Guangzhou: a cidade que faz a China sonhar em ser gigante no futebol

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 16/05/2016 13h23

Alan é um dos brasileiros de boa qualidade que jogam pelo Guangzhou Evergrande

Alan é um dos brasileiros de boa qualidade que jogam pelo Guangzhou Evergrande

Correspondente internacional da Rádio Jovem Pan, Ulisses Neto foi até Guangzhou para tentar entender por que tantos jogadores de nível internacional estão se transferindo para o futebol chinês. Claro, a resposta simples e direta é uma só: a segunda maior economia do mundo abriu os cofres, e o dinheiro é irrecusável. E é mesmo. O meia Renato Augusto, por exemplo, praticamente quadruplicou o salário quando deixou o Corinthians para reforçar o Beijing Guoan, no início do ano. Mas por que a China está investindo tanto no futebol? E como o país está reagindo a esta onda de estrangeiros que desembarcou no país? 

Guangzhou é o melhor lugar para tentar chegar às respostas para estas perguntas. O maior time da cidade, o Guagzhou Evergrande, afinal, é também o clube mais badalado do país. Tem cinco títulos chineses, duas Ligas dos Campeões da Ásia, já investiu US$ 150 milhões em contratações desde 2010 e, nos últimos anos, foi comandado por dois treinadores campeões mundiais: Marcello Lippi e Luiz Felipe Scolari. O time reflete muito bem o que Guangzhou reflete para o resto da China.  

“Eu não sabia de nada. Até quando eu fui assinar meu contrato, falei para a minha esposa que estávamos indo para um lugar desconhecido, que tinha uma cultura diferente. Falei para ela se preparar, porque a vida não ia ser tão boa”, revela Alan, atacante que jogava no Fluminense, passou pela Áustria e foi contratado há um ano e meio pelo Guangzhou. 

E ele é apenas um dos brasileiros do time. Com passagens pela Seleção Brasileira, Paulinho e Ricardo Goulart também atuam pela equipe que, hoje, é treinada por Felipão. “Foi punk, cara. Eu e o Goulart chegamos juntos aqui à China, e era um lugar bem feio. Aí eu falei para ele: meu Deus, olha onde a gente veio parar”, conta Alan, aos risos. 

Essa é a impressão que a maioria das pessoas tem sobre a China e principalmente sobre Guangzhou. Mas ela só dura até uma rápida volta pela cidade, que, no fundo, se parece muito com as grandes capitais do planeta. “A gente conheceu a cidade de verdade, e ela é linda. Tudo que você precisar você encontra. É muito agradável”, afirma Alan. 

E ele tem razão. Guangzhou fica no sul da China e tem um clima quente e úmido, muito parecido com o do Brasil. A desigualdade social também é um tapa na cara dos visitantes, com uma diferença crucial: há poucos moradores de rua, e a violência urbana, definitivamente, também não é um problema. A cidade é um dos principais centros comerciais da China e conta com shoppings centers gigantescos, além de muitos prédios arranha-céus.  

O metrô de Guangzhou foi inaugurado há menos de 20 anos e, hoje, tem nove linhas, 167 estações e 267,5 km de extensão. Tudo muito moderno e conveniente até para os estrangeiros que não falam a língua local, já que as instruções também são dadas em inglês. Só para comparar: o metrô de São Paulo foi inaugurado quase 25 anos antes do de Guanghzou e é 3,5 vezes menor do que ele.  

E talvez esta seja a grande metáfora do futebol chinês. O presidente Xi Jinping prometeu transformar o país em uma grande potência do futebol em breve. E o país já está bem perto disto. Com as últimas contratações, a liga chinesa está próxima de se tornar o maior campeonato nacional não-europeu do mundo. “É uma evolução que a gente já está vendo. A China tende a crescer mais ainda. Se você observar, o futebol japonês passou por isso há alguns anos e tem uma seleção bem forte. Eu torço para que isto aconteça com a China, porque as pessoas daqui nos acolheram muito bem“, elogia Alan. 

Mas acredite: se as empreiteiras milionárias e o governo chinês se associaram para bancar este investimento de altíssimo nível no futebol, é porque há retorno financeiro. E ele já começou a aparecer até mesmo em Guangzhou, cidade luxuosa por natureza.