeito às categorias de base que, com raras exceções, não andam revelando grandes talentos para o esporte nacional nos últimos anos. Assim, no 1º Fórum Brasil de Treinadores, realizado na cidade de Itu, no interior de São Paulo, Paulo Roberto Falcão falou sobre o tema.

Para o ex-jogador e atual treinador, é preciso reconhecer que o futebol no Brasil está abaixo atualmente do europeu.

“Sim, evidentemente que sim. Essa é uma tecla na qual eu bato há bastante tempo. Nosso povo é um povo que luta, que trabalha, e que nos engrandece, e mesmo assim somos um povo muito humilde. E eu digo que só não temos humildade no futebol. Somos arrogantes, prepotentes, entendemos que jogamos ainda o melhor futebol do mundo. Não jogamos faz tempo isso”, disse. “Me parece que, agora, as pessoas estão se dando conta que temos que olhar para o futebol europeu. Não precisa imitar tudo, mas saber o que eles estão fazendo. Até para não fazer, se for o caso. Temos que nos preocupar demais com a nossa base, temos que ter cuidado. O cuidado é simples: tem que priorizar o garoto que sabe jogar futebol, que tem técnica, qualidade, fundamento. Não é para priorizar aquele jogador que tem mais marcação, que também é importante, mas em um primeiro momento você tem que preparar o jogador para o time de cima”, prosseguiu.

Para Falcão, o trabalho nas categorias de base tem que ser levado mais a sério. “Quando você prepara jogadores para o time de cima, você tem que ter a preocupação na escolha dos profissionais que vão trabalhar. Tem que ser pessoas que tenham respaldo da diretoria. Eles não estão lá para conquistar títulos, não é esse o objetivo. Ele pode conquistar um título e não revelar ninguém para o time de cima, assim o trabalho seria pela metade. Para revelar, não pode pensar no hoje. Tem que pensar quais daqueles jogadores serão úteis daqui cinco, seis, sete, oito anos. Tem que sempre priorizar a qualidade”, finalizou.