Gobbi sobre Arena: “previsão pessimista é que se pague em seis anos”

  • Por Jovem Pan
  • 02/05/2014 14h40
Mário Gobbi participa do Esporte em Discussão

Os torcedores do Corinthians podem ficar tranquilos quanto ao aspecto financeiro do alvinegro. O presidente Mario Gobbi, em participação especial no programa Esporte em Discussão, garantiu que a situação do clube é “confortável” e revelou que a “previsão pessimista” é de que a Arena Corinthians se pague em seis anos de existência. Além disso, o mandatário fez questão de ressaltar sua amizade com Andrés Sanchez, deu recado ao presidente são-paulino, revelou conversa particular com Émerson Sheik e defendeu o fato de o time receber a maior cota das televisões juntamente com o Flamengo.

Palco da abertura da Copa do Mundo e nova casa do time, a Arena Corinthians vem sendo constantemente questionada pelo seu alto valor, que ultrapassa a casa do bilhão de reais. Gobbi tranquilizou os torcedores: “segunda-feira eu fiz uma reunião com o Andrés Sanchez, que é o gestor da Arena. Se vendermos 50% dos ingressos, o Corinthians terá um lucro muito grande. 45% da Arena serão de preços populares. Dentro da Arena você vai poder fazer casamentos, festas, terá shopping center, entre outras coisas. Uma previsão pessimista é de que o Corinthians pague o estádio dele em seis anos”, disse.

Sobre as declarações de Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo, ironizando a postura da diretoria do Palmeiras na negociação envolvendo Alan Kardec, Gobbi preferiu não julgar, mas mandou recado ao mandatário Tricolor: “fiz de tudo até agora para acabar com o ranço que havia entre Corinthians e São Paulo. Lutei, fiz de tudo, meus diretores não falam de outros clubes e falamos somente sobre Corinthians. Acho um perigo um dirigente ficar criticando um outro clube, seja ele quem for ou fazendo brincadeira com outros clubes. O futebol não tem lugar para brincadeiras no ponto em que ele chegou. As pessoas que vivem o futebol não têm preparo para ver isso da maneira em que deve ser visto. Aí entra uma parcela da responsabilidade na violência dos dirigentes. Saber o que fala quando ganha e quando perde e como se portar”, afirmou.

Sobre a saída de Émerson Sheik e as polêmicas declarações do atacante sobre seu relacionamento com o técnico Mano Menezes, Gobbi revelou conversa com o atual atleta do Botafogo e deixou claro os motivos que fizeram com o que o herói da conquista da Libertadores 2012 deixasse o elenco. “Quero deixar bem claro que o Sheik saiu, não por causa de questão pessoais e, sim, porque o rendimento dele estava pífio perto da capacidade que ele tem. Conversei com ele antes do segundo turno do Brasileirão do ano passado, e disse que ele era um ícone do grupo e que ele precisava voltar a render mais. Que eu cobrava apenas de quem poderia ser cobrado e quem ganha o que ele ganhava, receberia essa cobrança. No Corinthians, não vivemos de passado, vivemos de presente, a torcida quer três pontos e é o preço de jogar aqui”, contou.

Confira os temas tratados pelo presidente durante a participação no programa:

1 – Situação financeira do clube

O Corinthians imobilizou muito dinheiro. Se você pegar Renato Augusto, Pato e Gil, só aí o Corinthians acumulou 82 milhões de reais. Se colocar eles no caixa do time, você terá o fluxo de caixa que é o problema que o Corinthians e todos os outros times têm. Montamos uma máquina de jogar bola, ganhamos seis títulos e isso não é de graça. Nós não vivemos um ano bom para receitas porque os investidores jogaram tudo na Copa do Mundo. Entretanto, o Corinthians tem dinheiro, a situação dele é confortável, tem dívidas para pagar como todo outro clube, mas nada que o torne insolvente ou que nos deixe com temor quanto ao futuro do clube, muito pelo contrário. O futuro promete muito, principalmente com as rendas do público da Arena Corinthians. Corinthians arrecada 300 e poucos milhões de reais por ano, mas tem uma despesa imensa. Estamos reformulando o grupo de jogadores, abaixando o teto de salário, trazendo para uma realidade que todos os clubes estão vivendo. Subimos muito nosso patamar de despesa. É muito difícil manter um time tendo glórias em seis anos

2 – Rentabilidade da Arena Corinthians

Segunda-feira eu fiz uma reunião com o Andrés Sanchez, que é o gestor da Arena. Se vendermos 50% dos ingressos, o Corinthians terá um lucro muito grande. 45% da Arena será de preços populares. Dentro da Arena você vai poder fazer casamentos, festas, terá shopping center. Uma previsão pessimista é de que o Corinthians pague o estádio dele em seis anos.

3 – Declarações de Carlos Miguel Aidar sobre o Palmeiras e empréstimo de jogadores

Eu fiz de tudo até agora para acabar com o ranço que havia entre Corinthians e São Paulo. Lutei, fiz de tudo, meus diretores não falam de outros clubes e falamos somente sobre Corinthians. Acho um perigo um dirigente ficar criticando um outro clube, seja ele quem for ou fazendo brincadeira com outros clubes. O futebol não tem lugar para brincadeiras no ponto em que ele chegou. As pessoas que vivem o futebol não tem preparo para ver isso da maneira que deve ser vista. Aí entra uma parcela da responsabilidade da violência dos dirigentes. Saber o que fala quando ganha e quando perde e como se portar. A minha filosofia é essa. Se o presidente do São Paulo não emprestaria jogador, ótimo, ele que faça isso lá no clube dele. Cada um administra sua casa conforme aquilo que acha o certo. Temos que apaziguar as coisas. Depois que houver vandalismo nos jogos, vejam quem instiga, quem provoca, quem faz nascer dentro do seio do torcedor o sentimento de ira, revolta e raiva. Estou cansado de ser apedrejado quando vou jogar no estádio. Isso tem que acabar, mas se o dirigente não dá exemplo…

4 – Alexandre Pato

O São Paulo paga 15 milhões de euros se quiser ficar com ele depois do final do empréstimo. Eu quero que o Pato jogue muito lá no São Paulo, marque gols, seja o artilheiro, arrebente, volte a readquirir a imagem dele porque o Corinthians colocou 15 milhões de euros nele e quer reaver o investimento.

5 – Saída de Sheik

No meio do ano passado, a comissão técnica se reuniu comigo e o professor Tite pediu mais um período do Émerson no Corinthians. Nós queríamos 12 meses e ele queria 24 meses. Havia um clamor na torcida para que o Émerson ficasse. Então fechamos em 18 meses. O Corinthians fez um segundo semestre pífio com o time que tinha. A participação do Émerson foi pífia, mas se eu não tivesse renovado com ele eu seria apedrejado. Então, há certas coisas que todo mundo tem que sangrar junto. As pessoas não acreditam em quem dirige o departamento de futebol do clube. Nós que estávamos lá dentro, sabíamos que tínhamos que encerrar a participação, mas sabíamos que íamos receber críticas. Não matei nem minha mãe e meu pai para sofrer isso. Essa é a verdade, então há que se pagar o sapo, é isso que você precisa fazer para provar as coisas para as pessoas no futebol.

6 – Possível retorno de Sheik

A recepção do Sheik vai ser a recepção que a comissão técnica disser para nós que ela quer. Se ela disser que quer o Sheik jogando os últimos seis meses no Corinthians, ele ficará.  Se ela disser que não quer, vamos procurar outro clube para ele. Quero deixar bem claro que o Sheik saiu não por causa de questão pessoais e, sim, porque o rendimento dele estava pífio perto da capacidade que ele tem. Conversei com ele antes do segundo turno do Brasileirão do ano passado e disse a ele que você é ícone e precisa começar a render mais.  Nós não vivemos de passado, vivemos de presente, a torcida quer três pontos e é o preço de jogar no Corinthians. Conversei com ele antes do segundo turno do Brasileirão do ano passado, e disse que ele era um ícone do grupo e que ele precisava voltar a render mais. Que eu cobrava apenas de quem poderia ser cobrado e quem ganha o que ele ganhava, receberia essa cobrança. No Corinthians, não vivemos de passado, vivemos de presente, a torcida quer três pontos e é o preço de jogar aqui

7 – Falta de ética na negociação entre São Paulo e Alan Kardec

Eu acho que o Corinthians agiu conforme a cara do seu presidente [de não ter interferido na negociação do atacante]. “Laor” [ex-presidente santista], Odílio Rodrigues [atual presidente santista] e Tirone [ex-presidente do Palmeiras] agiram dessa forma comigo e eu não poderia ser diferente com o Paulo Nobre. Com o São Paulo, o negócio envolvendo o Jadson e o Pato foi muito justo, ético e bom para os dois clubes. Não sou juiz para julgar o caso, cada um tem sua formação e seu pensamento.

8 – Decisão mais difícil da sua gestão

A decisão de abrir mão do Tite foi até que bem tranquila. Ele ficou três anos, ganhou tudo e é o maior técnico da história do Corinthians. Tudo na vida é cíclico e era preciso trocar o comando técnico do Corinthians e nós trocamos.

Depois, constatamos que tínhamos que fazer a reformulação, que é algo desagradável, chato, não rende elogios, mas alguém tem que bater no peito e deixar para quem vier depois da gente uma estrutura, assim como fizemos em 2008.

9 – “Fogo amigo” no clube

Administrar o Corinthians é trabalhoso. É uma honra, acho que se eu reencarnar cem mil vezes, nunca mais eu terei o privilégio de ser o presidente do Corinthians. O que atrapalha no clube, o que é insuportável é o próprio corintiano que está lá dentro, que eu chamo de “fogo amigo”. Pessoas que criam notas, soltam boatos e prestam um desserviço ao clube. Esse é o maior câncer que há dentro do clube

10 – Relação com Andrés Sanchez

A amnésia no grupo do futebol é insuportável, não dá para continuar no futebol. Ninguém tem coragem para dizer que às pessoas que isso leva tempo.

Andrés Sanchez é meu amigo, meu companheiro e parceiro de tudo o que aconteceu lá no Corinthians. Nós, junto com algumas pessoas, fizemos parte de tudo isso. Eu dei ao Andrés o maior cargo que alguém poderia ter, que é o gestor da Arena Corinthians. Consulto ele em inúmeras decisões eu tomo. Nem tudo o que ele pensa, eu penso também. Isso não é pessoal, não há racha. Tanto é que o nosso candidato à sucessão é o mesmo. Nunca haverá racha.  Querem nos separar, mas não vão conseguir.

12 – Cotas televisivas

O Corinthians representa 60% da audiência do futebol brasileiro inteiro. Como vou dividir minha cota igual aos outros? Me desculpem, mas não é possível

13 – Críticos da sua gestão

A conquista da Libertadores e do Mundial não foi da minha gestão e nunca trouxe isso para minha gestão. Elas foram um trabalho que começou em 2008, portanto, o mérito é de todos que trabalharam de lá até aqui. É uma gestão só, o mérito é de todos. Quero lembrar aos que gostam de menosprezar meu trabalho, que o diretor de futebol em 2008, 2009 e 2010 era eu. Havia sete jogadores dessa época na final da Copa Libertadores e do Mundial. Estou encerrando a minha vida política no Corinthians no último dia da minha gestão, não vou seguir no futebol. Agradeço a Deus ao trabalho todo que ele me permitiu fazer parte e colaborar porque sozinho não se ganha nada, é a equipe que ganha.