Meligeni analisa dupla brasileira no Rio 2016: “acredito em Bruno e Marcelo”

  • Por Lucas Reis/Jovem Pan
  • 29/02/2016 10h15
Número 1 e número 10 do mundo

Pela primeira vez nos últimos 16 anos o tênis brasileiro chega a uma Olimpíada sonhando de fato com uma medalha. Às vésperas dos jogos do Rio-2016, o país vê na dupla formada por Marcelo Melo e Bruno Soares a chance real de subir ao pódio olímpico, expectativa que não é sentida desde os jogos de Sidney, em 2000, quando Guga fez o país acreditar em medalha, mas caiu nas quartas de final.

Amigos de infância, Marcelo Melo (duplista número 1 do ranking da ATP) e Bruno Soares (duplista número 10 do mundo) chegam ao Rio com a confiança de quem vive ótimo momento no circuito mundial e, para o ex-tenista Fernando Meligeni, com pressão enorme nos ombros. Em entrevista exclusiva ao Jovem Pan Online, o Fininho comentou as chances da dupla brasileira e mostrou confiança na medalha olímpica em casa para o tênis brasileiro.

“A expectativa em torno de Bruno e Marcelo é igual à do Guga na Olimpíada em Sidney, quando perdeu nas quartas de final para o Kafelnikov. Está muito claro que eles formam uma das duplas favoritas para ganhar”, disse Meligeni.

“O favoritismo vem pelo lado de que jogam muito juntos, se conhecem muito, tem o número 1 do mundo, o outro está entre os 10 do mundo. Vai ser uma pressão gigantesca, vão cair em cima para que eles ganhem, mas acho que eles têm boas chances”, analisou o ex-tenista.

Meligeni destacou a responsabilidade disputar as Olimpíadas em casa. Para o Fininho, a pressão de disputar a medalha no Brasil não deve afetar os experientes duplistas brasileiros que, pelo contrário, devem se fortalecer com o “fator casa”; já a ansiedade, sim, pode ser um fator contra Bruno e Marcelo.

“Eles estão costumados a jogar Copa Davis. (A pressão) vai afetar muito para o cara que não está acostumado a jogar para 5 ou 10 mil pessoas. Para um tenista que joga final de Roland Garros, final e Australian Open, Wimbledon, isso acaba virando um casco. Se perderem, vai ser por fazer parte do jogo, mas não por sentir a pressão por jogar em casa”, afirmou.

“Muito mais que pressão, é a ansiedade. Isso vai depender muito do COB, da organização, do quanto vão blindar. Se abrir a porta para todo dia ter jornalista lá dentro, a ansiedade é muito grande. O atleta não está acostumado com o ‘oba-oba’. Se tiver isso longe dos atletas, vai ser bem melhor”, declarou o comentarista.

As dificuldades no caminho dos brasileiros

Assim como Bruno Soares e Marcelo Melo, nas Olimpíadas muitas duplas que não disputam os torneios do circuito mundial se reúnem para representar seus países. Nomes consagrados do tênis mundial podem cair na chave dos brasileiros e essa é uma das maiores preocupações de Meligeni.

“Essas duplas normalmente e que são complicadas. É o caso dos suíços com Wawrinka com Federer, os italianos os franceses são muito duros, o Djokovic pode jogar dupla e joga bem, o Nadal pode jogar duplas”, analisou.

“Meu medo é que muitos desses caras sejam sorteados na mesma chave. Tenho medo de pegar essas caras na segunda ou terceiro rodada, antes de disputar medalha. Depende um pouco da chave porque ganhar do Federer na primeira rodada, dos irmãos Bryan na segunda… é complicado. O início é importantíssimo para ganhar confiança, trazer a torcida e, se chegarem até quartas ou semifinal, acredito muito neles”, comentou Meligeni.