Zagueira e artilheira… Quem é a francesa que nasceu ‘no fim do mundo’ e preocupa o Brasil?

  • Por Jovem Pan
  • 23/06/2019 11h05 - Atualizado em 23/06/2019 11h06
Reprodução Instagram/Wendie RenardRenard, zagueira da seleção francesa

A seleção brasileira precisará ter muito cuidado com Wendie Renard neste domingo (23), às 16h (horário de Brasília), no confronto diante da França, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Artilheira entre as francesas na competição, a zagueira é conhecida pela sua estatura e qualidade no jogo aéreo. O que muita gente não sabe é a história de vida da jogadora de 28 anos.

Autora de 3 dos sete gols marcados pela França no Mundial, Renard é um dos nomes mais badalados do futebol na categoria. Campeã da Champions League feminina seis vezes com o Lyon, a “gigante” de 1,87m é a terceira jogadora mas bem remunerada do mundo, à frente, por exemplo, de Marta, conforme levantamento da revista France Football.

A facilidade em balançar as redes é uma das características de Renard. Na atual edição da Copa, ela marcou duas vezes contra as sul-coreanas, na goleada por 4 a 0, na estreia da competição. Na última rodada, a defensora foi responsável por converter penalidade e manter os 100% da França no torneio, na vitória por 1 a 0 diante da Nigéria. Por clubes, ela soma mais de 100 gols, marca expressiva para uma atleta de sua posição.

Para preocupar ainda mais os torcedores brasileiros, Renard é 15 centímetros mais alta que a zagueira Mônica e 7 em relação a Kathellen. Ou seja, as comandadas de Vadão precisarão de muita impulsão e um bom tempo de bola para frear Wendie nos lances aéreos.

Nascida no “fim do mundo”

Wendie Renard contou sobre a sua trajetória de vida em entrevista ao portal The Players Tribune, em janeiro desse ano. Ela recordou um pouco da sua infância na pequena ilha de Martinica, departamento da França localizado no Caribe.

A zagueira classificou o local como o “fim do mundo”, onde “não existe nada além do mar à sua frente e uma montanha gigantesca às suas costas.”

Criada em Le Prêcheur, município afastado do centro de Martinica, Renard disse que sua cidade tinha menos de 2 mil habitantes e contou a história do momento do seu nascimento.

“Parecia mesmo o fim do mundo. Quando ela estava pronta para dar à luz… Agora, eu não estava lá, obviamente, mas eu sou a mais nova das suas quatro filhas, então recebi a história de minhas irmãs. Assim que ela começou a entrar em trabalho de parto, ela e meu pai entraram no carro e saíram para dirigir por mais de uma hora até o hospital mais próximo. Foi uma loucura!”, falou.

“Para mim, não havia nada melhor que a vida no fim do mundo. Eu não sabia de nada diferente”, continuou.

Aos oito anos de idade, no entanto, Renard sofreu um duro golpe após perder o pai, que faleceu em decorrência de um câncer de pulmão. O luto fez com que ela se aproximasse ainda mais de sua mãe e focasse no sonho de se tornar jogadora de futebol.

“Minha mãe lutou para nos dar tudo o que podia. Eu acho que fiquei mais perto dela. E eu me joguei completamente no futebol. Assim que saia da aula, estava jogando futebol. Assim que saíamos da igreja aos domingos, eu estava jogando futebol”, lembrou.

Quando tinha 14 anos, um de seus treinadores percebeu o destaque da então garota e conseguiu um teste na categoria de base do Lyon. Contudo, a primeira vez na França foi estranha sob os olhares da adolescente.

“E quando eu cheguei? … Não foi nada como a Martinica. Estava tão frio, estávamos na floresta e não havia muito sol! E não foi fácil. Na ilha, eu era conhecida como a garota que jogava futebol. Eu era geralmente o único em minhas equipes, mas na França? Ninguém me conhecia. Ninguém tinha ouvido falar de mim. E claro que eles não tinham. Todas as outras garotas foram procuradas na França por anos. Eu era uma garota das ilhas”, lembrou.

Mas Renard fez a “peneira”, se destacou e passou no teste, assinando com o clube que defender até os dias de hoje.