Ídolo do Fortaleza, Bosco relembra ‘eterna reserva’ de Ceni: ‘Minha motivação era o São Paulo’

  • Por Jovem Pan
  • 10/05/2019 11h00
Divulgação"Eterno reserva" de Rogério Ceni, o ex-goleiro Bosco foi campeão cearense pelo Fortaleza em 2005

Atleta que mais vezes defendeu um mesmo clube na história do futebol, Rogério Ceni disputou 1237 partidas em 25 anos de São Paulo. Foram vários os goleiros que amargaram a reserva do “fominha” ídolo tricolor. Um deles atende pelo nome de João Bosco de Freitas Chaves. Banco de Ceni entre 2005 e 2011, Bosco foi titular da meta são-paulina em apenas 42 oportunidades. No mesmo período, o camisa 01 jogou 440 partidas. Algo que tenha entristecido o carismático ex-goleiro pernambucano? Muito pelo contrário.

Às vésperas do primeiro confronto da história entre Rogério Ceni e São Paulo, o “eterno reserva” do ex-arqueiro – que, curiosamente, é ídolo do Fortaleza, atual time do M1T0 – atendeu à reportagem da Rádio Jovem Pan e relembrou, com muito carinho, a parceria feita com o maior nome do único clube brasileiro tricampeão mundial. Em entrevista exclusiva a Giovanni Chacon, Bosco se declarou ao São Paulo e disse que, mesmo jogando pouco, nunca perdeu a motivação durante os sete anos em que permaneceu no Morumbi.

“A minha motivação era o próprio São Paulo”, afirmou. “Eu tenho um carinho especial por cada clube pelo qual passei. Sport, Cruzeiro, Portuguesa, Fortaleza, São Paulo… Não posso ser ingrato em nenhum momento. Mas quem passou pelo São Paulo sabe a grandeza e a força que esse clube tem a nível mundial. A minha maior motivação era o próprio clube, que me oferecia as melhores condições possíveis de trabalho. Você se sente muito especial quando chega a um clube como o São Paulo. E eu tinha de treinar bem todos os dias, porque sabia que iria jogar pouco, mas que, quando jogasse, teria de ir bem, porque estaria substituindo o maior ídolo da história do clube”, acrescentou.

O ex-goleiro de 44 anos, que, assim como Ceni, aposentou-se do futebol com a camisa tricolor, é muito grato ao hoje treinador do Fortaleza. Apesar de ter se transferido ao São Paulo no auge da carreira, em 2005, Bosco nunca reclamou de ter ficado mais de meia década no banco de reservas. A compreensão do sempre seguro arqueiro pernambucano encantou o maior ídolo da história são-paulina, que até o convidou para jogar na sua despedida do futebol, em 2015.

E a relação entre os dois ganhou novos capítulos em 2017. Então preparador de goleiro do Fortaleza, clube no qual foi campeão cearense em 2005, Bosco teve papel importante na contratação de Ceni pelo clube nordestino. A indicação foi fruto de uma característica observada ainda nos tempos de jogador. Mesmo em campo, segundo Bosco, Rogério já atuava como um treinador.

“Ele pensava em uma estratégia diferente a cada jogo”, revelou. “Os treinadores traçavam uma estratégia coletiva, mas o Rogério procurava estudar os rivais, como todo jogador dedicado tem de fazer. Ele via se o time era alto, se era baixo, se a bola parada era forte, se não era… O Rogério ajudava muito os treinadores, e o interessante é que os treinadores também davam muita brecha para que ele pudesse ajudá-los”.

Atualmente, Bosco mora nos Estados Unidos. A forte relação com Fortaleza e São Paulo, no entanto, fará com que o ex-goleiro fique ligado na Arena Castelão no próximo domingo, a partir das 19h (de Brasília). “Espero que seja um grande jogo. Há uma expectativa muito grande, porque envolve duas equipes que estão vivendo um bom momento, além de ter esse atrativo do Rogério Ceni. Vou estar torcendo daqui… Só não vou revelar para quem (risos)”, finalizou.