Deputado explica projeto de clube-empresa e usa Flamengo como exemplo

  • Por Jovem Pan
  • 25/11/2019 13h45 - Atualizado em 25/11/2019 14h50
Reprodução/Jovem Pan Pedro Paulo é deputado federal do DEM-RJ

O deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) participou nesta segunda-feira (25) do programa “Esporte em Discussão”, da Jovem Pan, e explicou o projeto de lei que incentivará a migração para clube-empresa, aprovado na última terça-feira (19) com urgência na Câmara.

“Queria muito dar minha saudação aos ouvintes. E dizer que a gente teve muita preocupação na hora de desenhar esse projeto. Primeiro lugar,  identificar os principais problemas que os clubes enfrentam no aspecto financeiro. Um, que é o formato de organização, que é amador: os clubes se organizam como associações sem fins lucrativos. E você vê algumas iniciativas de clubes que se organizam, mais uma vez o caso do Flamengo, que há oitos anos fez um trabalho de reorganização. Mesmo nesse formato, mas que na maioria dos casos, ele desincentiva a vinda de investidores estrangeiros”, começou o relator do projeto.

O projeto formulado pelo deputado propõe um pacote de benefícios para que clubes deixem a estrutura de associação civil e migrem para a de empresa, como limitada ou sociedade anônima.

Citando uma divida de R$ 7 bilhões entre os times brasileiros, Pedro Paulo afirma que o projeto será bom para a sociedade como um todo e não beneficiará clubes que continuarem sem pagar seus compromissos.

“Esse ataque ao endividamento não sera oferecido ao clube que permanecer como está. Não será oferecido ao dirigente que enrola. Vai ser oferecido a clube-empresa com a vinda de um investidor com a oportunidade de quitar essa divida, e fazer o que nunca é feito, que é atrasar essa divida. Ele vai ter um incentivo para quitar essa divida. É bom para o clube, para investidos, para a sociedade. É para todo mundo. Eu nem chamo de REFIS, chamo de incentivo a quitação acelerada”, explicou.

“São cinco modelos, quatro deles para quitar em um ano. E o outro que é uma parte das dividas. O Profut tem dividas de de 20 anos. Você pega uma parte dele para ir antecipando parcela, que é isso que o governo quer, o clube quer. Dos 20 principais times do mundo, 10 tem divida zero. Ter divida grande, longa e com juros muito alto, é coisa do Brasil. Ter divida zero o clube tem muito maior possibilidade de vencer”, detalhou.

O parlamentar também citou o Flamengo, campeão da Libertadores e do Brasileirão, como exemplo a ser seguido.

“Qual foi o sucesso do Flamengo? Foi porque o Flamengo começou há oito anos levar a sério a questão das dividas trabalhistas. Tem um ato de execuções concentradas na Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro para poder se organizar. O Flamengo foi super rigoroso e deixou de ganhar títulos com o Eduardo Bandeira de Mello. Tomaram a dura decisão e deixaram de contratar jogador, mas ele não deixou de quitar isso. Hoje ele tem fôlego para ganhar essas taças”, disse.

Capital estrangeiro lícito 

De acordo com Pedro Paulo, o projeto irá atrair investidores de todas as parte do mundo. Questionado se o novo formato não incentivaria a chamada “lavagem de dinheiro”, o parlamentar avisou que medidas contra este tipo de crime fazem parte do projeto.

“Na questão de investimento, estamos colocando dentro do projeto regra de transparência e de governância para evitar que um presidente do clube não seja o mesmo da empresa. Estamos colocando regras para não poder colocar o filho, o neto e evitar o nepotismo. Agora, os mecanismos para se evitar lavagem, por mais que coloque mecanismos na lei, quando vira empresa a Receita Federal, a Policia Federal, o Banco Central vão estar em cima. Os mecanismos de fiscalização do Brasil vão valer também para o clube-empresa”, afirmou.

“Se quiser virar uma S/A, vai ter todo o regramento de uma empresa. É igual que tem na Bolsa. Não estou criando especificadões. Na Inglaterra é como qualquer outra empresa, na Espanha, na Itália…. A gente tem que olhar para o time da Serie A, mas também da B, C, D”, completou.