Juvenal declara guerra contra Aidar e pede sua renúncia: “não vai dormir”

  • Por Daniel Lian/JovemPan
  • 19/12/2014 12h11
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 16-04-2014: Futebol: Juvenal Juvêncio (centro.), presidente da equipe do São Paulo, posa para foto com o candidato à presidência da equipe, Carlos Miguel Castex Aidar, durante as eleições do clube, em São Paulo (SP). (Foto: Davi Ribeiro/Fotoarena/Folhapress) Folhapress Aidar mostrou-se irritado na coletiva e voltou a criticar a situação do clube deixada por Juvenal Juvêncio

O ex-presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, declarou guerra contra o seu desafeto e atual mandatário do clube, Carlos Miguel Aidar. Em entrevista exclusiva à Rádio Jovem Pan nessa sexta-feira (19), o icônico dirigente criticou duramente as últimas polêmicas no qual Aidar andou se envolvendo e afirmou que pedirá a renúncia do presidente Tricolor para devolver a paz a instituição. Juvenal acrescentou que se ele não aceitar, a guerra nos bastidores perdurará por um bom tempo.

“Eu pediria que ele renunciasse para realizarmos uma nova eleição. Essa é a minha torcida. Se o Carlos Miguel renunciar, rapidamente resolvemos isso. Se ele não quiser, a guerra vai continuar. Ele vai ficar magrinho, vai ser bom para ele. Mas que ele não vai dormir direito, isso não vai”, ressaltou o ex-cartola, que completou. “A guerra comigo é pesada. Você deveria saber disso. Você tem que me enfrentar, mas não consegue, porque sou melhor que você em tudo”.

Nas eleições para a presidência em abril deste ano, Juvenal apoiou Aidar e entrou em atrito com outros membros da diretoria, que sonhavam em assumir a cadeira após o fim de seu terceiro mandato consecutivo. Sempre sarcástico em suas declarações, o senhor de 82 anos se mostrou arrependido com a sua escolha e afirmou que o seu desafeto era um homem completamente diferente quando se conheceram há 24 anos.

“Eu errei muito nessa escolha. Não estou habituado a erros. Cometi um erro grande. Quem sabe ele renuncia e colocamos um cara mais competente. O erro foi meu, o homem que conheci há 24 anos hoje é outro. As pessoas mudam. Ele mudou radicalmente. Eu não convivia com ele, apesar do escritório dele fazer advocacia para o São Paulo”, disse.

“Estou em Santa Rosa de Viterbo, nem tem telefone por lá e ele fica olhando embaixo da cama para ver se eu estava presente. Eu o coloquei lá, ele ficava me ligando para colocá-lo no conselho. Tive algumas dificuldades internas e me deu essa burrice de escolher o Carlos Miguel. Montei num porco”, lamentou.

Segundo o dirigente, que garantiu não ter vonatde alguma de retornar ao poder no clube, Aidar sente ciúmes dele, que ainda é muito querido por muitos funcionários e conselheiros. Juvenal revela que seu é praticamente proibido mencionar o seu nome pelos corredores do CT da Barra Funda.

“Comecei a perceber que ele queria se distanciar de mim. Ele tava com ciúmes de mim. As pessoas que falavam com ele consequentemente falavam meu nome. Falar meu nome parecia ser um crime. Ele quer acabar com isso, mas não consegue. Aí começa a perseguir as pessoas e colocar na rua”, explicou.

Juvenal vê negociação de dívidas como manobra estranha

Recentemente em entrevista concedida ao Esporte em Discussão, Carlos Miguel Aidar falou que pretende negociar as dívidas acumuladas no clube na atual temporada, que chegam aos valores de R$ 100 milhões. Para Juvenal Juvêncio, isso tudo é uma grande mentira. Chamando-o de mentiroso, o ex-aliado insinua que a empresa de Cinira Maturana será a responsável por negociar o dinheiro.

“São mentiras repetitivas. Ele quer vender as dívidas, parece que por esses dias. Mas não sei agora, porque acendeu uma luz amarela meio forte, que vamos torna-la vermelha. Não adianta gostar da nossa posição, porque vai ser assim mesmo, gostem ou não. Ele vai aprender a ser um cidadão. Ele mente que é uma barbaridade. Ele esquece o que falou no dia anterior. Por que ele quer vender a dívida? Se eu falar o nome da empresa. Será que eu acerto o nome?”, falou em tom irônico.

De acordo com o dirigente, Carlos Miguel passou por cima do estatuto do clube ao contratar a sua namorada para realizar negociações e ainda levar 20% dos valores. Com a possibilidade de haver uma recisão de contrato , Juvenal enfatiza que não será algo simples, já que todo contrato tem o valor a ser pago caso seja quebrado.

“Arrumou uma namorada complicada, que tem filho e mora em Brasília. É algo estranho. Eu não provoquei isso, não participo dessas coisas. Como essa mulher tem um contrato com o São Paulo se o estatuto não permite isso? O Carlos Miguel disse que é apenas uma namorada, que conheceu há 18 anos e garantiu que não faria nada no São Paulo”, acrescentando. “Eu não quero nem entrar nesse plano. Mas não pode fazer contrato com a mulher. Isso é um direito internacional. Como você é o presidente da instituição e faz um negócio com a sua mulher? Ele tem que falar se vai ou não rescindir”.

Confira outros trechos da entrevista de Juvenal Juvêncio à Rádio Jovem Pan:

“Cairá por si próprio”

Ele se ofendeu com as coisas que falei no conselho, montaram uma coletiva. Ele não sabe falar, não sabe se expor. Ele não tem competência. Depois ele não fala a verdade, é horrível. Ele vai cair por si próprio.

Puma iniciou negociações na era Juvenal

Ele falou que quem trouxe a Puma para o São Paulo foi a mulher (Cinara). Não foi ela, foi o Rodrigo Natel. Ainda perguntou qual era a participação dele nos lucros. Ele é um Natel, não precisa disso. Se ela participou, deveria levar 20%, não?

Aidar perdido com questão do estádio

Ele quer cobrir o estádio. Mas não queria derrubar? Tava velho! Tá tudo gravado. Ele queria trocar por outro terreno que tem em Taboão da Serra. Ele viu que o negócio ferveu e fugiu. Agora ele quer cobrir Uma hora ele fala que precisa abaixar o gramado, outra que precisa subir. Ele não sabe dessas coisas, ele não entende. Ele andou falando com umas empreiteiras. Mas eles já viram quem é ele e não vão fazer esse negócio.

Precisa se preocupar com assuntos maiores

São Paulo virou um negócio de falar sobre mulher no corredor. Não tem isso no clube, o clube tem sua história, imagens, história, torcida. O que precisamos é disso e ele não está fazendo.

Aidar não consegue fazer nada sozinho

Eu disse Carlos Miguel, precisamos visitar dois cardeais. Um é o Laudo Natel e o outro é o Manoel Raimundo. Ele disse que não ia sem mim. Não tinha condições de conversar com ambos.

Se afastar dos clubes paulistas

Ele falou num almoço com os presidentes dos clubes de São Paulo que mandou dois ofícios para marcar um encontro e discutir assuntos em comum. Mas eles falaram: ‘com você não, presidente. Não queremos conversa com você. Não acreditamos em você’. Ele comeu a sobremesa e foi embora. O vi falando que os dirigentes não têm massa encefálica no evento da FPF. Ele vai isolar o São Paulo, é um absurdo!

Dinheiro para contratação do Kardec

Ele fez a contratação do Kardec com o meu dinheiro. Ele gastou R$ 20 milhões com aquele negócio e falava que o São Paulo não tinha dinheiro. Ele não fez empréstimo bancário. É mentira!

Base de Cotia

Ele fala que a meta de Cotia para a Barra Funda tem que ter tantos jogadores. A meta já foi superada. Ele é um analfabeto nesse processo. O que eu precisava era deixar claro. Não vou polemizar esse negócio. Nós queremos paz e que as coisas caminhem. Precisamos segurar o Carlos Miguel para passar essa fase negra e chegar no outro lado. Os fatos estão aí.