‘Mais leve, Brasil precisa ter cautela contra australianas’, diz técnico da seleção feminina sub-17

  • Por Pedro Sciola
  • 13/06/2019 09h00 - Atualizado em 13/06/2019 09h50
Reprodução CBFBrasil venceu a Jamaica por 3 a 0 na estreia da Copa do Mundo feminina

A seleção brasileira feminina volta a campo nesta quinta-feira (13), às 13 horas, para enfrentar a Austrália, em Montpellier, em confronto válido pela 2ª rodada da Copa do Mundo. Para Luiz Antônio Ribeiro – o Luizão, treinador da categoria sub-17 do Brasil, o time de Marta e companhia precisa ter cautela ao se defender e ser mais efetivo nas finalizações, já que se trata de uma adversária de alto nível.

“Enfrentar a Austrália é um desafio muito maior. A Austrália tirou o Brasil no último Mundial, é uma seleção top 10. Tem que ter atenção. São seleções como essa que mantém estrutura de jogo do começo ao fim, esperando um erro do Brasil”, afirmou Luizão, que gostou do desempenho da equipe comandada por Vadão na vitória contra Jamaica.

“Temos que ter cautela no sistema defensivo. Quando tiver oportunidades, que será em quantidade menor que o jogo contra Jamaica, que possamos fazer os gols necessários. Estou acreditando muito no potencial depois da velocidade de jogo que foi apresentada”, continuou o comandante do Brasil no Mundial Feminino Sub-17 do ano passado.

Treinador e ex-auxiliar envolvido com a categoria de base do Brasil desde 2013, ele enxerga um cenário mais favorável para a seleção canarinho nesta segunda rodada. De acordo com Luizão, o time terá menos pressão após triunfar por 3 a 0 na estreia e deverá contar com seu principal trunfo: a atacante Marta, desfalque na rodada inaugural por conta de uma lesão na coxa esquerda.

“Primeiro aspecto é que a seleção ficará mais leve com a vitória. Aquele peso do início não tem mais. Traz uma situação mais favorável. Segundo que a Marta é uma atleta que sempre vai chamar atenção das adversárias, o que é bem positivo para a gente. Chamando duas ou até três jogadoras e liberando espaço para as companheiras”, analisou Luizão, que já trabalhou como auxiliar de Emily Lima, ex-treinadora da seleção feminina.

Questionado se acreditava no título do Mundial, que está sendo disputado na França, Luizão reconheceu a dificuldade de superar concorrentes fortes, como EUA e França, mas não descarta a conquista da seleção brasileira.

“O título é consequência do que vai acontecer na primeira fase. A gente pode acreditar que podemos ir mais longe. É um Mundial muito difícil. A França, que é a anfitriã, se preparou muito bem. Os Estados Unidos, que fez 13 a 0 na Tailândia, também. Têm inúmeras que são favoritas, mas não tiro a condição do Brasil de chegar ao título. Vai depender do encaixe. Com muitas jogadoras sabendo que é a última Copa, vão dar o máximo para vencer”, disse o técnico que também comanda o time sub-17 masculino do Juventus (SP).

Renovação 

O Brasil tem a segunda média de idade mais alta entre as 24 seleções que disputam a Copa do Mundo, que está sendo realizada na França.  Nomes importantes como Marta, Formiga e Cristiane provavelmente não estarão no próximo Mundial. Assim, será necessário uma renovação, com atletas mais jovens. Para Luizão, que tem vasto conhecimento sobre as promessas do futebol feminino, essa parte não deverá ser um problema.

Das 21 atletas que estiveram no Mundial do Uruguai, a maioria está disputando a categoria principal, seja Campeonato Brasileiro ou Regional. “A Isadora, zagueira do internacional, foi pro Campeonato Espanhol. E é uma atleta promissora. Posso citar inúmeras que tem potencial. A Amanda, que joga pelo Santos. A Júlia, do internacional, que vem disputando a primeira divisão. A Jennifer, atacante. São atletas que podem brilhar”, apontou.

A geração, de acordo com o treinador, é talentosa, mas não existe nenhuma menina capaz de substituir as estrelas Marta e Cristiane, figuras de enorme representatividade.

“A torcida é muito grande para que possam chegar à seleção principal. Marta não tem comparação por tudo que fez na seleção e pelos clubes que ela passa. A representatividade é muito grande, ela é um exemplo para todas. Cristiane é artilheira nata, comprovou isso na estreia. Bem difícil ter atletas para substituí-las, mas procuramos trabalhar na base para que as atletas tenham entendimento do que é jogar na seleção brasileira”, finalizou.