Veto a bufê, ônibus separados e mais… Como a Alemanha protege os atletas da Covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 12/06/2020 11h02
Michael Sohn/EFEHaaland, do Dortmund, em ação contra o Wolfsburg

Os cuidados na Alemanha para se retomar o futebol depois da paralisação pela pandemia de Covid-19 vão bem além de não ter comemorações de gols, disputar partidas com estádios sem torcida ou de colocar os reservas com máscara. O país disputa no próximo fim de semana a sexta rodada depois da retomada do calendário com um protocolo rígido em prática e preocupações desde a hospedagem e deslocamento até a distribuição dos locais de banho no vestiário.

Quem contou todos esses detalhes foi o atacante Victor Sá, titular do Wolfsburg. O jogador de 26 anos foi revelado no Primeira Camisa, projeto comandado pelo ex-zagueiro Roque Júnior, e passou pela base do Palmeiras e vários times do interior paulista antes de se transferir para a Áustria, onde ficou quatro anos. No meio do ano passado, Victor se transferiu para o clube atual, localizado na cidade mais rica da Alemanha e conhecida por ser a sede da Volkswagen.

Com 28 partidas disputadas pelo clube na temporada, Victor afirmou que já está acostumado com o rigor e os cuidados desta nova era pós-pandemia. “Em um dos nossos jogos, nós fizemos um gol e nosso time quase não comemorou. Querendo ou não, já estamos fazendo as coisas no automático. A recomendação é não ter abraços, então a gente respeita”, afirmou, em entrevista ao Estadão.

O atacante nascido em São José dos Campos (SP) contou que antes do reinício da competição, todos os colegas de time ficaram fechados em um hotel por duas semanas. Os jogadores e familiares foram testados para conferir se havia casos de contaminação pelo novo coronavírus. A rotina de checagem continua até hoje e sempre na véspera de cada partida, o elenco precisa realizar uma nova bateria de checagem.

O ritual nos dias que antecedem as partidas também mudou bastante para o Wolfsburg. Em partidas fora de casa, a equipe viaja em uma avião fretado, com os jogadores de máscara e distribuídos dentro do espaço para não ficarem muito perto um do outro. Ao chegarem ao hotel usado como concentração, os cuidados continuam. “Geralmente é um hotel com um andar só para nossa delegação. Até a entrada nossa no hotel é diferente. Quando a gente chega, nós temos um cardápio com uma lista do que escolher para comer”, afirmou.

A oferta de um cardápio em vez do tradicional bufê é uma forma de evitar a contaminação. Na hora das refeições, cada jogador tem um local determinado e encontra já o prato montado, com o pedido escolhido previamente seja para o café da manhã ou para o jantar. Geralmente as mesas são grandes e apesar de comportarem até mais pessoas, só três atletas se acomodam por vez, para respeitar o distanciamento.

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Quando chega a hora de ir ao estádio, a delegação do Wolfsburg cumpre mais uma série de requisitos. “Vamos aos jogos com dois ônibus: um para os jogadores e outro para a comissão. Os vestiários são diferentes para titulares e reservas, para evitar de ficar perto. Quem fica no banco, tem de usar máscara. A organização do campeonato nos cobra bastante para que a gente obedeça”, explicou.

Depois das partidas, o vestiário é preparado para que os jogadores mantenham o distanciamento. O clube exige que os jogadores tomem banho com chuveiros distantes um do outro. “Os locais em geral são espaçosos. Então a gente faz assim: uma ducha é usada e a outra, ao lado, não é usada. Por ser alternado, dá para o time cumprir esse cuidado de segurança e depois ir embora”, contou Victor Sá.

Neste sábado o Wolfsburg recebe o Freiburg novamente com todos esses cuidados para evitar a contaminação e com Victor Sá em campo. O brasileiro garante que mesmo com tantos procedimentos diferentes, poder jogar de volta é um alívio para quem passou semanas confinado em casa. “Quando se falou que ia ter campeonato, eu fiquei desconfiado. Mas depois que vimos os cuidados, o protocolo e a segurança, todos entenderam a seriedade e hoje jogamos com tranquilidade”, afirmou.

*Com Estadão Conteúdo