Sochi é a cidade dos sonhos de Tite para a preparação da Seleção na Copa de 2018

  • Por Estadão Conteúdo
  • 01/07/2017 13h33 - Atualizado em 01/07/2017 13h34
Sochi é a cidade favorita de Brasil, Inglaterra e Alemanha para a Copa de 2018

Olhe para Sochi e veja Teresópolis (RJ). Exceto pela temperatura e pelo Mar Negro que banha a cidade pressionada nas montanhas do Cáucaso, há grandes semelhanças entre elas. Sochi é pequena, charmosa e tem um povo mais sorridente do que a maioria na Rússia. É neste lugar aconchegante que a Seleção Brasileira quer instalar o seu quartel-general durante a Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

Em Sochi existe um sol a pino durante essa época do ano que faz as sorveterias lucrarem o suficiente para os meses tenebrosos de frio e neve. Há o complexo esportivo montado para receber os Jogos de Inverno, de 2014, com o estádio de futebol e o autódromo de Fórmula 1, o centro comercial com alguns shoppings modestos, a praia de areia escura e pedras, sem nenhum charme, e o tímido aeroporto.

Tudo isso em um raio de 8 a 10 quilômetros. As casinhas são de montanha, como em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, onde a CBF confina a Seleção em competições oficiais. As ruas são estreitas e, por isso, é preciso ter paciência com o trânsito, que vive num “para e anda”. O bom é que as distâncias são todas curtas.

Essa é Sochi, chamada por alguns de Riviera Russa. A impressão que se tem ao chegar na cidade ao sul do país é que o tempo demora a passar nela. E que os fatos se repetem todos os dias.

Nessa época do ano, mesmo período da Copa de 2018, a temperatura é de 30 graus Celsius. Pode chegar aos 40. Seu recorde é 43. Os russos adoram porque estão acostumados a sentir o frio duro do inverno por períodos rigorosos. Sochi é arborizada e limpa. A moçada quer o sol na cabeça. O russo fica de pele rosa no verão – cor adquirida pelo seu corpo, pernas e braços, sobretudo das mulheres, pela exposição aos raios solares. Anda-se por aqui de bermuda e chinelo.

Marcelo Machado de Melo / Fotoarena / Estadão Conteúdo

Tite vê Sochi com um clima semelhante ao encontrado em Teresópolis, no Rio de Janeiro

Exceto por seu tamanho e pelo fato de ser encravada nas geladas montanhas do Cáucaso, o sol forte se aproxima do calor do Rio. Das quatro cidades-sede da Copa das Confederações (Moscou, Kazan e São Petersburgo são as outras), Sochi é a que mais espelha a vida brasileira. Por isso o técnico Tite pretende levar a Seleção para a cidade durante o Mundial de 2018.

CONCORRÊNCIA – Um recepcionista de hotel informou ao jornal O Estado de S. Paulo que Inglaterra e Alemanha também visitaram a cidade com o mesmo propósito do Brasil. As duas equipes ainda não se garantiram na Copa. Em 2014, o time do técnico Joachim Löw ficou na Bahia, em Santa Cruz da Cabrália. Foi lá que os alemães, com a simpatia, cordialidade e reverência aos baianos, começaram a sua caminhada rumo ao título mundial. A cidade nunca mais será a mesma. Os campeões querem fazer o mesmo de Sochi, que tem características parecidas.

Sochi sorri mais para o forasteiro também, mas nem de longe resolve a barreira da comunicação. O comunismo deixou o povo russo isolado por décadas e isso terá de ser superado com o tempo. Ninguém fala inglês, nem mesmo nos hotéis. Outros idiomas, nem pensar. Mas em Sochi existe uma maior disponibilidade dos locais para ajudar e se fazer entender. Isso talvez tenha a ver com a brisa do mar.

Não há preocupação das pessoas em caminhar pelas ruas ou praias durante a noite. Em Sochi as noites são brancas – de três a cinco horas apenas de escuridão. É preciso se acostumar a dormir com sol na janela. Na Copa das Confederações, poucos policiais foram vistos nas ruas.

Marcelo Machado de Melo / Fotoarena / Estadão Conteúdo

Sochi recebeu os Jogos de Inverno de 2014 e é palco do GP da Rússia de F1

Sochi parece ser uma cidade onde todos se conhecem. Alugar um carro pode ser boa ideia, pois as distâncias são curtas. Para dirigir é preciso regularizar a carteira de motorista no país. Sochi, como Teresópolis, tem suas principais atrações nas cachoeiras e lugares de esportes radicais, de água gelada. Há santuários dessa natureza nas imediações da cidade, como em Krasnaya Polyana e Rosa Khutor, ambas no distrito de Adler.

O Brasil ainda não se resolveu pela cidade, que briga com Moscou e São Petersburgo. Tite e Edu Gaspar, diretor de seleções da CBF, querem, se possível, fugir das grandes metrópoles. “A privacidade é nossa principal meta para escolher o local onde ficará a Seleção. Privacidade para trabalhar”, disse Tite ao Estadão. O Brasil estima trazer para a Rússia cerca de 50 pessoas entre jogadores, comissão técnica e membros da CBF.

O presidente Marco Polo del Nero não deixa o Brasil desde que foi acusado de envolvimento em situações ilícitas da entidade, em 2015. Não se sabe, portanto, se estará nessa caravana. Outra preocupação da comissão técnica é arranjar um lugar para as famílias dos jogadores. Tite quer evitar todos os problemas e deixar seu time o mais confortável possível para ganhar a competição.