Gerente do São Paulo critica ação de Maicon: ‘Descabida e preocupante’

  • Por Jovem Pan
  • 14/05/2020 09h58
Rubens Chiri/São Paulo FC/DivulgaçãoMaicon jogou no São Paulo entre 2012 e 2015

Alexandre Pássaro, gerente-executivo de futebol do São Paulo, falou pela primeira vez sobre a ação movida por Maicon contra o clube do Morumbi. Nesta quinta-feira (14), o dirigente criticou a postura do meio-campista, atualmente no Grêmio, que ganhou em segunda instância um processo trabalhista cobrando remuneração referente a adicional noturno, domingos e feriados.

“A gente lamenta profundamente e ao mesmo tempo a gente também se preocupa que apareça uma maior quantidade de ações desse tipo, porque ela é simplesmente descabida dentro do nosso ambiente do futebol. E talvez um ou outro juiz que analise isso friamente, sem entender a complexidade e a diferença do futebol, possa dar decisões como essa”, disse Pássaro, em entrevista ao “Lance!”.

Na semana passada, Maicon respondeu às criticas dos torcedores nas redes sociais e falou para os são-paulinos pararem de “mimimi”. O volante receberá, inicialmente, R$ 200 mil, mas o Tricolor já avisou que irá recorrer em última instância.

“Essa ação já existe há um tempo [desde 2016]. O que foi julgado agora foi o recurso dela, e o São Paulo lamenta uma ação cobrando esse tipo de coisa. A gente não pode falar muito da ação do Maicon, porque ela está em segredo de Justiça, mas como ele já falou a gente fica um pouquinho mais à vontade”, falou Pássaro.

“Não há, na ação dele, qualquer pedido de valores atrasados, seja de salários ou de imagem. O que tem na ação é um pedido de diferença de direito de arena, que ele não ganhou, de horas extras, que ele não ganhou, de adicional noturno, que ele ganhou, ou seja, ele vai ganhar um adicional pelos dias que trabalhou depois das 22h, e de descanso semanal remunerado, ou seja, precisa ganhar em dobro nos feriados que ele trabalhou, seguindo a regra comum”, continuou.

Maicon representou o São Paulo entre 2012 e 2015, participando do último título do clube, a Copa Sul-Americana, em 2012. Para Alexandre Pássaro, o ato do jogadores não tem cabimento e pode até prejudicá-lo no futuro.

“O que mais nos surpreende é que esses jogadores só ganham três dígitos de salário porque a televisão paga altos valores pelos direitos de transmissão, inclusive eles têm 5% disso pelo direito de arena. Então entrar pedindo um adicional noturno além disso, para a gente que sabe que no mundo inteiro o futebol é disputado também à noite e também em feriados, surpreende. A gente espera que isso não vire comum, porque ao passo que o São Paulo foi processado pelo Maicon talvez o Grêmio também seja, porque no Grêmio ele continua jogando à noite e continua jogando aos feriados. Então criaria um passivo e uma imagem não muito boa para os clubes que querem contratar jogadores com esse histórico de ações”, concluiu Pássaro.