Um ano após acidente, Chape se reconstrói em campo, mas famílias ainda penam

  • Por Jovem Pan
  • 29/11/2017 08h00 - Atualizado em 28/11/2017 19h03
Twitter/ReproduçãoTragédia com avião da Chapecoense completa um ano nesta quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Vinte e nove de novembro. A data que, a princípio, não remete a nenhum evento especial provoca lembranças amargas à torcida da Chapecoense. Foi neste dia, afinal, que o avião que levava a delegação catarinense à final da Copa Sul-Americana caiu a poucos minutos do aeroporto de Medellín, na Colômbia. O acidente vitimou 71 pessoas, entre jogadores, diretores, membros da comissão técnica, jornalistas e tripulantes.

Exatamente um ano depois do maior desastre da história do esporte brasileiro, é possível fazer um balanço do início da reconstrução da Chapecoense. Dentro de campo, o ano foi bastante digno. Fora dele, ainda há muita margem de melhora.

No âmbito esportivo: título e permanência na Série A

Não é exagero dizer que a Chapecoense precisou de menos de um ano para se reerguer dentro das quatro linhas. Mesmo com mais de 20 jogadores contratados entre o fim de 2016 e o início de 2017, o time alviverde fez uma temporada bastante digna em seu primeiro ano pós-acidente.

Apesar de ter sido comandada por três técnicos diferentes ao longo de 2017, a Chape foi campeã catarinense, só não avançou ao mata-mata da Libertadores porque perdeu pontos nos tribunais e garantiu permanência na Série A com relativa tranquilidade.

O time chegou a liderar o Brasileiro por algumas rodadas e, a um jogo do fim, ainda sonha com vaga no G-7 – e o detalhe: em nenhum momento a equipe contou com imunidade contra o descenso, como os outros clubes chegaram a propor.

MARCIO CUNHA/ESTADÃO CONTEÚDO

No âmbito pessoal: famílias ainda penam

Se na parte esportiva deu tudo certo para a Chapecoense em 2017, fora de campo o cenário foi um tanto quanto preocupante. Famílias de vítimas reclamaram de falta de apoio durante o ano e montaram associações para pleitear mais ajuda.

Ao todo, a Chape pagou rescisão trabalhista, seguro e cerca de R$ 40 mil (provenientes de doações e amistosos) a cada família – o montante ultrapassa os R$ 55 mil.

Em março, no entanto, viúvas de seis atletas foram à Justiça exigir do clube a integração dos direitos de imagem aos danos morais e pagamentos de pensão. Oito meses se passaram desde então, e a situação segue indefinida.

Além disso, o seguro da LaMia – companhia aérea responsável pelo voo da Chapecoense – ainda não foi pago – a empresa ofereceu indenização de U$ 200 mil a cada família, mas a proposta não foi aceita por unanimidade, condição necessária para que os depósitos fossem feitos.

EFE/BIA PIVA

No âmbito judicial: muitas incertezas

As autoridades ainda não divulgaram pareceres conclusivos sobre a queda do avião da LaMia. Um ano depois do acidente, há apenas relatórios preliminares, que demonstram que o avião caiu por pane seca, ou seja, falta de combustível.

Neste momento, três pessoas cumprem prisão domiciliar em função do desastre aéreo: o ex-diretor da Lamia Gustavo Vargas Gamboa; o filho dele e ex-chefe de registro de licenças da Direção Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia, Gustavo Vargas Villega; e Joons Miguel Teodovich, ex-supervisor de tráfego aéreo que estava de plantão na noite do acidente.

Há, ainda, duas pessoas arroladas como culpadas, mas que não estão presas. São elas: Marco Antonio Rocha Venegas, co-proprietário da Lamia; e Celia Cestedo, ex-funcionária da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea que reviu o plano de voo da aeronave entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín. Ambos são considerados foragidos pela Justiça Boliviana.

O Ministério Público da Bolívia tem até o meio do ano que vem para concluir as investigações.

Wilson Pardo ‏/ Policiantioqui

E os sobreviventes?

Seis pessoas sobreviveram ao acidente aéreo de Medellín. Todas já retomaram a vida. O lateral Alan Ruschel voltou a jogar em julho; o zagueiro Neto lançou um livro e tem previsão de volta aos gramados em 2018; o goleiro Jackson Folmmann se casou, virou comentarista esportivo e estuda para se tornar dirigente; o jornalista Rafael Henzel também lançou um livro e retomou a carreira de narrador; a comissária de bordo Ximena Suárez trabalha como modelo e tatuou um avião da LaMia nas costas; e o mecânico Erwin Tumiri vive na Bolívia e tem participado de programas de TV no país.

Sirli Freitas / Chapecoense