Liga dos Campeões começa com privilégios para elite, prêmio maior que da Copa e monopólio de craques

  • Por Jovem Pan
  • 18/09/2018 08h42 - Atualizado em 18/09/2018 08h42
Divulgação/ UEFAFinal da Liga dos Campeões 2018/2019 será em Madri

Maior competição de clubes do mundo, a Liga dos Campeões começará para valer nesta terça-feira (18). A fase de grupos terá início com 32 times vindos de 16 países. Mas são poucos que têm chances reais de vencer a competição. A Uefa tem privilegiado uma elite, que disputará um prêmio recorde, maior do que o valor entregue para França, campeã do mundo na Copa de 2018. Tudo isso garante à Champions o monopólio dos craques mundiais.

Sem qualquer constrangimento, a Uefa passou a privilegiar os grandes clubes europeus. Cerca de 30% da renda foi colocada de lado em um fundo que hoje soma US$ 683 milhões (R$ 2,81 bilhões). Pelo novo sistema, equipes com melhor desempenho nos últimos dez anos da Liga dos Campeões têm direito a uma renda maior, que sairá justamente desse fundo. Na prática, o Real Madrid entra em campo já sabendo que vai levar para casa US$ 35 milhões (R$ 144 milhões), mesmo se não passar da fase de grupos.

A Uefa defende a mudança alegando que está privilegiando os resultados em campo. Mas os clubes menores alertam que isso poderá perpetuar alguns poucos privilegiados no topo. E isso já tem acontecido. Entre 1993 e 1999, o torneio teve sete vencedores diferentes. Nos últimos sete anos, foram apenas quatro campeões e de apenas três países: Alemanha, Espanha e Inglaterra.

A elite disputará um prêmio recorde. A Uefa anunciou que passará a distribuir US$ 2,2 bilhões (R$ 9,07 bilhões) aos participantes, mais de cinco vezes o prêmio que a Fifa dá para as seleções em uma Copa do Mundo (US$ 400 milhões, cerca de R$ 1,65 bilhão), por exemplo, e 22 vezes mais do que a Conmebol distribuirá em 2018 como premiação para a Libertadores, com cerca de US$ 103 milhões (R$ 425 milhões).

Em apenas um ano, a direção da Uefa decidiu aumentar a premiação em quase 40%, garantindo maior solidez financeira aos clubes que, por sua vez, conseguem ter os principais jogadores do mundo. Basta observar que 77% dos atletas que foram para Copa do Mundo atuavam em equipes europeias.

E há outras explicações para o domínio do futebol europeu. “Nossa renda não fica na Uefa. Ela vai para os clubes”, declarou à reportagem o presidente da entidade, Alexander Ceferin. Em sua avaliação, o fato de que grande parte da receita volta aos times, e não a salários de dirigentes, garante hoje a predominância do futebol europeu.

Para a temporada 2018/2019, a receita da Uefa com a Liga dos Campeões, Liga Europa e Super Copa será de 3,2 bilhões de euros (R$ 15,4 bilhões). Apenas 6,5% da receita do torneio fica nas mãos dos dirigentes da Uefa. Os números também revelam que o torneio foi tão global quanto nesta edição. A Uefa conta com 172 acordos de transmissão dos jogos, com um total de 149 emissoras de TV, operadoras de Internet e celular. Juntos, eles garantem uma receita de 2,3 bilhões (R$ 11,11 bilhões) e a transmissão ao vivo para 83 países.

Apesar de contar com todos os mais de cem jogos praticamente lotados, a bilheteria da Liga dos Campeões se transformou em algo secundário. Hoje, as partidas rendem “apenas” 55,6 milhões de euros (R$ 268,6 milhões) em ingressos.

Com Estadão Conteúdo