Santos e São Paulo tiveram prejuízo financeiro na 1ª fase do Paulista

  • Por Jovem Pan
  • 22/03/2019 08h42 - Atualizado em 22/03/2019 10h53
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FCSantos e São Paulo tiveram prejuízos grandes no Pacaembu

A venda de ingressos na 1ª fase do Campeonato Paulista criou prejuízo financeiro para a maioria dos clubes. Até Santos e São Paulo, times de grande torcida, ficaram com saldo negativo. Os únicos que lucraram foram Bragantino, Corinthians, Grêmio Novorizontino e Palmeiras. O levantamento não leva em conta os números da 12ª rodada, que ainda não foram fechados.

Usar o Estádio do Pacaembu prejudicou Santos e São Paulo. O Tricolor, por exemplo, teve saldo negativo de R$ 11.943,17 no duelo contra a Ferroviária, no estádio do Pacaembu, pela 9.ª rodada. O Santos, quando jogou no estádio municipal, também teve prejuízo em duas oportunidades: na derrota para o Novorizontino ficou no vermelho em R$ 30.305,37 e na vitória por 3 a 2 sobre o Oeste ficou devendo R$ 12.064,52.

A fase de grupos terminou com saldo financeiro negativo em mais de um terço dos jogos disputados. Das 88 partidas que tiveram o boletim financeiro divulgado pela Federação Paulista de Futebol (FPF) até a noite desta quinta-feira (21), 33 deram prejuízo ao clube mandante. Ou seja, em 37,5% a arrecadação foi menor do que os gastos com manutenção dos estádios – os oito duelos da 12.ª rodada não foram contabilizados.

O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, minimizou as partidas que deram prejuízo e destacou a organização de algumas equipes do interior. “O interior está mais organizado. Alguns times vêm se planejando e pensando o trabalho a longo prazo. O Ituano, o Novorizontino e o Red Bull estão praticando uma gestão moderna e eficiente. Eles têm dado exemplo dentro e fora do campo”.
Exemplo do interior

As surpresas positivas da primeira fase foram o Botafogo e o Novorizontino, que conseguiram fechar no azul em todos os jogos como mandante. A equipe de Novo Horizonte ainda coroou a campanha com a classificação para as quartas de final.<

O presidente do Novorizontino, Genilson da Rocha Santos, disse que durante todo o ano o clube realiza ações em escolas, hospitais e casas de caridade: “a gente sai a campo para mobilizar o torcedor”.

Nas escolas, por exemplo, foram distribuídos três mil lápis com o escudo da equipe e três mil ingressos para as crianças. “Elas já entrariam de graça no estádio. Mas, com o ingresso na mão, chamam os pais para ir ao jogo. Um aluno vê o colega indo e também pede para ir. E assim a gente consegue aumentar o público”, explicou. O clube também sempre tenta reverter o pagamento de multas para hospitais e ONGs da região.

O Botafogo lotou 22 ônibus para acompanhar o duelo de sua equipe contra o Mirassol, que fica a 221 quilômetros de distância, pela 11.ª rodada. “Há uma maior conscientização do torcedor. Esse jogo impressionou a torcida visitante. É um exemplo de que é possível ter bom público no interior. Está quase em um nível razoável, mas temos caminhos para melhorar isso e é uma parte importante do trabalho para 2020”.

Maior prejuízo

O recordista de jogos com prejuízo foi o Red Bull Brasil, a equipe de melhor campanha da primeira fase: em cinco das seis vezes que foi mandante, não conseguiu arcar com os custos do estádio, com total de R$ 110.185,39 de prejuízo. No entanto, bastou um jogo contra o Palmeiras para que fechasse as contas no azul. No confronto contra o time da capital, na rodada de estreia, a equipe de Campinas (SP) teve renda líquida positiva de R$ 311.797,74.

O CEO do Red Bull Brasil, Thiago Scuro, não se mostrou surpreso com os números e avisou que não mexerá no valor do ingresso para as quartas de final. “Contra o Santos vamos colocar mais ou menos o valor do jogo com o Palmeiras. Não queremos criar uma política agressiva de ingressos”, disse nesta quinta-feira, durante o congresso técnico da Federação Paulista de Futebol.

Com Estadão Conteúdo