Fifa tenta moldar imagem com Infantino, mas ainda há corrupção, diz Jamil

  • Por Jovem Pan
  • 22/03/2016 09h58
Jornalista Jamil Chade concede entrevista à Jovem Pan

Na última semana, o recém-eleito presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou novo contrato de patrocínio e pediu ressarcimento a cerca de 20 cartolas envolvidos em casos de corrupção na entidade – incluindo os ex-presidentes da CBF Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Seria este o início de uma “purificação” e reformulação na instituição que comanda o futebol mundial? Para o especialista Jamil Chade, não necessariamente. 

Em entrevista exclusiva ao repórter Felipe Altarugio para o Plantão de Domingo, da Rádio Jovem Pan, o correspondente internacional do jornal O Estado de S. Paulo disse que o que a Fifa tem tentado fazer após a eleição do ítalo-suíço é mais uma tentativa de construção de nova imagem do que propriamente uma limpeza na corrupção da entidade. 

“Ainda é muito cedo. Esse anúncio sobre o novo patrocinador, por exemplo, estava planejado antes da eleição do Infantino. Claro que a Fifa tenta moldar a sua imagem com ele, que é um cara novo, que chega, vira a página, anuncia novos patrocinadores e ainda pede dinheiro de volta àqueles corruptos… Muito bem, é exatamente isso. Só que tudo já estava planejado. Então, nada disso é tão novo”, relativizou Chade.

O jornalista ainda revelou que há uma intenção bem clara nestas atitudes da Fifa: parecer estar se reciclandoCom esse gesto de pedir indenização, a Fifa quer mostrar para a justiça americana que ela é, na verdade, a vítima destes cartolas. Agora, a justiça americana não considera nem mesmo a Petrobras, por exemplo, como vítima de seus ex-diretores... Para a justiça americana, a Petrobras ainda é uma instituição criminosa. Imagine, então, com a Fifa, cuja maioria dos dirigentes ou está presa ou foragida“, declarou. 

Chade encerrou a entrevista ressaltando que é ingenuidade achar que todo o esquema de corrupção da Fifa se encerrou naquele histórico 27 de maio – data na qual muitos dirigentes da entidade foram presos em operação do FBI na Suíça. “O que aconteceu naquele dia foi o começo de um processo. Quase um ano depois, ele não acabou. E eu não tenho dúvidas de que esse processo ainda vai demorar alguns anos“, deixou claro, antes de se mostrar otimista e prever que o futebol ainda voltará a ser um meio limpo. 

“Temos essa chance, porque, pelo menos por agora, conhecemos qual é a real dimensão da corrupção. Mas não adianta pensarmos que aquelas prisões acabaram com o esquema de corrupção da Fifa naquele momento. Não. O esquema só será desmontado quando a pressão for insustentável, e quando acontecer não só na Fifa, mas na Conmebol, na CBF, na Federação Paulista de Futebol… Futuramente, aquele 27 de maio certamente vai ser visto como um momento de transição do futebol“, finalizou.