Surpreso com viral, ‘torcedor corneta’ sonha em ser presidente do Villa Nova: ‘Quem sabe’

  • Por Jovem Pan
  • 20/02/2019 12h32 - Atualizado em 20/02/2019 12h32
Montagem sobre fotos/Felipeaoc/Reprodução O garoto João Otávio, de 19 anos, é o conselheiro mais jovem da história do Villa Nova, de Minas Gerais

“Villa não é humilhação, não! Villa é time de tradição! E você está jogando no Villa ou no amador? Esses caras não jogam no Morro Velho, no Retiro, no Palmeirinha! Isso que eles fizeram com o Villa é sacanagem demais! Tomaram dois gols do Ademilson, 44 anos! Eu estou é chateado demais com esse trem!”

O desabafo de um jovem torcedor do modesto Villa Nova, de Minas Gerais, tomou conta da internet nos últimos dias. A exaltação e o incrível embasamento demonstrados pelo carismático João Otávio, 19 anos, em entrevista à TV Banqueta, rodaram o País e viraram sinônimo de “corneta raiz” no futebol brasileiro.

De um dia para o outro, a vida do garoto mudou. Acostumado com o sossego de Nova Lima, cidade vizinha a Belo Horizonte com menos de 100 mil habitantes, João Otávio ganhou ares de “popstar” entre amigos, familiares, vizinhos e até desconhecidos.

“Eu fiquei muito surpreso”, admitiu o jovem, em entrevista exclusiva ao repórter Giovanni Chacon, da Rádio Jovem Pan. “O Brasil inteiro está me mandando mensagem… Rio de Janeiro, Brasília, Caruaru, Rio Grande do Sul… Esse vídeo foi do Oiapoque ao Chuí”, celebrou.

E a felicidade tem motivo. Apesar de ter sido feito logo após a derrota de virada do Villa Nova por 5 a 1 para o Tupynambás, dentro de casa, pela 1ª rodada do Campeonato Mineiro, o desabafo, segundo João Otávio, trouxe maior visibilidade ao clube, que soma cinco títulos estaduais, já faturou a Série B do Campeonato Brasileiro, mas não é campeão da elite mineira desde 1951.

“O Villa Nova é um clube de 110 anos, e até mesmo o pessoal da velha guarda da torcida me disse que nunca viu o Villa ter essa mídia toda, essa visibilidade que está tendo hoje… Eu fico muito feliz, porque foi uma entrevista simples, que eu dei em um momento de tristeza e que acabou viralizando. Foi benéfico para o Villa. Trouxe mídia e maior exposição dos patrocinadores”, afirmou.

Sonho de ser presidente

“Eu gosto muito do futebol raiz. Assisto ao campeonato de Pernambucano, da Paraíba, Copa Paulista…”

João Otávio, definitivamente, é um ponto fora da curva. Ao contrário da maior parte dos garotos da sua idade, não torce por um time grande e nem se deixa seduzir pelos poderosos e multicampeões clubes de Europa.

“A gente vive muito próximo de Belo Horizonte, cerca de 12km, e aqui a maioria das pessoas torce por Atlético-MG ou Cruzeiro. O meu pai, por exemplo, é atleticano, e a minha mãe é cruzeirense… O meu pai sempre me incentivou a torcer pelo Atlético-MG, a ir aos jogos, mas o que eu vivo mesmo, o que eu sinto de verdade, é o Villa”, contou.

A paixão surgiu ainda na infância. “Eu tinha um tio que era conselheiro do Villa e que começou a me levar a todos os jogos… Em 2006, eu entrei com os jogadores em todos os jogos, e o Vila foi campeão (da Taça Minas Gerais). A partir daí, comecei a criar um carinho enorme pelo clube”, explicou.

Hoje, João Otávio é um símbolo do clube. E não apenas pelo desabafo que deu após a traumática goleada sofrida diante do Tupynambás. “Eu sou o conselheiro mais jovem da história do Villa”, revelou, orgulhoso. “Também sou sócio torcedor e um dos fundadores da Pavilhão Vermelho, a torcida organizada do clube”, acrescentou.

O jovem representa uma das lideranças do Villa e já até se reuniu com membros da diretoria. “Eles dão uma certa liberdade para a gente conversar, mas raramente o que a gente pede é acatado. Esse, para mim, é um dos motivos pelos quais as coisas estão erradas. Eu acho que, se eles abrissem mais a mente, ouvissem mais os conselheiros e os sócios torcedores, o Villa estaria numa situação melhor”, cobrou.

E João Otávio não quer parar por aí. Assumir a presidência do clube do coração é um dos seus sonhos. “Quem sabe um dia… É uma meta da minha vida, sim, ajudar o clube que eu amo. Mas, neste momento, eu vejo pessoas mais preparadas e mais gabaritadas para essa função. Mas, no futuro, quem sabe…”.

Por enquanto, resta destacar os feitos históricos do Villa Nova e torcer por dias melhores no Campeonato Mineiro – após sete rodadas, o time ocupa a antepenúltima posição do Estadual e tem a mesma pontuação da primeira equipe que, hoje, seria rebaixada à segunda divisão.

“O Villa já foi campeão da Série B do Campeonato Brasileiro em 1971 e é o único clube que disputou o mesmo número de Campeonatos Mineiros que Atlético-MG e Cruzeiro. Os dois grandes ficaram de fora em 2002, e nós caímos apenas uma vez, em 1993. Voltamos campeoníssimos, e, para mim, o Glorioso não vai cair esse ano, não. Temos mais dois jogos em casa e, se ganharmos ambos, teremos grande chance de classificar para a próxima fase. Vamos torcer”.

Torcer, e é claro, cobrar. Senão não é João Otávio.