Gilson Kleina condena realização de última rodada do Brasileirão: “não estaremos sendo humanos”

  • Por Jovem Pan
  • 03/12/2016 18h16
Gilson Kleina no Esporte em Discussão

Ainda consternado com o acidente que vitimou o elenco da Chapecoense, o treinador do Goiás Gilson Kleina, amigo do falecido técnico Caio Júnior, comentou que a realização da última rodada do Campeonato Brasileiro nas atuais condições é um desrespeito ao acontecimento.

Em entrevista ao repórter Fredy Júnior durante o Plantão de Sábado, da Jovem Pan, Kleina disse que a CBF e os times deveriam se espelhar no “gesto de grandeza” exibido pelo Atlético Nacional nesta última semana e exibir mais respeito pela tragédia com a Chapecoense.

“Vamos fazer dessa grandeza algo bom para o futebol. Eu acho que se a gente não respeitar o que aconteceu no futebol mundial, especificamente com a Chapecoense, nós só vamos entrar em campo por outros interesses. Temos que rever o que a gente quer com o futebol, porque realmente a gente não estará sendo mais humano”.

Ainda sobre um possível cancelamento da última rodada, Kleina afirma que o clubes deveriam, diante deste cenário, aceitar as condições em que se encontram na tabela.

“Você não está adiando por adiar. Você está falando de vida, de pessoas, de algo que está deixando famílias desamparadas, um clube órfão. Muitos colorados vão ficar contra mim, mas não estou vendo cor, estou vendo o sentimento pelo o que aconteceu com a Chapecoense. Se a CBF definir que não tem rodada acabou, não tem o que recorrer. Quem fez sua pontuação vai ficar com sua qualificação e quem não fez vai ter que enfrentar uma nova situação”, afirma o treinador do Goiás, que ainda apontou o aspecto psicológico como outro fator que impede a realização desta última rodada:

“Como a chapecoense vai entrar no vestiário? Como vai estar a cabeça desses jogadores? Eu nem sei te dizer. E o que vou falar o que pros meus atletas, vou motivar de que jeito? Acho que emocionalmente ninguém está preparado para fazer esse último jogo. Sei que tem interesse de clube grande que tá caindo, que quer vaga na Libertadores, mas o sentimento, o luto, o respeito é maior que qualquer outro resultado”, diz Gilson.

Além de um possível fim do Brasileiro, outra medida sugerida durante a semana é a de permitir que a Chapecoense esteja imune a rebaixamentos nas próximas três edições do Brasileirão. Esta ideia é vista como necessária para que a boa administração da Chape consiga se reestruturar.

“Tem que dar essa garantia. Já ouvi falar que perderia a competitividade porque já o time sabe que não cai, mas acho que não é isso. A gente sabe que era um time de menor expressão, de menor investimento e que estava sendo competente em todos os seus atos. Todos nós temos que olhar a Chapecoense com outros olhos e não com interesse próprio. A gente tem que dar todo respaldo a um time como a Chapecoense. Pelo que vejo do profissionalismo deles nem vai precisar de três anos”, acredita Kleina.