Pesquisadora do câncer, sobrevivente de terremoto e família Marley: as histórias da Copa do Mundo feminina

Além de se destacar em campo, jogadoras mostram sua grandeza na vida pessoal

  • Por Jovem Pan
  • 12/08/2023 08h00
nigéria, michelle alozie Michelle Alozie é pesquisadora do câncer em universidade dos EUA

A Copa do Mundo de futebol feminino tem grandes histórias dentro e fora de campo. É clichê dizer que as atletas enfrentaram muitas dificuldades para estar no Mundial. Com a modalidade proibida por anos em diversos países e sem muito apoio historicamente, as jogadoras entendem desde cedo que o caminho não é fácil. E talvez seja por isso que elas se mostram tão fortes em outros aspectos da vida. Dentre as 736 jogadoras que estiveram na Austrália e Nova Zelândia, algumas histórias pessoais se destacam. Uma delas é a de Michelle Alozie, da Nigéria. A zagueira do Houston Dash (EUA), de 26 anos, é bacharel em microbiologia pela Universidade de Yale e concilia a carreira de atleta com uma pesquisa de câncer e leucemia no Hospital Infantil do Texas. A imagem de Alozie sendo pisada nas costas pela inglesa Lauren James rodou o mundo como jogo antidesportivo durante o torneio. A inglesa foi suspensa por dois jogos. Outra jogadora/pesquisadora é a norte-americana Naomi Girma. A zagueira de 23 anos é cientista formada pela Universidade de Stanford e faz mestrado em ciência e engenharia de gestão. Em 2022, ela perdeu a melhor amiga, que tirou a própria vida, e realizou uma campanha com a seleção dos EUA sobre a importância de estimular cuidados com a saúde mental.

Quem também sabe se superar é a japonesa Jun Endo. A atacante do Angel City FC tinha 10 anos quando o terremoto de 9,1 de magnitude atingiu o Japão em março de 2011, seguido do tsunami que resultou no acidente nuclear de Fukushima. Endo estava na escola no momento do tremor, na cidade de Shirakawa, a 100 km da usina. Devido às partículas radioativas, as crianças foram proibidas de jogar futebol ao ar livre na região e Jun tinha que viajar com as amigas para praticar o esporte, tendo enfrentado muito preconceito. Destaque da Colômbia, Linda Caicedo, de 18 anos, tem chamado atenção do público por seu talento. A jovem atleta do Real Madrid superou um câncer no ovário há dois anos e usou peruca para jogar, pois tinha vergonha da queda de cabelo causada pela quimioterapia. Linda se recuperou, está saudável e é cotada para ser a revelação da Copa.

Reggae Girlz e a família Marley

Marta não conseguiu fazer um gol nesta Copa do Mundo Feminina

Em termos de coletividade, uma das histórias que mais se destacaram nessa Copa feminina foi a da Jamaica. As Reggae Girlz se classificaram para o torneio sem a ajuda da federação. A seleção precisou de vaquinha para o pagamento das despesas para a viagem, fez um tempo de treinamento no campo particular do técnico Lorne Donaldson e conta desde 2008 com um apoio muito importante: da família de Bob Marley. A filha do icônico cantor, Cedella Marley, ficou sabendo pelo filho que as Reggae Girls existiam e que o projeto estava prestes a acabar por falta de apoio financeiro. Desde então, Cedella é a embaixadora da seleção jamaicana e esteve mais uma vez ao lado das atletas no campeonato. Essa foi a segunda participação da Jamaica em Copas. Em 2019, foi a segunda seleção mais vazada da fase de grupos com 12 gols, mas neste ano sofreu apenas um gol e conseguiu classificação inédita para as oitavas de final.

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