“Vai dar a volta por cima e disputar a Copa”, acredita brasileiro que viveu drama de Guerrero

  • Por Carlos Manoel/Jovem Pan
  • 15/11/2017 08h20
Reprodução FacebookEm 2012, Leandro Franco conquistou o Campeonato Peruano pelo Sporting Cristal e no ano seguinte foi vítima do doping no León de Huánuco

Peru e Nova Zelândia entram em campo às 0h15min (horário de Brasília), desta quarta para quinta, para disputarem a última vaga para a Copa do Mundo da Rússia. E como não poderia ser diferente, o duelo é considerado uma decisão para as duas seleções, especialmente para os peruanos, que não participam de um mundial desde 1982. E no jogo mais importante das últimas três décadas, o Peru não vai poder contar com sua principal estrela: Paolo Guerrero.

O atacante do Flamengo foi flagrado no antidoping após o jogo entre as seleções peruana e argentina, no mês passado, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. O exame testou positivo para benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína, e a FIFA suspendeu o atleta por 30 dias preventivamente. O fato chocou os torcedores peruanos, que lamentaram a ausência do camisa 9 do duelo válido pela repescagem.

Casos como o de Guerrero, no entanto, não são novidade no mundo da bola, ainda mais no futebol peruano. Em 2013, o brasileiro Leandro Franco teve a mesma substância encontrada em sua urina. O ex-atacante, que na temporada anterior havia sido campeão peruano com o Sporting Cristal, defendia as cores do León de Huánuco, time da primeira divisão, e foi flagrado no exame antidoping após um jogo do campeonato nacional.

“Quando recebi a notícia que tinha caído no doping, achei que fosse algo simples. Um remédio para dor de cabeça. Mas, quando fiquei sabendo qual era a substância, a benzoilecgonina, fiquei em choque. Não queria acreditar naquilo. Pelo meu histórico, pela pessoa que sou, tinha a consciência tranquila que não havia usado, mas bateu um medo. Será que alguém me sacaneou, colocou algo na minha bebida ou houve um erro no laboratório?”, recorda em entrevista à Jovem Pan.

Leandro Franco conta que apesar da “consciência limpa”, a missão após ser testado positivo no doping era provar sua inocência. E segundo o ex-atleta, não foi fácil: “eu procurei ajuda de muitas pessoas. Até que um ex-jogador, ídolo do futebol peruano que havia passado por algo parecido, falou para eu fazer um exame no cabelo lá nos Estados Unidos. Foram 15 dias até sair o resultado desse exame. 15 dias de sofrimento até o resultado chegar e mostrar negativo”.

Com a contraprova a seu favor, o brasileiro foi aos tribunais para tentar recorrer da suspensão imposta pela federação peruana de futebol. Com auxílio dos advogados da Agremiação dos Jogadores, uma associação que defende os direitos de atletas e ex-atletas profissionais no país, Leandro Franco acabou não sendo punido. Cumpriu apenas a suspensão preventiva, de 30 dias, a mesma que foi imposta a Guerrero.

Causas e consequências

Quatro anos já se passaram do episódio envolvendo o brasileiro e até hoje o ex-atleta não sabe exatamente o motivo pelo qual o exame testou positivo. Para Leandro Franco, a estrutura do futebol peruano pode ter contribuído para o seu caso, mas não tem como provar o que provocou o doping. “A estrutura do futebol peruano, tanto do departamento médico, quanto a cultura do atleta está aquém do que é exigido no futebol mundial atualmente”, conta.

O ex-atacante defendeu o León de Huánuco até o fim da temporada 2013 e acabou não renovando seu contrato. Ele conta que no início ficou “chateado” com o clube, mas que depois superou aquele momento, dando sequência na carreira. Em 2014, voltou ao futebol brasileiro onde defendeu o Juventude, no Campeonato Gaúcho, e depois o Independente, de Limeira, na Série A2 do Paulista. Em 2015, encerrou a carreira no Unión Magdalena, da Colômbia.

“As consequências do doping, mesmo quando você prova sua inocência, como foi no meu caso, são ruins. A imprensa dá mais valor no exame positivo, do que no negativo. É ruim para a imagem da gente e prejudica muito. Tenho certeza que se esse caso não tivesse acontecido, eu poderia estar jogando no Peru até hoje”, comenta o ex-atacante, que está com 36 anos e atualmente comanda uma escola de futebol em sua cidade natal, Pouso Alegre, Minas Gerais.

Confiança em Guerrero

Dos 15 anos como atleta profissional, Leandro Franco atuou cinco no futebol peruano. Sua ligação com o país sul-americano é tão grande, que em 2012, quando defendia o Sporting Cristal e se tornou campeão nacional, quase se naturalizou peruano. E nessa relação, as amizades são inúmeras e todos dizem que Paolo Guerrero é uma pessoa espetacular e sua conduta, dentro e fora de campo, é exemplar.

“Acredito na palavra do Guerrero e em sua ‘inocência’. Assim como aconteceu comigo, ele sabe que não fez nada de errado. Resta agora descobrir o que aconteceu, se foi feito alguma sacanagem. No meu caso, acho que houve um erro no laboratório. Mas quem assumiria o erro? O médico, o laboratório? No meu caso, era mais fácil colocar a culpa no atleta. Mas, agora com o Guerrero, pelo nome, pela fama, ele tem que ir afundo. Provar sua inocência e cobrar pelo erro”, afirma.

O brasileiro acredita que o atacante vai conseguir provar sua inocência e superar esse caso, mesmo com todas as consequências ruins que o doping causa na carreira de um atleta. “Quando falam em doping, o primeiro comentário é: ‘o cara é drogado’. Mas acho que o Guerrero vai dar a volta por cima e, se Deus quiser, o Peru vai para o Mundial e ele poderá estar com os seus companheiros na Copa do Mundo da Rússia”, deseja o ex-atleta.