Em audiência de recurso, Del Nero diz que provas da FIFA são ‘insuficientes’ para bani-lo do futebol

  • Por Jovem Pan
  • 07/02/2019 17h00 - Atualizado em 07/02/2019 17h09
EFEMarco Polo Del Nero está afastado da presidência da CBF desde dezembro de 2017 e foi banido pela FIFA em abril do ano passado

Banido do futebol e condenado pela FIFA a pagar uma multa milionária por conta das investigações da Justiça dos Estados Unidos que apontaram para suspeitas de corrupção por parte do ex-cartola, Marco Polo Del Nero tentou derrubar sua punição nesta quinta-feira (7).

O brasileiro, que deixou a presidência da Confederação Brasileira de Futebol em 2017, recorreu à segunda instância da FIFA, solicitando que sua condenação fosse revista pela entidade máxima do futebol.

A audiência de recurso foi realizada por meio de videoconferência, já que Del Nero não deixa o Brasil desde 2015 para não ser detido e extraditado aos Estados Unidos, como aconteceu com José Maria Marin. Apenas seus advogados estiveram em Zurique, na sede da FIFA.

Ao iniciar sua defesa, o ex-cartola insistiu ser inocente e que o material usado pela entidade para o condenar se limitou aos depoimentos de testemunhas que foram ao tribunal de Nova York durante o processo contra Marin.

A alegação da defesa é de que, dentro da FIFA, apenas documentos preparados pelos próprios investigadores internos é que podem servir para justificar uma punição. Além disso, eles insistem que todos os indícios utilizados estão baseados em depoimentos.

Não existe, segundo os advogados defesa de Del Nero, nenhum e-mail, gravação de voz ou vídeo do ex-cartola em que ele apareça cometendo atos comprometedores pela Confederação Brasileira de Futebol ou pela Conmebol.

A defesa, assim, insistiu que a FIFA havia tomado uma decisão com base em “provas indiretas” e que apenas “assumem” que a corrupção possa ter ocorrido por conta da relação de Del Nero com Marin, seu antecessor na CBF.

Del Nero ainda afirmou durante a audiência de recurso desconhecer os encontros que foram citados pelas testemunhas em Nova York, que indicavam para um acerto entre dirigentes sul-americanos.

Os investigadores da FIFA, porém, ainda acreditam que tem um caso sólido. O principal argumento é de que os depoimentos prestados em Nova York por mais de uma dezena de pessoas foram usados pela justiça norte-americana para condenar Marin.

A lógica da entidade máxima do futebol é de que, se os depoimentos foram suficientes para uma corte americana, também devem servir para a FIFA. Os investigadores também argumentam que os dados apresentados eram detalhados e que, de fato, mostravam coerência.

Para concluir, os investigadores ainda apontaram como o próprio Marin, ao se defender e tentar evitar uma condenação, insistiu de forma repetida que Del Nero era quem, de fato, tocava os assuntos financeiros da CBF, mesmo quando ele era o presidente.

O caso agora será julgado pela corte da FIFA e não há um prazo para a decisão ser publicada. Para a defesa de Del Nero, ainda existe a possibilidade de levar o processo para a Corte Arbitral do Esporte, que foi utilizado por Joseph Blatter e Michel Platini para reduzir suas penas.

Com informações de Agência Estado