Aldir Blanc: vascaíno incurável e grande contribuinte da cultura futebolística brasileira

  • Por Jovem Pan
  • 04/05/2020 16h45 - Atualizado em 04/05/2020 17h06
ALAOR FILHO/ESTADÃO CONTEÚDOAldir Blanc era vascaíno, e homenageou o clube em seu centenário

O amor pelo futebol e pelo Vasco forjou uma das facetas do escritor Aldir Blanc e o fez contribuir de forma ímpar para a literatura e a música que homenageiam o esporte. Fanático pelo time de São Januário, ele faleceu nesta segunda-feira, 4, aos 73 anos, em decorrência do coronavírus.

Aldir Blanc dedicou suas palavras a composições famosas, que ajudaram a construir a poesia do futebol e que, até hoje, permeiam a literatura esportiva. Suas obras futebolísticas foram tema de estudos e dissertações, e suas músicas vivem no imaginário popular.

Os versos “eu sei que vou / vou do jeito que eu sei / de gol em gol / com direito a replay / eu sei que vou / com o coração batendo a mil / é taça na raça, Brasil”, por exemplo, já foram tema de peças publicitárias a transmissões esportivas – é difícil conhecer um torcedor que nunca sequer tenha cantarolado o tema.

É assinado por ele também a crônica “Da Colina para o Mundo”, que celebrou os 100 anos do Vasco da Gama. “O Vasco, no ano do Centenário, anda com a bola tão cheia que um juiz, tal de Cunha, extrapolou: deslumbrado, queria que o time voltasse a campo, depois de recolhido ao vestiário. O soprador não se conformava. Babando no apito, exigia: quero mais Vasco! O show tem que continuar! É a consagração. O Gama, a caminho das Índias, nem imaginava que, entre outras glórias, emprestaria seu nome venturoso ao time do meu coração”, diz o texto.

Linha de Passe, canção que virou nome de programa de TV também é de sua composição. “E a pedalada / Quebra outro nariz, na cara do juiz / Aí, e há quem faça uma cachorrada / E fique na banheira, ou jogue pra torcida / Feliz da vida”.

Blanc foi internado em 10 de abril com suspeita de covid-19. Com infecção urinária e pneumonia, o quadro evoluiu para uma infecção generalizada. Ele foi autor ou coautor de diversas canções conhecidas da música popular brasileira, como “O Bêbado e a Equilibrista”, “Bala com Bala”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “De Frente Pro Crime” – que também aborda ao futebol, ao ilustrar um relacionamento chegando ao fim -, e Caça à Raposa.

Mais cedo, o clube se despediu do compositor em nota nas redes sociais.