Grêmio será julgado nesta quarta por racismo contra goleiro Aranha

  • Por Agencia Brasil
  • 03/09/2014 00h18
PORTO ALEGRE, RS - 28.08.2014: COPA DO BRASIL/GRÊMIO x SANTOS – O goleiro Aranha - Partida entre Grêmio e Santos, válida pelas oitavas de final (ida) da Copa do Brasil de Futebol 2014, realizada na Arena Grêmio, em Porto Alegre, nesta quinta-feira. (Foto: Pedro H. Tesch/Brazil Photo Press/Folhapress) Folhapress Confira as reações de Aranha em jogo no qual foi vítima de racismo

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julga, nesta quarta, o Grêmio por atos racistas de sua torcida contra o goleiro Aranha. O goleiro denunciou a atitude de torcedores que o insultaram durante o jogo entre os gremistas e o Santos, na última quinta (28), em Porto Alegre.

O auditor Francisco Pessanha irá apresentar seu relatório a partir da denúncia de ato discriminatório por razão de étnica, raça e cor por parte da torcida gremista, infração previsto no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Esportiva. O Grêmio pode até ser excluído da Copa do Brasil e receber multa de R$ 100 mil.

O árbitro Wilton Pereira Sampaio também poderá ser punido, já que só relatou o episódio de racismo após o caso ganhar repercussão. A partida de volta pelas oitavas de final, que ocorreria nesta quarta (3), foi adiado por causa do julgamento.

Entenda o caso

Durante o primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil entre Grêmio e Santos, no dia 28, o goleiro Aranha denunciou insultos racistas da torcida gremista durante o jogo. Imagens do jogo mostram o goleiro alertando o árbitro Wilton Pereira Sampaio dos gritos da torcida, mas o juiz não tomou nenhuma providência. Após o jogo, Aranha, bastante revoltado, denunciou à imprensa os gritos entoados pela torcida durante o jogo, como “preto fedido”, “cambada de preto”, “macaco”. No dia seguinte registrou um boletim de ocorrência em Porto Alegre. A equipe santista venceu a partida por 2 a 0.

No dia 29, o procurador geral do STJD, Paulo Schmitt, apresentou a denúncia ao tribunal a partir de imagens disponibilizadas por emissoras de TV. No mesmo dia, o Grêmio repudiou o ato de racismo ocorrido durante o jogo e identificou dez torcedores suspeitos de cometerem atos racistas, sendo excluídos dois sócios do clube.

Mas no domingo (31), no jogo contra o Bahia pelo Brasileirão, parte da torcida gremista continuou entoando gritos racistas. Na segunda, a diretoria do Grêmio tomou novas medidas para combater o racismo, suspendendo a torcida organizada Geral e se dispondo a continuar identificando torcedores preconceituosos.

O ex-presidente do Grêmio, Luiz Carlos Martins, em entrevista para Rádio Gaúcha, causou nova polêmica defendendo os torcedores identificados. Martins afirmou que o grito de “macaco” fazia parte do folclore do futebol gaúcho, sendo historicamente uma alcunha a torcida do Internacional, e acusou o goleiro santista de fazer uma “cena teatral” durante o jogo. O Internacional tem entre seus mascotes oficiais um macaco apelidado de “Escurinho”, em homenagem ao um ex-atleta do colorado Luís Carlos Machado.

Na terça (2), dois torcedores identificados prestaram depoimento para a Polícia Civil de Porto Alegre. Nos próximos dias, outros torcedores também devem comparecer a delegacia.