Inesquecível, última Champions do Liverpool desafiou a lógica e marcou uma geração

  • Por Jovem Pan
  • 26/05/2018 08h00
Liverpool/DivulgaçãoEm 2005, o Liverpool foi campeão europeu após vencer o Milan em uma das finais mais emocionantes da história

Se você tem entre 20 e 30 anos, a expressão “Milagre de Istambul” certamente lhe provoca doces recordações. Assim foi batizada a partida que deu ao Liverpool o último dos seus cinco títulos europeus – o clube inglês vai em busca do hexa neste sábado, às 15h45 (de Brasília), contra o Real Madrid, em Kiev.

A decisão da Liga dos Campeões de 2004/05, disputada em Istambul, na Turquia, desafiou a lógica e foi histórica. Inesquecível. Espetacular.

De um lado, estava o poderoso Milan. Um time? Não. Uma constelação. Dida, Cafu, Nesta, Maldini, Pirlo, Seedorf, Kaká, Crespo, Shevchenko… Os craques se amontoavam em uma equipe que havia sido líder de seu grupo na primeira fase – deixando para trás o Barcelona de Ronaldinho – e eliminado potências como Manchester United e Inter de Milão no mata-mata.

De outro, o Liverpool. O time não era tudo isso. Comandado por Rafa Benítez, até tinha jogadores importantes, como Jamie Carragher, Xabi Alonso, John Arne Riise e Steven Gerrard, mas era formado, majoritariamente, por atletas contestados, vide os exemplos de Steve Finnan, Djimi Traoré, Luis García, Harry Kewell e Milan Baros.

Na primeira fase, os Reds passaram sufoco. Ficaram atrás do Monaco e empataram na segunda posição com o Olympiacos – a vaga só foi conquistado no critério de desempate. No mata-mata? Não foi diferente. O jogo mais marcante foi o da volta contra o Chelsea, na semifinal. O Liverpool só avançou graças a um “gol fantasma” de Luis García em Anfield – até hoje não dá para saber se a bola ultrapassou a linha ou não.

Tudo isso entrou em campo no dia 25 de maio de 2005. E as mais de 70 mil pessoas que compareceram ao Estádio Olímpico Atatürk certamente não se esquecem de nenhum detalhe daquela final.

O Milan foi ao intervalo vencendo por 3 a 0. Maldini – autor de um gol aos 50s, o mais rápido da história das finais de Champions – e Crespo, duas vezes, balançaram as redes ainda no primeiro tempo.

A final parecia decidida.

Mas, nos 15 minutos de descanso, a torcida do Liverpool deu um show. Em vez de se sentar e lamentar os 3 a 0, cantou o tradicional “You’ll Never Walk Alone” (“Você Nunca Caminhará Sozinho”) e embalou uma das maiores remontadas da história do futebol.

Os Reds simplesmente empataram o jogo em um intervalo de seis minutos. Dos 9 aos 15, Gerrard, de cabeça, Šmicer, após linda finalização de fora da área, e Xabi Alonso, em rebote de pênalti defendido por Dida, chocaram o planeta e igualaram o placar num piscar de olhos.

O jogo foi para a prorrogação. E, na segunda etapa do tempo extra, mais um momento histórico se concretizou: Dudek, goleiro polonês do Liverpool, fez duas defesas incríveis, à queima-roupa, em finalizações cara a cara de Shevchenko. O destino, definitivamente, estava traçado.

Na disputa de pênaltis, Serginho, Pirlo e Shevchenko (o vilão da noite?) perderam para o Milan – diante de um Dudek “acrobático”, que, inspirado por Bruce Grobelaar, um goleiro histórico do Liverpool, movimentava pernas e braços para desconcentrar os rivais. Pelo lado inglês, apenas Riise desperdiçou.

Fim de jogo: Liverpool campeão.

A decisão de 13 anos atrás entrou para o rol dos grandes jogos da história. E, certamente, influenciará na final deste sábado. Apesar do favoritismo do Real Madrid, afinal, o Liverpool sabe que, pelo menos para ele, o impossível não existe.