Fifa bane dirigente sul-africano investigado por manipulação de amistosos em 2010

  • Por Agência Estado
  • 14/10/2015 10h53
Ex-vice-presidentes da Conmebol

A Fifa anunciou nesta quarta-feira (14) o banimento de um importante dirigente de futebol sul-africano, pelo período de seis anos, como resultado de uma investigação relacionada a amistosos cujos resultados teriam sido manipulados antes da Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul.

Trata-se de Lindile Kika, que na época era líder das seleções nacionais da Associação Sul-Africana de Futebol (Safa, na sigla em inglês) e que agora foi banido de qualquer atividade relacionada ao futebol.

O juiz da Fifa Hans-Joachim Eckert considerou que Kika violou cinco itens do códigos de ética da entidade: regras gerais de conduta, comissão, conflito de interesse bem como lealdade, dever de informação, cooperação e comunicação. O Comitê de Ética da Fifa, porém, não especificou nesta quarta, por meio de comunicado, que delitos o dirigente sul-africano cometeu.

Kika estava entre os dirigentes da Safa que pediram para tirar um período de licença de seus cargos, em 2012, depois de a Fifa ter divulgado um relatório sobre a investigação de manipulação de resultados no futebol.

Antes disso, a Fifa informou que havia “evidências convincentes” de que ao menos um amistoso de preparação da África do Sul para a Copa, em maio de 2010, teve seu resultado manipulado. Nenhum jogador, entretanto, foi suspeito de ter participado da possível fraude. A manipulação em questão aponta para a possível ação criminosa de árbitros que teriam agido para beneficiar um sindicato de apostas baseado em Cingapura. 

Nem a Fifa, nem a Safa revelaram publicamente o jogo ou jogos que estão sob suspeita, mas em maio de 2010 a África do Sul goleou a Guatemala por 5 a 0 e derrotou a Colômbia por 2 a 1, semanas antes da Copa do Mundo, em partidas que chamaram a atenção pelo alto número de pênaltis assinalados pela arbitragem

O caso contribuiu para a imagem da Copa da África do Sul ser manchada, sendo que a própria legitimidade da eleição que garantiu o país como sede de competição foi colocada em xeque depois de acusações revelados neste ano de que mais de US$ 10 milhões foram pagos em subornos em troca de votos para a candidatura sul-africana.

A suspeita é de que dois altos dirigentes sul-africanos _ e cartolas da Fifa que supostamente procuraram subornos e pagamentos facilitados _ agiram de forma criminosa, segundo acusação feita em maio passado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O órgão norte-americano lidera uma grande investigação que provocou a prisão de vários dirigentes, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF, e que detalhou mais de duas de décadas de corrupção no mundo do futebol.

UM ATRÁS DO OUTRO – Essa é a segunda suspensão de um dirigente do futebol mundial anunciada pela Fifa em apenas três dias. Na última segunda-feira, o presidente da Associação de Futebol da Tailândia, Worawi Makudi, foi suspenso por 90 dias pela entidade, sob suspeita de ter cometido irregularidades. Ele foi membro do Comitê Executivo da Fifa durante 18 anos, até maio. 

O Comitê de Ética da Fifa disse que há suspeitas de que Makudi violou o código de conduta do organismo gestor do futebol mundial e que o seu caso “é objeto de uma investigação formal”.

A suspensão foi anunciada, por sinal, menos de uma semana após o próprio presidente da Fifa, Joseph Blatter, e Michel Platini, que comanda a Uefa, também serem suspensos provisoriamente por 90 dias, sob suspeita de terem participado de negócios escusos.

Também não foram divulgados detalhes das violações cometidas por Makudi, mas se sabe que o tailandês estava sendo investigado sobre o processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e de 2022, que serão realizadas na Rússia e no Catar, respectivamente. Em julho, ele foi condenado por falsificação em caso relacionado com sua reeleição como presidente da associação tailandesa. Um tribunal o condenou a 16 meses de prisão com a pena em suspenso.