Cientistas políticos acreditam que Bolsonaro prejudica combate à homofobia no futebol

  • Por Allan Brito/ Jovem Pan
  • 17/09/2018 13h31 - Atualizado em 17/09/2018 13h31
Pedro Souza / AtléticoParte dos torcedores do Atlético-MG apoiam Jair Bolsonaro

Durante o clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro, a torcida do Galo apresentou um canto que cita o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e incentiva o assassinato de homossexuais. É mais um caso de homofobia entre tantos outros que já aconteceram no futebol. E de acordo com cientistas políticos, a tendência é que isso só aumente.

O crescimento da popularidade de Jair Bolsonaro, que está firme na liderança das pesquisas eleitorais para presidente, pode atrapalhar o combate à homofobia no futebol, de acordo Valdir Pucci, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB).

“É problemático o discurso de um candidato que trata as questões homossexuais de forma pejorativa. Isso acaba incentivando e dando um maior sentimento de liberdade a torcedores, que passam achar que é um pensamento correto. A gente via o crescimento de um pensamento politicamente correto. Via até o combate da Fifa a esses xingamentos. Mas um candidato com esse discurso acaba incentivando outros, que o reproduzem, dificultando o combate à homofobia no futebol”, explicou Valdir.

Marco Antonio Villa, historiador e comentarista da Jovem Pan, destaca que a política só tem dado maus exemplos para a sociedade: “o aumento da popularidade do Bolsonaro dá uma ‘legitimidade’ a esse tipo de manifestação homofóbica. É deplorável. Alguém faz um discurso extremista e dá legitimidade. Assim como fica difícil combater o roubo quando tem um candidato, Haddad, que foi ungido por um criminoso, que é o Lula. A política tem que dar bons exemplos, especialmente em um país conflagrado. São maus exemplos de todos lados, da esquerda para direita. Realmente vivemos um tempo sombrio”.

No mesmo dia do clássico, o Atlético-MG fez manifestações de repúdio aos torcedores que apresentaram o canto homofóbico.