Jamil Chade explica esquema de Valcke para venda de ingressos da Copa: “mercado negro na Fifa”

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2015 12h53

O secretário-geral da FifaSecretário-geral da Fifa

Um novo escândalo de corrupção ronda a entidade máxima do futebol. De acordo com o repórter do jornal O Estado de São Paulo, Jamil Chade, o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, é acusado de montar esquema de venda de ingressos para jogos da Copa do Mundo de 2014. Em entrevista exclusiva ao repórter Wanderley Nogueira, da rádio Jovem Pan, Chade explicou a denúncia envolvendo o secretário que pode ter lucrado mais de 2 milhões de euros com o negócio.

“É uma bomba que faz a gente pensar muito bem em todos os brasileiros que passaram horas tentando comprar ingressos. O que é a bomba? É uma acusação de empresários que  fecharam acordos oficiais com a Fifa e venderam ingressos para a Copa do Mundo, e que mostram e-mails que provam que Valcke fechou o seguinte acordo: os ingressos seriam fornecidos para os principais jogos (jogo do Brasil, final, semifinal) para essas empresas e eles poderiam ser vendidos até 3 vezes o valor no mercado. A Fifa autorizava a venda mais cara”, explicou o repórter.

“O mais surpreendente é que Valcke dizia que poderia fornecer esses ingressos e ficaria com 50% do lucro. É um mercado negro dentro da Fifa, feito pelo próprio secretário-geral da Fifa”, afirmou.

O esquema de corrupção foi denunciado pelo empresário Benny Alon, proprietário da empresa JB Marketing, que trabalha com venda de entradas para mundiais. Jamil destaca que um dos e-mail divulgados por Alon, Valcke comemorava o dinheiro que seria sua “aposentadoria”.

“Os e-mails mostram que o próprio Valcke dizia que esse era seu fundo de pensão, sua aposentadoria. E os empresário dizem que Valcke pode ter lucrado mais de 2 milhões de euros”, comentou.

“Em um dos e-mails, o empresário Benny Alon, que faz as acusações, mas também fez parte do esquema, explica que em apenas três jogos da Alemanha, cada um lucrou 114 mil dólares. Isso mostra que não conhecemos todos os escândalos, mas que foi uma grande farra para essas empresas”, completou o jornalista.

O correspondente do Estadão na Suíça destacou que nenhum brasileiro está envolvido no esquema e que até o momento também não há indícios do envolvimento do presidente da Fifa, Joseph Blatter. O jornalista ainda afirmou que a informação dos empresários dão conta de que esquema seria válida até o Mundial de 2022 e que o secretário-geral sabia da escolha da sede antes mesmo das eleições.

“O mais incrível e que o acordo não envolvia só a Copa do Mundo no Brasil, eram quatros Copas, vinha desde 2010 e iria até 2022. Em 2022 havia uma ressalva no contrato. O empresário ganharia se a Copa fosse nos Estados Unidos, quando eles assinaram o contrato, almoçaram em uma celebração pela assinatura, o Valcke afirmou ‘você negociou muito bem, mas 2022 não vai ser sua porque Copa vai ser no Qatar’. O empresário questionou e perguntou como ele sabia dessa informação, faltavam oito meses para o anúncio e Valcke disse: ‘o Qatar já tem o dinheiro para que isso aconteça. O Qatar prometeu comprar todos os ingressos’”, explicou o jornalista do Estadão.

Confira o comentário de Wanderley Nogueira: