CR7 relembra infância “sem músculos”: “treinava para me tornar o melhor do mundo”

  • Por Jovem Pan
  • 03/10/2017 16h11
Divulgação UEFACristiano Ronaldo começou sua carreira aos 11 anos, no Sporting

Cristiano Ronaldo é um dos jogadores mais ambiciosos do mundo e seu desejo de ser o melhor de todos não é algo que surgiu somente quando começou a disputar a Bola de Ouro. Em texto publicado nesta terça-feira (3) no site The Player’s Tribune, o astro português relembrou que desde criança já se esforçava para ser o melhor entre os colegas, porém, aos 11 anos, não conseguia se destacar nas categorias de base do Sporting por ser muito magro.

“Sempre havia alguém que dizia: ‘é uma pena que seja tão pequeno’. E é verdade, eu era muito magro. Não tinha músculos. Assim, aos 11 anos tomei uma decisão. Já sabia que tinha mais talento que os demais. Neste momento, decidi que ia trabalhar muito mais duro que eles. Já não ia jogar como um menino. Já não ia me comportar como um menino. Ia treinar com a convicção que ia me tornar o melhor do mundo”, relatou Cristiano Ronaldo, que desde então passou a treinar separado do time apenas para alcançar seu novo objetivo.

“Comecei a escapar do dormitório à noite para treinar. Eu fiquei mais forte e mais rápido. Então, quando saía ao campo, aqueles que diziam que eu era demasiadamente pequeno me olhavam surpresos, como se o mundo caísse sobre eles e não dissessem nada”.

Se faltava músculos ao jovem Cristiano, sobrava talento. Quem observou isso foi seu pai, que desde quando o menino tinha apenas sete anos já o levava para jogar futebol na Ilha da Madeira, sua terra natal. CR7 lembrou que o momento mais emocionante deste período foi ver sua mãe e suas irmãs o assistindo na arquibancada.

“Elas estavam abraçadas, não aplaudiam nem gritavam, apenas me saudavam, como se aquilo fosse um desfile ou algo assim. Notava-se que nunca haviam ido a uma partida de futebol. Mas estavam ali, e isso era a única coisa que me importava. Eu me senti tão bem neste momento. Significou muito para mim. Algo mudou dentro de mim. Eu me senti orgulhoso”, contou Cristiano, que relatou também a situação humilde que sua família enfrentava enquanto ele buscava o seu sonho.

“Não tínhamos muito dinheiro nesta época. A vida não era fácil na Ilha da Madeira. Eu costumava jogar com chuteiras velhas que herdava do meu irmão ou que meus primos me emprestavam. Eu me recordo dessa época com nostalgia, porque durou pouco. O futebol me deu tudo, mas também me tirou de casa quando não estava realmente preparado. Tinha 11 anos no dia em que me mudei da Ilha para a academia do Sporting. Foi a etapa mais difícil da minha vida”.

Assim como o momento mais emocionante da infância foi ver sua mãe o assistindo, o da fase adulta também tem a ver com a sua família.  Mesmo com quatro prêmios de melhor do mundo e quatro Liga dos Campeões no currículo, Cristiano apontou uma volta olímpica com seu filho após a final da última Champions, em Cardiff, no País de Gales, como o momento mais importante da sua carreira como atleta.

“Depois do apito final, senti que havia mandado uma mensagem ao mundo. Mas então meu filho entrou em campo para celebrar comigo… e a emoção mudou instantaneamente. Ele estava correndo de um lado para o outro com o filho do Marcelo. Agarramos o troféu juntos. E depois passeamos pelo campo de mãos dadas. É uma alegria que jamais havia sentido até ser pai. São tantas emoções se passando ao mesmo tempo que é impossível descrever com palavras o que senti. Só posso comparar com aquele momento na Madeira, quando estava me aquecendo no campo e vi minha mãe e as minhas irmãs juntas nas arquibancadas”, relatou o craque.

O texto completo, em que Cristiano também contou como foi sua passagem pelo Manchester United e sua ida ao Real Madrid, está disponível no The Player’s Tribune em inglês e em espanhol.