Hoje técnico, Bordon vê como assustador atraso do Brasil em relação à Europa

  • Por Jovem Pan
  • 27/03/2016 15h44
Marcelo Bordon tenta usar a experiência que adquiriu na Europa para treinar o Rio Branco de Americana

Depois de defender o São Paulo entre 1994 e 1999, o zagueiro Marcelo Bordon viveu uma experiência que mudou a forma como vê o futebol. Com sua ida para o Stuttgart, ele ficou onze anos na Alemanha, sendo os seis últimos no Schalke 04, onde aprendeu os segredos do futebol europeu. Agora, Bordon está de volta ao Brasil para treinar o Rio Branco de Americana, time de capital onde tenta aplicar tudo que aprendeu.

“O Rio Branco tem ótimos jogadores revelados aqui. Com essa nova gestão, que está tentando, com muita clareza e muita humildade, reestruturar esse clube. Não é fácil. É um clube que tem um patrimônio muito grande, tem um nome muito grande, que realmente só quem quer pagar o preço para ficar numa situação dessas entende o propósito. Estou aqui para fazer o melhor que eu posso, tentar agregar alguma coisa. Creio que muitas coisas vão acontecer, estamos numa crescente muito grande”, contou o técnico.

No entanto, o que mais atrapalha é o atraso em que vive o futebol brasileiro em relação ao que se faz na Europa. “Chega a ser assustador às vezes”, define Bordon. “É incrível algumas situações que já encontrei, os jogadores não estão preparados taticamente, fisicamente, mentalmente, para estarem no profissional. Eles têm de chegar prontos, e às vezes isso falta demais. Mas com trabalho a gente vê uma melhora muito grande e eu tenho certeza de que com um pouquinho de paciência a gente consegue crescer”, analisou.

Para Bordon, falta consciência tática aos brasileiros. “Nós jogamos muito só com a bola no pé. A movimentação sem a bola é muito falha. Eu sempre falo com os jogadores sobre essa leitura dentro de campo, estamos deixando muito a desejar. Essa falta de conhecimento, de ler o jogo, de jogar não só com a bola, é complicado, mas a gente tem que tentar passar, e os jogadores têm absorvido com bastante vontade. É lógico que demora um pouco, mas já estão começando a se mexer, a se movimentar, e eu fico muito contente com isso”, afirmou.