Justiça vê fraude em transferência de Matheus Davó para o Corinthians

Transferência não poderia ser concretizada, segundo magistrado

  • Por Jovem Pan
  • 10/07/2020 20h11
Agência Corinthians/DivulgaçãoMatheus Davó foi contratado pelo Corinthians em janeiro

O juiz Francisco José Blanco Magdalena, da 9ª Vara Cível de Campinas, entendeu que houve fraude na transferência de Matheus Davó do Guarani para o Corinthians, em janeiro deste ano. Em decisão publicada hoje, o magistrado afirma que o time da Capital sabia que os direitos econômicos do jogador estavam penhorados em razão de uma dívida do Guarani, e mesmo assim, deu andamento ao negócio.

O processo inicialmente determinava a penhora dos direitos econômicos do jogaodor como garantia de um débito do time campineiro com a RDRN Participações LTDA no valor de RR$ 35 mil.

“Por sua vez, inegável a ciência do “Sport Club Corinthians Paulista”, uma vez que foi notificado em dezembro de 2019 acerca da penhora dos direitos econômicos do referido atleta (págs. 479/488), anteriormente, portanto, à contratação firmada em janeiro de 2020. Daí porque o referido clube tinha conhecimento da inadimplência e da situação pré-insolvente do Guarani e optou por assumir o risco do negócio”, afirmou o juiz.

Outro ponto salientado pelo despacho foi o depósito dos valores referentes à rescisão do contrato em uma conta que não pertence diretamente ao Guarani.

“Verifica-se, também, que o pagamento da rescisão desse atleta não se deu em conta mantida pelo Guarani, mas em conta pertencente à empresa ‘Sócio Campeão GFC Serviços Aministrativos Eireli’, fato bastante incomum e curioso, mesmo porque tal empresa não pode receber valores oriundos da negociação de atletas, por vedação técnica da CBF, cuja intenção, ao que parece, foi desviar o dinheiro para evitar a prestação de contas perante o Conselho Fiscal e Deliberativo do clube”.

Em 2019, Davó foi liberado pelo Guarani por apenas R$ 700 mil mediante depósito feito até 18 de setembro – a multa rescisória ao mercado interno era estipulada em R$ 8 milhões.

O dinheiro, utilizado para pagamento dos salários do elenco na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro, foi recebido pela venda de 40% dos 60% dos direitos econômicos vinculados ao Guarani.

O Guarani se pronunciou, por meio da assessoria de imprensa, em nota oficial. “O Departamento Jurídico do Guarani Futebol Clube ainda não foi notificado sobre a decisão e somente poderá se manifestar nos autos do processo. O Conselho de Administração destaca porém que todos os demais órgãos internos (Conselhos Deliberativo e Fiscal) acompanham o processo cumprindo todo o rito estatutário”.

* Com Estadão Conteúdo