Economista explica por que Santos não aproveita financeiramente as categorias de base

  • Por Allan Brito/ Jovem Pan
  • 05/10/2018 11h34 - Atualizado em 05/10/2018 11h39
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FCRodrygo foi vendido aos 17 anos para equilibrar finanças do Santos

O Santos tem um longo histórico de revelar grandes talentos vindos das categorias de base. E apesar disso gerar um importante ganho esportivo, não costuma virar um lucro financeiro. Cesar Grafietti, economista do Itaú que comandou a “Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros”, explica que muitos fatores influenciam esse problema de gestão do Peixe.

“O Santos vende bastante atletas, mas acaba investindo tudo que gera para comprar outros jogadores. Compra e vende o tempo inteiro. Isso significa que uma hora vai faltar”, alerta Cesar.

Uma prática comum no Santos é segurar as revelações na base vendendo direitos econômicos para empresários. Isso faz com que o Peixe não receba todo valor da transferência de um craque revelado.

“Quando você olha a participação do Santos nos direitos econômicos, não tem um volume grande. É bom porque assim você atrai mais jogadores. Mas quando vende, tem um problema. Então o Santos tem que achar um ponto de equilíbrio”, explica o economista.

O estudo do Itaú mostrou que as dívidas do Peixe têm aumentado com frequência. Questionado por que isso aconteceu, Cesar explicou que tem a ver com questões políticas do clube.

“O Santos é muito errático na mudança de gestão. Tem um alto perfil de gasto quando muda de grupo político. Tem menos receitas que outros clubes e acaba tendo um gasto parecido. O Corinthians teve 240 milhões de despesas. O Santos, tendo dois terços da receita do Corinthians, gastou 210 milhões”, exemplificou Cesar.

Em 2018 o Peixe passou a gastar menos em contratações, mas ainda é cedo para dizer que o clube está no caminho certo: “Precisa passar esse ano e entender como estão os números. No 1º semestre teve um aumento de dívidas. Talvez no 2º semestre esteja mais equilbirado, mas precisou vender jogadores de alto nível, como o Rodrygo”, concluiu o economista, lembrando do jogador de 17 anos que já foi negociado com o Real Madrid. Mais uma vez o ganho esportivo não gerou todo potencial de lucro financeiro.