Lutadora brasileira faz “vaquinha” para treinar com marido enquanto sonha com medalha no Rio

  • Por Jovem Pan
  • 20/09/2015 18h38
Montagem sobre Renato Sette/Reprodução Facebook Aline descobriu que treinar com o marido Flávio ajudava seu rendimento e se tornou destaque na luta olímpica

Aline Silva conquistou, no mundial de luta olímpica de Las Vegas, nos Estados Unidos, uma vaga para disputar as Olimpíadas em 2016 e, assim, realizar um de seus sonhos. No entanto, ela sofre com um problema incomum no esporte: ter de arrumar fundos para seu marido e companheiro de treino lhe acompanhar nas competições. Ao repórter Fredy Junior, da Rádio Jovem Pan, ela contou sobre sua rotina e as expectativas para os Jogos Olímpicos.

“Eu sou muito pesada, e por isso é difícil achar mulheres para treinar na luta olímpica. Meu marido e eu percebemos que o treino com ele funcionava muito bem. No ano passado vieram excelentes resultados e começamos a ver que realmente funciona. Meu treino para o mundial foi feito todo com ele, com a ajuda de alguns amigos consegui que ele viesse para Las Vegas para me ajudar. Tem funcionado muito bem”, disse Aline. A dificuldade é conseguir dinheiro para que Flávio, seu marido a acompanhe nas viagens como aquela feita para o mundial em Las Vegas.

“Eu peguei dinheiro emprestado com uma amiga para a passagem. Outro amigo conseguiu um lugar para passarmos a noite, na casa do amigo de um amigo. Então economizamos com a estadia, e com a alimentação nós vamos nos virando, comprando no mercado uma coisinha. Até porque com o dólar tão caro não dá para comer comida em restaurante, tem de comprar algo no mercado e ir se virando”, contou a lutadora. A desconfiança das pessoas é a principal barreira na hora de conseguir incluir o marido nas viagens.

“A confederação fala que dar dinheiro para eu levar ele pode abrir precedentes para que outras meninas achem que também têm de treinar com homem, e aí levariam namorado para as viagens. Mas elas não têm as mesmas necessidades que eu, elas têm com quem treinar. A outra justificativa é que a gente mexe com dinheiro de órgão público e como pode ser interpretado eu viajando com meu marido. Parece tudo muito fácil para mim, mas ninguém vê que não é fácil conviver, treinar juntos num esporte de contato, tem de ter muito profissionalismo para fazer nosso treinamento dar certo”, desabafou.

Apesar disso, Aline Silva promete se esforçar ao máximo para conseguir uma medalha nas Olimpíadas. “Eu sonho com Olimpíada desde que comecei no esporte, sempre quis. Acho que é o auge de um atleta, tudo que eu sempre sonhei, especialmente em casa. Vai ser maravilhoso. Eu mentalizo porque quero fazer desse momento para minha vida”, disse a brasileira.

O fato de lutar em casa também é importante porque, segundo Aline, sua adversária americana no Mundial foi favorecida pela arbitragem. “Tenho certeza disso. Eu encostei ela e os juízes não deram. Eu treino para ganhar sempre e fazer o meu melhor, mas nem sempre o melhor é o suficiente. Ano que vem vai ser na minha casa (risos)”, concluiu.