Milton Cruz diz que treinaria o São Paulo e cutuca diretoria: “nunca me convidaram”

  • Por Jovem Pan
  • 27/02/2016 18h11
Segundo Milton Cruz

Milton Cruz trabalha no São Paulo há 17 anos, desempenhando diversas funções como auxiliar técnico. Também é conhecido por ser uma espécie de “tapa buraco”: sempre que o time está sem técnico, Milton ocupa o cargo até um novo nome ser contratado. Há quem diga que, apesar de seus bons trabalhos como técnico da equipe, ele nunca foi efetivado porque não quer a função. Porém, segundo ele, não é bem assim.

“Não é que eu não quero. Eu nunca tive um convite da diretoria falando ‘Milton, você quer ser o treinador?’. Eu não posso ficar me oferecendo, você tem de ter muito cuidado. Se os caras me convidarem, (disserem) ‘vamos fazer um contrato’, como é feito o contrato com o treinador que chega…”, disse Milton Cruz em entrevista a Fausto Favara e André Ranieri, da Rádio Jovem Pan.

“O Juvenal (Juvêncio, ex-presidente do São Paulo) me falava: ‘quero arrumar logo outro treinador porque não posso perder você, você é muito importante nas funções que você faz dentro do clube’. Por isso que ele nunca me efetivou. Mas das outras vezes tenho ficado três meses, quatro meses, já fiquei oito meses outra vez (como técnico). Às vezes fico de interino, mas interino é dois ou três jogos, não um tempo longo”, cutucou o auxiliar. “Falam: ‘ah, você não quer, você é pipoqueiro’, mas precisa de uma coisa mais clara, uma confiança maior no trabalho.

Atualmente, depois de trabalhar com Juan Carlos Osorio, Milton auxiliar Edgardo Bauza em sua adaptação ao Brasil. Segundo ele, os treinadores estrangeiros estão no mesmo nível dos brasileiros. “Já trabalhei com 19 treinadores nesse período em que estou no São Paulo, aprendi muito com todos. Acho que o treinador, sendo bom e tendo capacidade, como é o caso do Osorio, e o Bauza, que ganhou duas Libertadores, tem de ter um respeito”, analisou. Segundo ele, a dificuldade dos técnicos de fora é justamente desconhecer o futebol brasileiro.

“A única vantagem que o treinador brasileiro leva é que conhece os times. Por exemplo, quando vai jogar contra o Bragantino, a gente sabe a estratégia do Marcelo Veiga. O treinador que vem de fora não sabe qual é a característica. A gente já vai para o jogo sabendo o que vai enfrentar, e por isso a minha importância com os técnicos estrangeiros”, concluiu Milton Cruz.