Ex-SPFC, Artur revela tensão nos EUA devido à Covid-19: ‘Assusta ver o que está acontecendo’

  • Por Pedro Sciola
  • 10/04/2020 13h08 - Atualizado em 10/04/2020 13h30
Reprodução/Instagram Artur, do Columbus Crew, disputando bola com Kaká, então no Orlando City

Os Estados Unidos estão sofrendo com a pandemia do novo coronavírus. Até a tarde desta sexta-feira (10), o país norte-americano registrou 467 mil casos de Covid-19, tendo o maior número de pessoas infectadas pela doença no planeta. Em entrevista à Jovem Pan, o brasileiro Artur, meio-campista do Columbus Crew, relatou o clima de tensão vivido pela população local.

“Cada vez os casos vão aumentando mais. Assusta ver tudo o que está acontecendo. Graças a Deus não conheço ninguém que foi contaminado, ninguém da minha família tem o vírus. Mas é preocupante toda essa situação. Espero que normalize e que todas pessoas fiquem bem. Quem foi contaminado, que se recupere logo. E que a gente consiga achar uma saída logo pra essa crise”, disse o volante revelado pelo São Paulo.

Na última quinta-feira, os EUA contabilizaram 15,774 mortes devido ao novo coronavírus, ultrapassando a Espanha e ficando atrás apenas da Itália em número de óbitos. No entendimento de Artur, a propagação do vírus pegou os americanos de surpresa e mudou muito a rotina dos cidadãos.

“O que mudou muito no começo foi que fecharam os bares, restaurantes, shoppings muita gente ficou sem trabalhar e sem receber salário. Mudou a vida de todo mundo. No começo, pegou muita gente de surpresa. Muita gente no mercado querendo comprar tudo. Muita gente esperando o pior. Acho que a população se assustou e não é por menos. A rotina de todos está bem diferente”, contou o jogador de 24 anos de idade.

Questionado sobre o governo de Donald Trump, presidente dos EUA, que mudou de postura quanto à política de distanciamento social, Artur preferiu não opinar e disse torcer para que o mandatário tome as melhores decisões.

“Eu tento ficar fora de política. Eu vejo que agora eles estão tentando ao máximo amenizar e melhorar a situação. Estão tentando ajudar a população a reverter essa situação. Agora é só esperar para regularizar. O mais importante é a saúde todos. Que eles encontrem a melhor saída”, declarou.

Treinamentos perdem a intensidade

A Major League Soccer (MLS), primeira divisão do campeonato nacional, está suspensa até o dia 10 de maio. Para Artur, dada as circunstâncias em que o país se encontra, o retorno será adiado. Em conversa com a Jovem Pan, o atleta afirmou que não vê o futebol retornando antes de junho por motivos de saúde e segurança dos jogadores e torcedores.

“Pelo o que eu estou vendo, vai ser difícil. Vai ser adiado de novo. Pelo menos para junho ou julho. Não sabemos quando vamos voltar a treinar normalmente. Até agora não temos uma data. Estamos chegando a um mês sem treinar normalmente, então precisaremos de, no mínimo, mais duas semanas para recuperar a forma de todas as equipes”, opinou o ex-são-paulino.

Em quarentena, Artur explicou que está treinando separadamente com as instruções passadas pelo Columbus Crew, mas admitiu que intensidade das atividades não é a mesma.

“Então, é difícil manter a intensidade. Treinar com o grupo, no campo de futebol, com os treinadores é bem diferente. Mas venho tentando fazer os treinos bem, tenho equipamentos aqui em casa, tenho lugar para correr. Estou tentando dar ao máximo de intensidade, mas é diferente não ter os treinadores, o espaço correto que tem no Centro de Treinamento”, lamentou.

Pouco espaço no São Paulo e sonho com Champions League

Formado nas categorias de base do São Paulo, Artur conquistou taças nos times inferiores e despertou atenção pela qualidade técnica. Puxado para a equipe de cima em 2016, o meio-campista fez apenas quatro partidas pelo Tricolor como profissional, sendo todas no Brasileirão daquele ano, no time então comandado por Edgardo Bauza.

Mesmo sendo elogiado, Artur não recebeu mais oportunidades e acabou sendo emprestado para ganhar experiência no Columbus. Hoje, ele garante que não sente mágoas do clube paulista por não ter ganhando sequência.

“Então, eu não tenho mágoa com o São Paulo. Na minha opinião, tiver poucas oportunidades. Joguei quatro jogos contra grandes times, e acho que fui bem, até pela fase do São Paulo naquela época. Minha posição, por ser jovem e ser os primeiros jogos, acho que fui bem. Teve troca de treinadores. Saí em 2017 para ganhar experiência e acabou que, pelas circunstâncias e pelo que eu vi aqui, fiquei. Em 2018, tive a oportunidade de voltar ao São Paulo, mas optei por ficar aqui. Mas tenho um carinho muito grande e também pelos títulos que ganhei no sub-20”, falou.

No Columbus, o volante de marcação tornou-se essencial para o time, sendo titular nas últimas três temporadas. Ainda assim, Artur não esconde o desejo de poder disputar uma Champions League.

“Eu planejo dar passos maiores, jogar na Europa, jogar uma Champions League. É um dos meus objetivos. Quero dar o meu melhor e as coisas vão acontecer”, cravou.