Injeção de esporte: pitada de sonho, outra de inspiração e muito de força de vontade

  • Por Jovem Pan
  • 17/12/2019 15h23 - Atualizado em 19/12/2019 13h56
Reprodução/Redes Sociais

“Mãe, o remédio para sua filha é o esporte!”. Esse foi o diagnóstico que Josi Alves, mãe de Giulia Oliveira, de 16 anos, atleta da natação e do nado sincronizado inclusivo na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), recebeu após ver a filha entrar em um momento de depressão.

Passados 16 anos, Giulia continua vencendo uma batalha por dia. A atleta da natação e nado sincronizado esteve presente na Liga Nescau 2019, etapa de São Paulo, disputada no Centro Paralímpico Brasileiro ao lado da mãe.

“A Giulia para mim é uma benção na minha vida. Nossa família mudou os pensamentos depois que descobrimos que ela tinha uma deficiência”, revelou Josi.

Coragem, persistência e superação. Uma pitada de cada. Dessa forma é possível definir a história de vida de Giulia, que já vem batalhando e vencendo para encantar nas piscinas desde as primeiras horas de sua vida. Aos 16 anos, a jovem, que já passou por tanto e com tão pouca idade, a cada dia tem a oportunidade de vivenciar valores do esporte e que se misturam com a Liga Nescau.

Esporte sem fronteiras

O amor pelo esporte levou Josi e Giulia para lugares que elas nunca imaginaram. Em 2015, Edna Garcez resolveu criar um grupo de nado sincronizado inclusivo. A ideia era juntar atletas com e sem deficiência em um único espaço. O Parasincro Brasil se tornou o primeiro grupo no mundo a ter uma cadeirante em sua equipe de nado sincronizado; Giulia.

“É o sonho da minha filha, e eu mãe penso assim: ‘O que eu puder fazer por ela, eu faço’. Se me falarem para ir para a China com ela para ela melhorar, eu vou fazer o possível”, afirmou Josi.

Ciente das dificuldades maiores que Giulia tem na vida por conta de suas questões físicas, Josi conta que a filha é seu maior ensinamento. Sem ela, talvez não tivesse forças para batalhar e alcançar tantos sonhos que a mãe não sabia nem que tinha.

“Foi um sonho que talvez se eu não tivesse minha filha com deficiência eu não lutasse e fosse mais acomodada. Eu vejo a vida diferente, consigo ter algumas situações e ter olhares diferentes. Em alguns momentos, eu vejo que o que eu passo com ela, algumas mães que têm filhos que andam não são felizes ao ponto que ela é”, disse.

Superando batalhas desde o nascimento

Giulia Oliveira tem mielomeningocele, hidrocefalia e bexiga neurogênica. A jovem já se mostrou, em poucas horas de vida, uma verdadeira lutadora. Assim que nasceu, a menina foi levada para a UTI e passou alguns dias. Na saída do hospital, foi encaminhada para um acompanhamento bastante detalhado.

“Neurologista, ortopedista, psicólogo, terapeuta ocupacional. A Giulia faz terapias desde que nasceu”, contou Josi. “Não é fácil, minha filha usa fralda até hoje, minha filha usa sonda”, completou.

Giulia foi para o esporte não por diversão, mas por necessidade. E é ele quem vem salvando sua vida há sete anos. Em 2012, quando a hidroterapia não fazia mais efeito, a jovem foi encaminhada para a parte de desportos da AACD. Foi lá que encontrou Edna Garcez, também conhecida como Tia Edna. A mulher que iria mudar sua vida.

Esporte salva vidas

Para além do sonho, o esporte foi capaz de salvar Giulia. A jovem, que já lutou por sua vida ainda como recém-nascida, precisou vencer mais uma batalha para continuar encantando nas piscinas.

Há dois anos, Giulia viveu uma crise profunda de depressão. E foi no esporte que arranjou forças para sair do buraco.

“Ela ficou muito mal ao ponto que chegou a ter um problema de rim, uma pielonefrite. Ela ficou internada de quase morrer. Foi três vezes para a UTI. Se não fosse essa coisa dela se agarrar com o esporte… Hoje em dia ela está outra menina. Ela chegou a tratar a depressão tomando medicação no psiquiatra”, contou Josi.

Saindo de criança para a adolescência, Giulia teve os mesmos problemas que assolam milhões de jovens pelo mundo. Conflitos sociais e de imagem. Aceitação era uma palavra difícil para ela entender.

“O esporte mudou a vida dela. Ela faz esporte hoje por recomendação médica mesmo, de terapia. Quando ela ficou com essa depressão profunda, a neurologista dela me prescreveu no receituário médico. “Mãe, o remédio para sua filha é o esporte”, finalizou.

Thiago Pereira, nadador multicampeão e embaixador da Liga Nescau 2019, reforça a importância do esporte na vida e criação das crianças.

“O esporte me ensinou tudo que eu sei na minha vida. A respeitar o próximo, valores isso tudo é a escola do esporte que ensina e eu sou muito adepto da escola e o esporte em conjunto”.

Para mais informações acesse o site oficial da Liga Nescau